terça-feira, 31 de março de 2015

Da matéria a Vida - cap 49 de A Grande Síntese



49. DA MATÉRIA À VIDA





Da mesma forma que a natureza cinética dá à energia sua característica fundamental, a de transmitir-se (dimensão espaço que ascende à dimensão tempo), o novo princípio da coordenação das forças, num mais débil e caduco, porém mais sutil, com­plexo e profundo entrelaçamento cinético, dá à energia, elevada à vida, sua característica fundamental de consciência (dimensão tempo que ascende à dimensão consciência), Individuam-se as formas de vida, tal como toda forma de energia individuarizara-se num tipo bem definido, com fisionomia própria e com tendência a con­servar-se 
em seu modo de ser, como indivíduo que deseja afirmar-se e distinguir-se de todos os afins, com movimento, forma, dire­ção e, portanto, com objetivo próprio: um Eu que já possui os ele­mentos fundamentais da personalidade e, não obstante seu contí­nuo devenir, conserva inalterado seu tipo.


Nas formas de vida, o princípio de individuação — depois que a Substância atingiu o mais alto grau de evolução e de diferenciação — torna-se cada vez mais evidente. Já na energia, as formas conquistam uma existência pró­pria independente de sua fonte originária. A luz, uma vez lançada, destaca-se e existe progredindo de per si no espaço. Chega do infinito, luz estelar emanada milhares de anos antes, sem que saibais se a estrela que a originou sequer ainda existe. E o som continua, avança e chega, quando a causa das vibrações já está em repouso. Se as formas de energia, uma vez geradas, sabem existir no espaço pelo seu próprio princípio, na vida, a autonomia é com­pleta. Como são parentes pela comunidade de origem e pela afini­dade de caracteres, as formas químicas e depois as formas dinâmi­cas, de igual modo, são parentes entre si as formas de vida, pela gênese e pelos caracteres, todas fundidas com todos os seres existentes, orgânicos e inorgânicos, numa fraternidade universal. Ir­mandade substancial, constituída de igual matéria, idêntico modo de ser, do mesmo objetivo a atingir; fraternidade a que se deve a possibilidade da convivência, simbiose universal, e de todas as trocas da vida, que são sua condição.


Voltemos um olhar ao caminho percorrido. Beta concentrou seu íntimo movimento no núcleo, unidade constitutiva do éter. Neste ponto, o movimento de descida involutiva ou de concentra­ção cinética, ou de condensação da Substância, inverte-se em dire­ção oposta, de subida evolutiva ou de descentralização cinética. O núcleo, síntese máxima de potencial dinâmico no ponto   Beta =>Gama  do transformismo fenomênico, reconduz, por sucessiva emissão de elétrons, a energia cinética concentrada. Percorramos a fase Gama, as­sistindo ao desenvolvimento da série estequiogenética. Se na  quí­mica temos, como primeiro estágio, o hidrogênio, na astronomia temos a nebulosa, isto é, matéria jovem e universo jovem — estado gasoso — estrelas quentes, fase ainda de alta concentração dinâmica. Enquanto de um lado desenvolve-se a árvore genealógica das es­pécies químicas, do outro evolui a vida das estrelas que envelhe­cem, resfriam-se, solidificam-se, assumindo constituição química, luz e espectro diferentes, afastando-se do centro genético do sis­tema galáctico. Há uma maturação paralela, integral, da substância e da forma. Noventa e dois elétrons são sucessivamente lançados fora da órbita espiralóide nuclear, cada um deles continua a girar em sua órbita ligeiramente espiralóide. sucessivamente constroem-se os edifícios atômicos, cada vez mais complexos, dos corpos químicos indecompostos, segundo uma escala de pesos atômicos crescentes. Aqui torna-se possível uma aproximação entre o vórtice galáctico e o vórtice atômico. A gênese e o desenvolvimento do primeiro podem dar-vos um exemplo tangível da gênese e do desenvolvimento do segundo. Enquanto a energia concentra-se no núcleo (éter) — centro genético das formas de Gama — paralelamente o universo, na fase dinâmica, concentra-se na nebulosa mãe da expan­são espiralóide galáctica. Inversamente, as estrelas, durante o pro­cesso de sua evolução, projetam-se do centro à periferia, com ve­locidades progressivas à proporção que envelhecem e se afastam desse centro. Isso ocorre com uma técnica que coincide com a do desenvolvimento espiralóide do átomo. Uma vez mais os fenôme­nos confirmam a atuação da trajetória típica dos movimentos fe­nomênicos em seus dois movimentos, involutivo e evolutivo.


Assim, do éter — último termo da descida de Beta  — nasceu a matéria que, depois, por evolução atômica, atinge as espécies radi­oativas. Primeiro os corpos de peso atômico menos elevado, depois os de peso atômico mais alto. Primeiro o magnésio, o silício, o cálcio; mais tarde aparecem os elementos mais sólidos, como prata, pla­tina, ouro, menos jovens. Vós os encontrais no velho sistema solar e sua parte mais solidificada e resfriada dele, os planetas. Os corpos simples, no estado gasoso, como Hidrogênio, Oxigênio, Nitrogênio, são mais raros em vosso globo. Aqui aparece a radioa­tividade, como fenômeno tão difuso, como uma função inerente à matéria, em vista do estágio em que se encontra em vosso planeta. Para o centro deste, onde a matéria manteve-se mais quente e está menos envelhecida, são mais raros os corpos radioativos, tanto que, apenas a 100 Km de profundidade a radioatividade quase desaparece. Depois de completada a maturação das formas de Gama, ocorreu também uma expansão do vórtice galáctico, do centro à periferia, com o resfriamento e a solidificação da matéria. Esta terminou o ciclo da vida e a Subs­tância assume novas formas; transforma-se lentamente em indivi­duações de grau mais alto. A dimensão espaço ascende à dimensão tempo. A matéria inicia uma transformação radical, doando todo o seu movimento tipo Gama ao movimento tipo Beta . O vórtice nuclear do éter desenvolveu, na fase Gama o vórtice atômico da matéria.


Chegando ao máximo da dilatação, esse vórtice continua a expandir-se, des­envolvendo as formas dinâmicas, e nasce a energia. A Substância continua a evoluir, prosseguindo sua ascensão em Beta. A primeira emanação gravífica de comprimento mínimo de onda, frequência vibratória e velocidade de propagação máxima no sistema dinâ­mico, completa-se com a emanação radioativa da desintegração atômica. O processo de transformação dinâmica, que tem suas raízes na evolução estequiogenética, isola-se, afirmando-se decidi­damente. O vórtice atômico rompe-se e decompõe-se, por pro­gressiva expulsão do sistema daqueles elétrons, que já nasceram para serem expulsos do sistema nuclear.


Trata-se de um constante realizar-se daquilo que estava em potência, fechando-se em germe por concentração de movimento. Nascem novas espécies dinâmi­cas: depois da gravitação e da radioatividade, apa­recem as radiações químicas, a luz, o calor, a eletricidade, sempre em ordem de frequência vibratória decrescente e comprimento de onda progressivo. A matéria, que viveu e não tem mais vida pró­pria, responde ao impulso desse novo turbilhão dinâmico que ela mesma gerou, é toda invadida por ele e movimentada. 

Este é vosso atual universo: a matéria que está morrendo, a energia em plena maturidade, a vida e a consciência jovens, em vias de formação. Os cadáveres da matéria, já solidificada e sem vida própria, de forma­ção química, lançados e sustentados nos espaços pela gravitação, inundados de radiações de toda espécie, são apenas o sustentáculo de formas de existência mais altas. 

Da eletricidade (a forma dinâ­mica mais madura), numa nova grande curva da evolução, nasce e veremos como, a vida: matéria organizada como vida, ou seja, retomada num
turbilhão ainda mais alto.

A vida, pequena centelha na origem, na qual continua a expansão evolucionista do princípio nuclear e atômico, dinâmico (onda), numa forma cada vez mais complexa de 
coordenação de partes, de especialização de funções, de organização de unidades e de atividades; a vida, cuja substância, cujo significado, objetivo e produto é a criação da consciência, é Alfa , o espírito. 

E da primeira célula se iniciará, através de miríades de formas, de tentativas, de fracassos e de vitórias, a lenta conquista que gradualmente triunfará no homem e dele, hoje, lança-se para as últimas fases do terceiro período de vossa evolução, que se resume na conquista da superconsciência e na realização bioló­gica
do Reino de Deus. 





F I M  


domingo, 15 de fevereiro de 2015

O Fenômeno da Morte

Joanna de Ângelis.
Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na tarde de
2 de junho de 2014, na residência de Dominique e
Armandine Chéron, em Vitry-sur-Seine, França.
Em 8.12.2014.



O fenômeno da morte





Presente e constante na existência humana, o fenômeno da morte constitui uma fatalidade da qual ninguém consegue eximir-se.


Ocorrendo a cada momento nas células, que também se renovam, ocasião chega em que a anóxia cerebral se encarrega de parar as funções do tronco encefálico, interrompendo a ocorrência biológica da vida física.


Todos os seres que nascem morrem, dando prosseguimento ao milagre da vida em outra dimensão, aquela de onde tudo procede.


O objetivo essencial da existência física, em consequência,  é a construção e a vivências dos valores éticos responsáveis pelo progresso incessante do Espírito até o momento em que alcança a plenitude.


Mesmo nos reinos vegetal e animal, o processo de nascimento e morte obedece à planificação do desenvolvimento evolutivo da essência divina presente em tudo e em toda parte como fundamental manifestação da vida.


Desde quando criado o ser, o deotropismo atrai-o com força dinâmica inescapável...


Ao atingir a fase do instinto, desenham-se-lhe no psiquismo, pelas experiências, os pródromos da razão, passo gigantesco no rumo da angelitude.


Fixar os valores que dignificam e elevam, que o libertam das heranças grosseiras da fase antropológica primitiva, torna-se-lhe, portanto, imposição inevitável que o arrasta no rumo da ascese, que se lhe constitui meta a ser conquistada.


Passo a passo, experiência após vivência, a ânsia de alcançar a paz e a sabedoria estimula-o ao prosseguimento, mesmo quando sob ações penosas do sofrimento, decorrente da desatenção e da rebeldia ante as leis que regem o universo.


Parte integrante do Cosmo, essa unidade minúscula que é o ser humano, à semelhança de uma miocropartícula que forma a unidade atômica, deve manter a sua constância sob o comando da consciência lúcida que reflete o estágio em que se encontra.


As ocorrências desastrosas por falta de discernimento, por teimosia dos instintos agressivos, retardam-lhe a marcha, sem dúvida, porém, não impedem que ocorram novas oportunidades vigorosas em provações ou expiações pungitivas que se encarregam de corrigir as anfractuosidades morais e os desvios comportamentais, impondo a conduta correta como a solução adequada para o equilíbrio e o bem-estar.

Viver é automático, porém, bem viver, selecionando as questões que promovem os sentimentos e a inteligência em níveis mais elevados, para a conquista da sabedoria, deve ser o objetivo de máxima importância para todo viajante na indumentária carnal.

Sócrates, totalmente lúcido e decidido a demonstrar a sua grandeza moral em fidelidade a tudo quanto ensinou e viveu, recebeu a morte como um grande bem.


Instado a fugir por Críton, que houvera organizado um plano audacioso com os seus demais amigos, surpreendeu-se e o repreendeu, demonstrando que as leis, mesmo quando injustas, devem ser obedecidas, de modo que a sociedade aprenda a estabelecer códigos de nobreza.


Caso fugisse, evidenciaria que era realmente o que dele diziam os inimigos, especialmente aqueles que o levaram ao tribunal com infâmias grosseiras.

E sofismando a respeito da existência, qual fizeram antes os juízes, anuiu com tranquilidade à sentença infame, demonstrando que a existência física é uma experiência de iluminação e não uma pousada para o prazer infinito.


Buda, de igual maneira, despedindo-se dos discípulos que aguardavam mais informações, a fim de darem continuidade à divulgação dos seus pensamentos, informou que lhes legava odharma – a ordem universal imutável – e, serenamente abandonado por muitos que antes o assistiam, silenciou a voz e retornou à pátria da imortalidade.


Jesus é o exemplo máximo, porque no auge dos sofrimentos pôde pronunciar frases que assinalariam com vigor a sua despedida, desde o perdão aos crucificadores que não sabiam o que estavam fazendo (Lucas, 23:34), até entregar a mãezinha aos cuidados do discípulo amado e este ao seu carinho (João, 19:26-27), rompendo os laços da consanguinidade terrestre em favor da fraternidade universal.

Foi mais além, dialogando com o ladrão que lhe suplicava ajuda e socorrendo-o com a resposta da sublime esperança da sua entrada no reino dos Céus (Lucas, 23:43), assim que se desvencilhasse das asperezas dos erros, e se cumprisse tudo para quanto viera, num inolvidável silêncio após o tudo consumado(João, 19:30).




Logo mais, porém, retornava em júbilo na madrugada esplendente de sol e de beleza, confirmando a imortalidade e o triunfo da vida sobre contingência material, de modo que os amigos e quantos outros que o viram pudessem superar a injunção corpórea e voar nos rumos do Infinito.

Francisco de Assis, sofrido pela ingratidão de alguns dos melhores companheiros, ferido e maltratado, sem forças nem resistências orgânicas, exauriu-se lentamente, cantando sempre até o último hausto, a ponto de ser censurado por tanta alegria...

Todos aqueles que descobriram a imortalidade enfrentaram o fenômeno da consumpção dos tecidos orgânicos com estoicismo e naturalidade, alegrando-se com o término da tarefa terrestre abraçada, de modo a retornarem vitoriosos ao grande Lar de onde partiram no rumo do planeta terrestre.

*
Reflexiona diariamente a respeito da tua partida em direção à imortalidade, preparando-te, a fim de que não te fixes em interesses mesquinhos retentivos da retaguarda material.

Treina o pensamento em considerações constantes em torno da desencarnação, porquanto ela chegará, talvez, quando menos a esperes.

Se tiveres a felicidade de enfermar por longo prazo, diluindo os liames retentivos do corpo físico, isto será uma bênção.


Mas se fores convocado repentinamente, deixa-te conduzir com alegria, certo de que viverás.
Nada obstante, prepara-te conscientemente para enfrentar esse fenômeno terminal, agradecido ao corpo que te vem servindo de instrumento para a evolução, bem como a tudo quanto te ocorre na atual conjuntura evolutiva.








Joanna de Ângelis.
Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na tarde de
2 de junho de 2014, na residência de Dominique e
Armandine Chéron, em Vitry-sur-Seine, França.
Em 8.12.2014.







domingo, 4 de janeiro de 2015

Sobre os natimortos no mundo extrafísico

      1. A VIDA ALÉM DO VÉU

É um livro editado pela Federação Espírita Brasileira. A autoria é do Rev. G. Vale Owen, vigário de Oxford, Lancashire, que passou a receber mensagens de sua mãe, já falecida.

Ele diz: (na página 33)"... Fez-se mister um quarto de século para que eu me convencesse - dez anos, de que a comunicação dos Espíritos era um fato, e quinze de que esse fato era verdadeiro e bom."

Vou escrever um trechinho do livro que faz referência aos natimortos: (pag. 133)
(...)
A primeira coisa que me surpreendeu foi a presença de crianças, porque pensava que fossem todas criadas em casas especiais, só a elas destinadas. A senhora que nos tinha recebido era a Mãe do lugar e as que a seguiam, algumas de suas auxiliares. Interroguei a uma delas a respeito destas crianças, que pareciam tão alegres e belas, e tão à vontade neste lugar grandioso. Ela explicou-me que eram os nascidos mortos, o que nunca respiraram a atmosfera terrena. Por este motivo possuiam caráter diferente dos que tinham nascido com vida, e mesmo dos que só viveram alguns minutos. Necessitavam cuidados de outra natureza e podiam muito mais depressa adquirir o conhecimento destas esferas.
Eram, pois, mandadas para asilos como este e
instruidas até terem progredido em mentalidade e estatura grifei , de sorte que pudessem começar o seu novo curso de instrução. Fortes, então, na pureza e saber divinos, ficavam a cargo dos mestres que se acham em contacto com a própria Terra, e que lhes ensinavam o que elas antes não tinham podido aprender.
Isto era para mim muito interessante e, pouco depois, principiei a compreender o motivo de me haverem enviado, para aí, era exatamente para que fôsse despertado em mim, por esse conhecimento, o desejo de ver o meu filho que tinha vindo para este lugar e de quem eu não tinha esperanças de que me chamasse mãe.

Ó que doce emoção se apoderou de mim quando eu vim a saber disso! Não me demorarei em descrever o que senti, porém confesso que, durante algum tempo

lágrimas de indescritível alegria brotaram de meus olhos, por mais esta graça adicionada às muitas que me têm sido concedidas.

Sentei-me na grama, sob uma árvore; escondi o rosto entre as mãos e curvei a cabeça nos joelhos e assim me conservei, imóvel, devido ao estranho êxtase que fez vibrar todo o meu ser, abalando-o inteiramente.

A minha generosa amiga não me dirigiu a palavra, mas sentou-se a meu lado, enlaçou-me os ombros com os braços e deixou-me soluçar de contentamento.

Quando fiquei mais calma, muito docemente me disse ela:
- Querida, também sou mãe; e mãe de um filho como o que tendes aqui. Por isso eu sei o que se passa em vosso coração neste momento, porquanto já experimentei também uma alegria como a vossa.
Levantei então os olhos para o seu rosto e ela compreendeu a pergunta que não ousava dirigir-lhe; tomando-me pela mão, fez-me levantar, e com um braço em torno do meu ombro, guiou-me em direção a um bosque, onde vimos que algumas crianças brincavam. seus risos e gritos alegres vinham por entre as árvores; eu estava desfalecida pela grande alegria que experimentava e que enchia todo o meu ser. Como suportaria eu o júbilo ainda maior que estava por vir?

Querido, isto não foi há muito tempo; ainda é tão recente que acho dificuldade em descrevê-lo com a clareza que desejava.

Deve V. desculpar-me se lhe pareço muito prolixa ou incoerente nas minhas palavras. Eu não conhecia essa verdade, e logo que me foi repentinamente revelada e que pude apreender-lhe a significação, para mim tremenda... - bem, devo deixar-lhe o encargo de a entender.

Basta dizer que, naquele bosque, achei o que não julgava possuir; há nesta terra mais liberalidade em se dar um presente do que calma em recebê-lo.
destaque meu .
Devo acrescentar, antes de concluir, o que já devia ter dito. Mas fui afastada do assunto, a despeito de mim mesma, pela lembrança dessa doce hora.

É isto: Quando as crianças vêm para aqui, aprendem em primeiro lugar o que se relaciona com esta vida.


Depois vão adquirindo a experiência que lhes faltou na Terra. Quanto amor é a facilidade em aprender as coisas da vida terrestre, mais depressa serão enviadas a completar a aprendizagem. Aqueles que nasceram mortos não possuem nenhuma experiência da vida da Terra. Por serem filhos da Terra, não obstante, têm de voltar para adquiri-la; nunca, porém antes de o poderem fazer com segurança, e, mesmo assim, sob uma direção adequada, até ficarem aptos a agir por si.

A sua volta às vizinhanças da esfera terrestre é, por conseguinte, mais demorada, e alguém que tenha vivido uma vida longa e trabalhosa na Terra, tem menos que aprender a respeito da vida terrestre, quando para aqui vem, e assim pode passar a outros e mais altos estudos.

Por certo que esta é a regra geral e, na sua aplicação aos indivíduos, toma-se em conta o caráter pessoal de cada um, e a regra será modificada, ou adotada de acordo com o que cada caso especial precisa ou merece.

Mas tudo correrá bem para quantos vivem e amam; e os que melhor amam vivem uma vida mais espiritual. Isto lhes parecerá literatura, mas não importa, porque essa é a verdade.
Deus o abençoe, querido! Boa noite!


Como vimos na descrição acima, a mãe do Reverendo foi conduzida àquele lugar para conhecer o filho natimorto. Nem mesmo desencarnada imaginava que isto seria possível.

Assim, queridas mães e pais que estão na mesma situação de experiência, não desanimem e tenham fé e esperança na Providência Divina, pois Deus não separa aqueles que se amam. E, como se viu, já se sabe que precisamos orar por eles para que sejam iluminados e consigam o aprendizado necessário.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Temor da Morte - por Joanna de Ângelis

Temor da Morte - Joanna de Ângelis

O temor da morte é resultado da ignorância a respeito da vida.

Tradicionalmente renegada como sendo o fim, considerada como o momento de prestação de contas, normalmente apavorante, em razão do comportamento existencial durante a jornada terrestre, quase sempre reprochável, ou aniquilamento da consciência, a morte se transformou em hedionda realidade da qual, porém, ninguém consegue eximir-se.

Para morrer, basta encontrar-se vivo.

Em algumas culturas ancestrais e em diversas atuais, procura-se mascarar a morte, ora realizando-se cultos prolongados e afligentes, noutros momentos produzindo-se festas de libertação do corpo, ainda, outras vezes, promovendo-se cerimoniais, maquilando-se o cadáver para dar-lhe melhor aparência, como se isso fosse importante, com o objetivo de diminuir-se a dor do seu enfrentamento.

Quando se tem consciência do significado real da morte, na condição de passaporte para a vida, a alegria da imortalidade substitui a angústia do eterno adeus, ou da promessa do juízo final, ou ainda, a respeito do nunca mais...

Se o corpo pudesse prolongar a sua permanência na Terra, como agradaria a alguns aficionados da ilusão, mas apenas temporariamente, como isso seria terrível para os portadores de enfermidades degenerativas, de distúrbios psicóticos profundos, de deformidades congênitas, de paralisias, de transtornos psicológicos destrutivos, da miséria social e econômica, das expiações em geral.

Para quem se compraz na fantasia da ignorância, pretendendo manter a eterna juventude, desfrutar dos esgotantes prazeres, permanecer em foco onde quer que se encontre, seria, aparentemente, muito bom e compensador. No entanto, tudo quanto se faz repetitivo, num continuum demorado, corre o risco de tornar-se tedioso, de produzir o vazio existencial por falta de significado psicológico...

A Divindade, ao estabelecer os limites orgânicos, em razão das energias que vitalizam a matéria, proporciona tempo e oportunidade necessários para o desenvolvimento ético-moral e espiritual do ser humano.

Mediante as existências sucessivas, adquirem-se os valores inalienáveis para a conquista do bem-estar, da harmonia, da individuação.

Com a sua constituição imortal, o Espírito progride e alcança os patamares superiores da vida, podendo fruir todas as bênçãos que se lhe encontram ao alcance.

A felicidade não é deste mundo – assevera o Eclesiastes, demonstrando, que sim, existe a plenitude, mas não a anelada pelo corpo físico no mundo material.

A consciência da sobrevivência à disjunção molecular proporcional real alegria de viver e de lutar, ensejando um grandioso significado à existência que se adorna de possibilidades que facultam a conquista do estado numinoso.

Alguns objetam que esse comportamento pode proporcionar acomodação ao sofrimento, aceitação passiva das ocorrências perturbadoras, pensando-se que as futuras reencarnações tudo resolvem.

Pelo contrário, ocorre, pois que a consciência de si faculta ampliação dos horizontes mentais, enriquecimento emocional superior, esperança de alcançar-se as metas dignificantes da vida, à medida que se luta por consegui-las.

* * *

Morre-se a cada instante, em razão das contínuas transformações que ocorrem no organismo.

Centenas de milhões de células decompõem-se e morrem, em minutos, ensejando o surgimento de outras tantas, até o momento quando a energia vital em deperecimento resultante do desgaste diminui e se consome, ensejando a morte de todo o organismo.

Em uma lúcida comparação, toda vez quando o sono fisiológico toma o organismo e obscurece a consciência, defronta-se uma forma de morte, sem grande variação a respeito daquela que encerra o ciclo terrestre.

O medo da morte, de alguma forma, é atávico, procedente da caverna, quando o fenômeno biológico sucedia e o homem primitivo não o entendia, desconhecendo a razão da sua ocorrência.

Do desconhecido sucesso às informações que foram sendo recolhidas ao longo dos milênios, os mitos e arquétipos remotos se encarregaram de criar funestos conceitos a seu respeito.

Nada obstante, nesse mesmo período, ocorrem, as memoráveis comunicações espirituais cujas informações são encontradas em algumas escritas rupestres, assim também originando-se o culto aos Espíritos, como uma forma de os manter vivos, de os tranquilizar, de os encaminhar ao mundo de origem.

Guardadas hoje as proporções, cerimônias religiosas, as recomendações litúrgicas e os ritos constituem um aperfeiçoamento daqueles cultos primitivos, nos quais, durante um largo período, realizavam-se holocaustos de animais e de seres humanos, afim de acalmar aqueles que se proclamavam deuses e responsáveis pelos acontecimentos em geral.

Houve, sem dúvida, um grande progresso na celebração dos cultos aos mortos, permanecendo ainda, lamentavelmente, a ignorância em torno da imortalidade.

Retornando ao convívio com aqueles que ficaram na Terra, dispõe-se de claras e significativas informações a respeito da sobrevivência do ser, de como contribuir em seu benefício, substituindo a pompa e as extravagâncias muito do agrado da insensatez pelas orações ungidas de amor e de respeito pela sua memória, recordando-o com carinho, trabalhando-se em benefício do próximo, em homenagem ao que representa na afetividade...

A reverência ao corpo fixou-se de tal maneira no comportamento humano, que a arte utilizou-se desse fenômeno, para preservar o carinho dos que permaneceram no mundo, afinal, por pouco tempo, porque também foram convocados a seguir para o Além, através dos monumentos colossais, dos mausoléus ricamente decorados, das capelas revestidas de mosaicos e de mármores de altos preços... Os artistas aumentarem esse tipo de .culto, estimulando as decorações com estátuas imponentes ou comovedoras, utilizando do bronze, do ferro, do ouro e de outros metais, como de pedras preciosas, de pinturas faustosas, para expressar a grandiosidade do desencarnado, muitas vezes em situações deploráveis no mundo espiritual, como decorrência da vida que levou na Terra...

Ainda aí, vemos uma forma de dissimular a morte, dando um aspecto festivo aos despojos já consumidos pelos fenômenos naturais...

...E todos esses recursos poderiam ser encaminhados para diminuir o sofrimento de milhões de criaturas enfermas, esfaimadas, excluídas do conjunto social...

Infelizmente, porém, a morte é um dos fatores que empurram as pessoas fracas e despreparadas para os enfrentamentos normais da existência, para a depressão, para a revolta, para a violência.

Ninguém conseguirá driblar a morte, por mais que o intente.

* * *

Pensa com frequência e tranquilidade na tua desencarnação.

Considera que o momento, por mais distante se te apresente, chegará fatalmente. Recorda os teus desencarnados com carinho, envolvendo-os em ternura e orações.

Fala-lhes mentalmente a respeito da realidade na qual se encontram e de como se devem comportar, procurando o apoio dos seus Guias e a proteção do Senhor da Vida.

Morrendo e retornando, logo depois, Jesus cantou o hino da imortalidade gloriosa que culmina a Sua trajetória na Terra de maneira insuperável.


Joanna de Ângelis.
Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na sessão mediúnica de 25 de maio de 2010, na residência de Josef Jachulak, em Viena, Áustria

Estudo sobre o Temor da Morte no youtube.
https://youtu.be/QA1ZT1vADuU

terça-feira, 29 de julho de 2014

Casos de Reencarnação com memória de intermissão entre as existências

Journal of Near-Death Studies, 23(2), Winter 2004 © 2004 IANDS

Casos do Tipo Reencarnação com Memórias da Intermissão Entre Vidas

Poonam Sharma, B.A. Jim B. Tucker, M.D. University of Virginia

Resumo: Pelos últimos 40 anos, pesquisadores tem coletados casos de crianças que alegam se lembrar de vidas prévias. Em uma minoria desses casos, os indivíduos também alegam se lembrar de eventos que ocorreram durante a intermissão entre o final de sua vida prévia e o seu nascimento na vida atual. Os indivíduos destes casos tendem a fazer mais declarações corretas sobre a vida prévia que eles alegam lembrar do que os outros indivíduos dos casos do tipo reencarnação, e tendem a lembrar mais nomes daquela vida. Análises dos relatos de 35 casos de indivíduos burmeses indicam que as memórias de intermissão podem ser divididas em três: um estágio de transição, um estágio estável em um local particular, e um estágio de retorno envolvendo a escolha dos pais ou concepção. Uma comparação destes relatos com os relatos de experiências-de-quase-morte (EQMs) indica que eles mostram características similares aos componentes transcendentais das EQMs ocidentais e tem significantes áreas de sobreposição com as EQMs asiáticas.

Palavras-chave: reencarnação, experiências-de-quase-morte.

Na Divisão dos Estudos de personalidade da Universidade de Virgínia, os pesquisadores tem pelos últimos quarenta anos colecionado casos de crianças que alegam se lembrar de vidas prévias (Stevenson, 2001). Esses casos do tipo reencarnação (CORT) tipicamente envolvem crianças que alegam memórias de uma vida recente numa idade muito precoce, usualmente começando por volta dos 2 e 3 anos e terminando pelos 6 ou 7 anos. As memórias que elas relatam algumas vezes envolvem a vida de um membro da família ou um conhecido. Em outros casos, entretanto, a criança descreveu a vida de um estranho em outro local, e pessoas têm verificado que um indivíduo morreu cuja vida combinava com a descrição dada pela criança. Referimo-nos a este indivíduo como a personalidade prévia.

Esses casos normalmente envolvem outras características além das declarações das crianças sobre uma vida prévia. Algumas crianças nascem com marcas de nascimento ou defeitos de nascimento que correspondem a ferimentos, normalmente fatais, sofridos pela personalidade prévia, e muitas das crianças mostram comportamentos que parecem relacionados com a vida prévia, tais como fobias relacionadas com o modo de morte ou recorrentes brincadeiras imitando a ocupação da personalidade prévia.

Numa minoria destes casos, as crianças têm relatado memórias de eventos que ocorreram entre a morte do indivíduo prévio e o seu próprio nascimento. Esses casos do tipo reencarnação com memórias de intermissão, aos quais nos referimentos como CORTs-I, são o foco deste artigo.

Poonam Sharma, B.A., é um médico estudante, e Jim. B. Tucker, é Professor Assistente de Medicina Psiquiátrica, na Escola de Medicina da Universidade de Virgínia. Este estudo foi apoiado em parte por uma concessão da Sociedade para Pesquisa Psíquica. As petições de reimpressão devem ser endereçadas ao Dr. Tucker na Divisão de Personalidade Estudos, Sistema de Saúde da Universidade de Virginia . P.O. Box 800152, Charlottesville, VA 22908-0152; e-mail: jbt8n@virginia.edu.

Análise Estatística de CORT-I


Mais de 2500 CORTs ao redor do mundo estão agora registrados em nossos arquivos, e 1200 deles foram inseridos em uma base de dados computadorizada usando SPSS para Windows, Versão 12.0. Em 276 destes, o indivíduo alegou lembrar-se de não apenas uma vida passada, mas também de um período entre as vidas, uma memória de intervalo. Estas memórias de intervalo são codificadas em quatro categorias: alegadas memórias do enterro da personalidade prévia, memórias de outros acontecimentos terrestres, memórias de uma existência em outro mundo, e memórias da concepção ou de estar renascendo.

Análises foram feitas na coleção inteira de CORTs que foram inseridos na base de dados computadorizada com a exclusão de casos de Burma (também conhecido como Myanmar). A codificação dos CORTs burmeses na base de dados é incompleta, com alguns casos sendo escolhidos por causa da presença de memórias de intervalo, então eles não são uma amostra representativa útil para análises estatísticas. Os países em que a codificação foi completada inclui países Orientais tais como Índia, Sri Lanka, Turquia, e Líbano, junto com os Estados Unidos e Canadá, e o uso de casos de todos países com exceção de Burma resultou em 1107 casos, com 217 deles tendo memórias de intervalo. Para a análise, o número de casos variou para cada item baseado no número de casos com os dados relevantes registrados. Usamos testes de qui-quadrado e testes t- independentes para analisar estes dados, com um nível de significância de p =. 05.

Tabela 1
Memória dos Indivíduos e Força dos Casos em CORT-I Versus CORT

CORT-I
CORT
t
df
p
Número de afirmações verificadas
9.07
4.92
-5.04
776
<.001
Nomes da vida prévia
3.48
2.89
-2.34
670
.020
Número de vidas lembradas
1.37
1.02
-3.15
141
.002
Contagem da SOCS
15.7
9.7
-8.23
1054
<.001

A tabela 1 compara indivíduos CORT-I com outros indivíduos de CORT em itens relacionado a memórias de vidas passadas. Indivíduos de CORT-I significativamente fizeram mais declarações sobre a vida prévia que foram verificadas serem exatas que suas contrapartes de CORT. Lembraram-se de mais nomes da vida prévia, além do nome da personalidade prévia. Eles também tenderam a lembrar um número maior de vidas passadas. Baseado em testes de qui-quadrado de Pearson, indivíduos de CORT-I eram significativamente mais prováveis de declarar o nome ou apelido da personalidade prévia (v2 = 9,549, df = 1, p =. 049) e de alegar lembrar-se do modo de morte (v2 = 5,388, df = 1, p =. 020). Enquanto nossa base de dados não indica especificamente se os nomes que os indivíduos deram eram exatos, as declarações pelos indivíduos de CORT-I sobre o modo de morte eram muito mais possíveis de serem independentemente verificadas que as dos outros indivíduos (x = 23,229, df = 1, p,. 001), e nesses casos, 84 por cento de seus relatórios da morte eram ou mais exatos na maioria dos detalhes (74 por cento) ou totalmente exatos (10 por cento).

O CORT-I era também mais forte que o outro CORT baseado numa Força-de-Escala de Caso (SOCS) que designa pontos de acordo com quatro categorias de fatores: (1) marcas de nascimentos ou defeitos de nascimento no indivíduo que correspondem a ferimentos na personalidade prévia, (2) declarações verificadas pelo indivíduo sobre a vida prévia, (3) comportamentos incomuns relacionados à vida prévia, e (4) distância entre a personalidade prévia e a família do indivíduo (Tucker, 2000). A contagem média de SOCS foi de 15,7 para CORT-I e 9,7 para CORT.

Tabela 2

Características dos Indivíduos CORT-I versus CORT


CORT-I
CORT
t
df
p
Idade que o indivíduo falou pela primeira vez (em meses)
22.69
22.54
-0.16
693
.872
Idade que o indivíduo falou sobre uma vida prévia pela primeira vez (em meses)
34.07
35.84
0.60
917
.549
Número de marcas de nascimento
0.84
0.93
0.42
1022
.681
Número de defeitos de nascimento
0.60
0.23
-1.16
958
.247
Distância entre a personalidade prévia e o indivíduo (em quilômetros)
201
255
0.41
460
.68

Outras características dos casos não conseguiram diferenciar os indivíduos do CORT-I dos de CORT. Não havia nenhuma diferença no sexo dos indivíduos: 58 por cento dos indivíduos do CORT-I eram masculinos, assim como 63 por cento dos indivíduos de CORT (% = 1,959, df = 1, p =. 162). Como se mostra na Tabela 2, não havia também nenhuma diferença significativa na idade quando as crianças falaram pela primeira vez, a idade quando elas primeiramente falaram sobre uma vida passada, o número de marcas de nascimento, o número de defeitos de nascimento, e a distância entre a personalidade prévia e o indivíduo. As distâncias principais mostradas na Tabela 2 (201 quilômetros para casos com memórias de intervalo e 255 quilômetros para outros casos) são distorcidas por um número pequeno de casos de distância extremamente longa. As distâncias medianas eram de 20 quilômetros para casos com memórias de intervalo e 14 quilômetros para outros casos.

Tabela 3

Comportamentos dos Indivíduos CORT-I Versus CORT

N
v2
df
p
Maturidade incomum
661
1.633
3
.652
Atitude adulta
658
1.626
3
.804
Desejos por alimentos incomuns relacionados à vida prévia
615
6.024
3
.110
Desejo incomum por álcool ou tabaco
310
7.414
3
.060
Filias incomuns relacionadas à vida prévia
495
3.784
3
.286
Fobias incomuns relacionadas à vida prévia
808
3.408
3
.333
Memórias da vida prévia expressas na infância
539
4.359
1
.037
Exposição de emoção durante a recordação da vida prévia
659
0.191
3
.979
Mudança de personalidade durante a recordação da vida prévia
577
0.793
3
.851

Semelhantemente, como se mostra na Tabela 3, testes de qui-quadrado não indicaram nenhuma diferença significativa nos comportamentos dos indivíduos de CORT-I e os outros indivíduos de CORT. A exceção foi que indivíduos que informaram memórias de intervalo eram menos prováveis de expressar memórias da vida prévia em suas brincadeiras, mas essa diferença perdeu importância estatística quando a correção de Bonferroni foi usada para corrigir múltiplos testes estatísticos simultâneos nos dados relacionados.

Ultimamente, analisamos características da personalidade prévia com teste qui-quadrados, como se mostra na Tabela 4. Estas características incluem tanto do indivíduo enquanto vivo e sua morte, e nenhuma delas teve um efeito significativo em se o indivíduo no caso posteriormente informou memórias de intervalo. A base de dados tem informação sobre alguns destes itens para só um número pequenos de casos, reduzindo o poder das provas para detectar uma mudança significativa, mas nenhuma das provas para esses itens chegou perto de obter significância.

Para resumir, estes resultados indicam que só uma memória incomumente forte, e não nenhuma outra característica do indivíduo ou personalidade prévia, distingue os indivíduos de CORT-I de outros indivíduos de CORT. Os indivíduos de CORT-I não só alegam ter memórias da intermissão entre as mortes da personalidade prévia e os seus próprios nascimentos, mas eles também demonstram mais capacidade de lembrar uma variedade de memórias da vida passada. Os indivíduos de CORT-I são mais prováveis de declarar um nome para a personalidade prévia, nomes de outros indivíduos da vida prévia, e o modo de morte da personalidade prévia, e fazem significativamente mais declarações sobre a vida prévia que foram verificadas ser exatas. Junto com as diferenças altamente significativas nas contagens de SOCS, isto indica que estes casos garantem consideração séria.

Análise das Experiências de Intermissão


Enquanto as alegadas memórias de uma experiência de intermissão são raras em alguns lugares, elas parecem ser relativamente comuns em Burma. Embora a incidência para todos os casos burmeses colecionados em nossos arquivos seja desconhecida, Ian Stevenson (1983) determinou que 52 de 230 casos burmeses (23 por cento) incluíram tais relatórios. Em contraste, só 8 por cento dos casos Turcos incluem relatórios de intervalo, e só 2 por cento dos casos libaneses os têm. Estes casos foram geralmente investigados há mais de 20 anos, e repetir os estudos seria necessário para determinar se relatórios semelhantes poderiam ser facilmente achados hoje.

Tabela 4

Características da Personalidade Prévia em CORT-I Versus CORT


N
v2
df
p
Modo de morte
908
15.189
9
.086
Morte inesperada
587
4.074
4
.396
A personalidade prévia meditava?
33
2.159
4
.707
A personalidade prévia era ligada à riqueza?
74
0.824
3
.844
A personalidade prévia era um criminoso?
106
3.264
4
.659
A personalidade prévia era filantrópica/generosa?
88
3.217
4
.522
A personalidade prévia era religiosamente atenta?
145
4.418
4
.352
A personalidade prévia era religiosa, pura [saintly]?
68
3.241
4
.518
A personalidade prévia tinha negócios inacabados?
107
6.917
5
.227

Estamos atualmente no processo de codificar CORT burmeses para serem inseridos em nossa base de dados, e dado os relatórios relativamente comuns de intervalo neles, nós decidimos analisar esses relatórios profundamente enquanto os casos estavam sendo codificados. A análise de 35 CORT-I burmeses levou a um novo esquema para categorizar as experiências de intermissão que os indivíduos descrevem.

Primeiro, alguma informação sobre a cultura burmesa permitirá alguma perspectiva sobre estes casos. A religião predominante é uma combinação de budismo há muito tempo importado e animismo nativo. O Budismo é o aspecto mais formal, e coexiste com uma crença em espíritos da natureza (nats) que acredita-se causar problema a menos que regularmente sejam aplacado com presentes e exposições de respeito. Enquanto o Budismo prediz mudanças na fortuna com o passar das existências de acordo com o karma acumulado, a existência de nats é invocada para explicar os azares mais cotidianos, e a crença neles é comum (Nash, Obeyesekere, Ames, Ingersoll, Pfanner, Nash, Moerman, Ebihara, e Yalman, 1966; Spiro, 1978). O fundo religioso de Burma pode contribuir para o aumento dos relatos de memórias de intermissão ou a especificidades desses relatos.

 

Desenvolvimento de um Esquema Temporal de Composição


A categorização das memórias de intermissão de CORT-I de é cheia de armadilhas. Os registros de experiências de intermissão variam, e não existem dois registros idênticos. Há, no entanto, temas, acontecimentos, e cronologias recorrentes. Mantendo estes pontos em mente, nós desenvolvemos um esquema temporal de três estágios para descrever a experiência de intermissão e fornecer um ponto de partida para maior análise. Descreve a progressão cronológica típica de CORT-I em Burma e destaca os acontecimentos característicos e temas de cada etapa. Nem todos os três estágios foram experimentados por todos os indivíduos, e alguns indivíduos descreveram características típicas de um estágio particular ou mais cedo ou mais tarde do que seria esperado pela progressão descrita abaixo. Não obstante, o formato descrito serviu para a maioria dos casos e serve como um plano preliminar de categorização conveniente como um trampolim para maior análise.

Estágio 1. O primeiro estágio podia ser chamado de “estágio transitório”. Nove de 35 indivíduos de intermissão burmeses lembraram características típicas deste período. Enquanto notas de entrevista raramente documentassem quaisquer referências pelos indivíduos a seus estados emotivos durante o período de intervalo, os acontecimentos lembrados durante a etapa transitória freqüentemente pareceriam inconfortáveis ou desagradáveis ao leitor Ocidental. Os acontecimentos e caráteres descritos são associados com a vida prévia. Os indivíduos podem ver a preparação do corpo da personalidade prévia ou o enterro ou a tentativa de contatar os apreensivos parentes, somente para descobrir que são incapazes de se comunicar com os vivos. Um indivíduo disse que ele não compreendeu que estava morto. Vários informaram que foram afastados pelo choro de seus parentes, uma experiência que um indivíduo disse tê-lo feito ficar “quente.” Este estágio freqüentemente acaba quando o indivíduo é levado por um ancião ou um homem velho vestido de branco a um lugar onde ele ou ela então permanece para a parte principal da experiência de intermissão.

Estágio 2. O segundo estágio é caracterizado por sua marcada estabilidade comparado às outras duas etapas. Os indivíduos informam estarem vivendo num local particular ou ter um horário ou deveres aos quais eles devem assistir. Dos 35 casos até então analisados, 19 tiveram relatórios típicos da segunda etapa.

Nove relataram estarem vivendo numa árvore, quatro num pagode, e dois permaneceram perto do local da morte. Relatórios de ver ou interagir com outras personalidades desencarnadas são comuns (sete indivíduos). Os indivíduos informam graus variáveis de conforto durante este período. Um indivíduo informou ter sofrido abuso por outros espíritos que jogaram objetos nele, e teve que andar longas distâncias. Outra mulher informou que não era capaz de deixar o local onde ela tinha enterrado suas jóias em vida, mas disse que ela era muito mais bela como uma desencarnada e tinha bonitos vestidos de ouro. Outra mulher, no entanto, que é muito pobre em sua vida atual, informou que todas as suas necessidades foram satisfeitas enquanto desencarnada e que sua experiência era '“bastante agradável”.

Estágio 3. O estágio final é um de escolher de pais para a próxima vida ou da concepção. Dezoito de 35 indivíduos informaram características deste estágio. Sete informaram seguir os futuros pais até o lar, aparentemente por iniciativa própria, acompanhando de perto os pais enquanto executavam tarefas cotidianas, tais como tomando banho ou retornando ao lar do trabalho. Mais cinco informaram sendo levados aos pais atuais, freqüentemente por anciões ou a figura do homem velho referido no estágio 1. Nove comentaram em como conseguiram entrar no corpo da mãe. Isto ocorreu mais freqüentemente por se transformar num grão de arroz ou manchinha de pó na água e sendo engolido pela mãe. Alguns foram a extensões consideráveis, tendo que tentar repetidamente quando ou eram rejeitados por espíritos guardiões ou a água era descartada como suja.

Uma comparação preliminar sugere que este esquema é aplicável não apenas a CORT-I burmeses mas a CORT-I internacionais. Stevenson (1983) informou o caso de Bongkuch Promsin da Tailândia, que alegou que, depois da morte da sua personalidade prévia, ele viveu numa árvore por sete anos (estágio 2) e então seguiu seu pai até seu lar atual num ônibus (estágio 3). O monge tailandês Chaokhun Rajsuthajarn informou assistir o enterro da personalidade prévia (estágio 1) e tentar interagir com os convidados, só então compreendendo que estava invisível a eles (Stevenson, 1983). Purnima Ekanayake do Sri Lanka informou ver as pessoas chorando em seu enterro (estágio 1) e ir à luz para chegar a sua nova família (estágio 3) (Haraldsson, 2000). Sam Taylor (um caso Americano inédito de nossos arquivos) informou que Deus deu-lhe um cartão com flechas verdes para voltar do céu (estágio 3). Enquanto o imaginário específico pode ser específico da cultura, o estudo preliminar sugere que as fases parecem ser universalmente aplicáveis. Necessariamente restam ser feitos mais estudos nos detalhes de CORT-I internacionais para refinar estas declarações [The further study into the details of international CORT-I required to refine this assertion remains to be done].

Comparação de CORT-I com as Experiências-de-Quase-Morte

O que elementos temáticos recorrentes de CORT-I, particularmente as visões de outros seres e sugestões de estar em outro mundo, traz à mente os relatos de experiências de quase-morte (NDEs). Esta sobreposição temática merece exploração. Uma comparação inicial foi empreendida por aplicação de duas escalas de EQM, o Weighted Core Experience Index [Índice Ponderado da Experiência Central] (WCEI) (Ring, 1980) e a Near-Death Experience Scale [Escala de Experiência de Quase-Morte] (Greyson, 1983), ao esquema temporal composto esboçado acima. Algumas diferenças nos registros devem ser esperadas, já que aqueles que passam por uma EQM obviamente retornam à vida ou continuam vivos, enquanto as pessoas que informam memórias de intermissão alegam se lembrar de um período depois do qual eles permanentemente tinham perdido a vida. Além do mais, o WCEI e a Escala de EQM foram desenvolvidos usando relatos de ambiente cultural muito diferente dos de CORT-I. Sendo este o caso, nós exploramos as diferenças entre EQMs (como esboçado nas duas escalas) e CORT-I usando uma revisão internacional de EQMs e estudos de EQMs em vizinhos de Burma, Índia e Tailândia.

Comparação da Composição de CORT-I com o WCEI


O WCEI consiste em 10 itens que são ponderados diferencialmente para produzir uma medida da profundidade de uma EQM, como esboçado na Tabela 5. Começa com “um sentido subjetivo de estar morto” experimentado por todos os 35 dos CORT-I burmeses usados para análise (1 ponto). O segundo item, “sentimento de paz, ausência de dor, etc.,” foi descrito por apenas dois indivíduos (um disse, “estava bastante feliz” e o outro declarou algo mais ambíguo, “Parecia ser uma vida muito agradável”). Aliás, o mais comum era declarações de incômodo, especialmente ao redor de parentes amargurados (“os parentes começaram a chorar... Eu não podia suportar isto”; “Sentíamo-nos muito quentes se quaisquer de nossos parentes chorasse por nós... Teríamos que fugir”; “Chorar afugenta os desencarnados”).

Tabela V

O WCEI e as Experiências CORT-I

Item WCEI

Peso

Freqüentemente Relatado pelos Indivíduos de CORT-I
Sentimento subjetivo de estar morrendo
1
Sim
Sentimento de paz, ausência de dor
2
Não
Sentimento de separação do corpo
2
Não (?)
Sentimento de entrar numa região escura
2
Não
Encontrar uma presença/ouvir uma voz
3
Sim
Avaliar uma vida
3
Não
Ver, ou ser envolvido por uma luz
2
Não
Ver cores bonitas
1
Não
Entrar numa luz
4
Não
Encontro com espíritos visíveis
3
Sim

Nenhum dos CORT-I burmeses analisados informou claramente o próximo item, “sentido de separação do corpo.” Alguns informaram observar seu enterro (aparentemente não da perspectiva do corpo), sendo capaz de mudar forma, ou não tendo que comer — características insinuantes de uma falta de sensação corpórea ou limitações. No entanto, muitos (10 indivíduos) descreveram as roupas que eles usavam, normalmente as roupa do morto. A menção de roupas, particularmente as roupa do morto, faz esta uma área ambígua de sobreposição. Baseado nas descrições de suas ações, no entanto, os indivíduos pareceram lembrar-se de estarem separados de seus corpos físicos ainda que eles imediatamente não o tenham reconhecido ou explicitamente declarado-o.


O próximo item, “sentido de entrar numa região escura,” não foi informado. Muitos (nove indivíduos) informaram o próximo item, no entanto, “encontrando-se um uma presença/ouvindo uma voz” (3 pontos). Esta presença foi referida como um homem velho de branco, e mais velho, a Autoridade, Hades, ou o Guardião. A presença normalmente oferecia condução por um período de transição. Apenas um caso informou “estar fazendo uma avaliação da vida” (repreendido por “Hades” por não executar uma cerimônia religiosa particular) e ninguém informou “ver, ou estar envolto em luz”, “ver cores belas”, ou “entrar na luz”. A última característica, “encontro com espíritos visíveis (3 pontos), foi referida freqüentemente (14 casos). O fato que estes espíritos assim como o indivíduo foram referidos como “desencarnados” dá mais base a um “sentido de separação do corpo” mencionado mais cedo.

Tabela VI

A Escala EQM e as Experiências de CORT-I

Item da Escala de EQM

Freqüentemente Relatado pelos Indivíduos de CORT-I
Componente Cognitivo:

   Distorção do tempo
Não
   Aceleração de pensamentos
Não
   Revisão de vida
Não (?)
   Entendimento repentino
Não


Componente emotivo:

   Paz, amabilidade
Raro
   Alegria
Não
   Unidade cósmica
Não
   Ver ou se sentir cercado de luz
Não


Componente paranormal:

   Sentidos mais nítidos que o normal
Não
   Percepção extra-sensorial
Não
   Visões precognitivas
Não
   Experiência fora do corpo
Não (?)


Componente transcendental:

   Entrar num mundo ou dimensão não terreno
Sim
   Encontro com um ser ou presença mística
Sim
   Ver espíritos mortos ou religiosos
Sim
   Fronteira ou ponto de nenhum retorno
Não


Muitos relatos de CORT-I incluem as três características de um sentido subjetivo de estar morto, encontrando uma presença, e encontrando espíritos visíveis, o que marcaria uns 7 pontos no WCEI, caindo na categoria de Ring de uma “experiência moderada.” A inclusão de “um sentido de separação do corpo” empurraria a experiência temporal composta [composite temporal experience] na categoria “experiência profunda”. Claramente, isto é suficiente para indicar uma semelhança entre os relatórios das duas experiências.

 

Comparação da Composição de CORTs-I com a Escala de EQMs


Enquanto a comparação ao WCEI estabelece áreas de sobreposição entre CORT-I e EQMs como um todo, a comparação de CORT-I com a Escala de EQM destaca os contrastes entre as duas experiências (Tabela 6).

O questionário é dividido em quatro categorias com quatro perguntas cada uma. As categorias destacam o aspecto afetivo, cognitivo, paranormais e transcendentais da EQM. Esta categorização de características de EQM permite um quadro mais claro de como EQMs e memórias de intermissão em CORT-I diferem.

Nenhum dos indivíduos de CORT-I alegaram uma mudança cognitiva clara enquanto desencarnados. Bem longe de falar sobre um aumento na velocidade do tempo (questão 1), os indivíduos que se referiram ao tempo relatam períodos definidos de tempo sem nenhuma referência a uma mudança na taxa temporal, tal como, “Eu fui um desencarnado por 7 dias.” Nenhum dos indivíduos informou uma mudança na velocidade dos pensamentos (questão 2). Dois indivíduos fizeram declarações que, se esticadas, podem indicar cenas passadas voltando a eles (questão 3). Uma disse que Hades repreendeu-a por não executar uma cerimônia religiosa. Outro disse que espíritos lhes mostraram os lugares onde eles tinham vivido e perguntaram se ansiavam por esses lugares terrenos. Nenhum dos 35 casos alegou experimentar um entendimento universal (questão 4).

A comparação de CORT-I com o componente de afeto do questionário revela mesmo mais diferenças. Somente 2 dos 35 casos, como discutido antes, sugeriu um sentimento de paz ou amabilidade (questão 5), enquanto várias experiências desagradáveis foram informadas. Nenhum sugeriu um sentimento de alegria (questão 6) ou um sentimento de harmonia ou unidade com o universo (questão 7), ou viu ou sentiu-se cercado por uma luz brilhante (questão 8).

Semelhantemente, a comparação com as quatro questões paranormais revelam poucas semelhanças. Nenhum indivíduo de CORT-I informou um aumentar de sentidos (questão 9), embora um tenha informado uma capacidade de ver auras durante seu período como um desencarnado. Nenhum informou um sentido de consciência de coisas acontecendo em outra parte (questão 10). Nenhum informou cenas do futuro (questão 11). E nenhum informou claramente se sentir separado do seu corpo (questão 12).

O aspecto transcendental do questionário exibe resultados dramaticamente diferentes. Os relatórios de outro mundo eram comuns (questão 13). Como discutido anteriormente, muitos encontraram um ser ou presença mística, tal como um homem velho de branco, Hades, ou o Guardião (questão 14). Muitos (14 indivíduos) também se referiram a espíritos mortos que eles viam durante seu período como um desencarnado (questão 15). Nenhum informou ir a uma fronteira ou a ponto de nenhum retorno, talvez não surpreendente já que eles alegavam ter morrido e não ter voltado à vida.

Para resumir, tanto EQMs como definidas pelo WCEI e CORT-I incluem um sentido de estar morto, encontrando uma presença (freqüentemente referida como um homem velho de branco em CORT-I) e encontrando espíritos visíveis (outro desencarnados ou parentes mortos). A comparação com a Escala de EQM destaca a falta relativa de relatórios de aspectos cognitivos, afetivos, ou paranormais à experiência de morte descrita pelos indivíduos de CORT-I, e a sobreposição relativamente grande nos aspectos transcendentais das duas experiências.

 

Comparação da Composição de CORT-I com EQMs Internacionais

 

Tanto o WCEI como a NDE Scale foram desenvolvidas de registros americanos de EQMs. As poucas comparações das EQMs das culturas hindu e budista sugerem que há variações transculturais definidas (Murphy, 2001; Pasricha e Stevenson, 1986; Pasricha, 1995). Assim, as discrepâncias entre EQMs e CORT-I descritas até agora podem ser devido à aplicação de padrões ocidentais a uma amostra burmesa. Idealmente, o CORT-I estudado em Burma seria comparado com relatos de EQM de indivíduos burmeses, mas já que nenhum estudo de EQMs burmesas foi ainda empreendido, usaremos os poucos trabalhos em EQMs internacionais como um substituto aproveitável para revisar as diferenças restantes entre os relatos de EQM e as experiências lembradas pelos indivíduos de CORT-I.


Allan Kellehear (1993) revisou relatórios publicados de EQMs da China, Índia, Nova Grã-Bretanha Ocidental, Guam, América do Norte Nativa, Austrália dos Aborígines, e Nova Zelândia dos Maori, com o número de casos em alguns lugares sendo muito pequeno. Depois de revisar vários elementos de EQMs comuns entre casos ocidentais (experiência de túnel, experiência fora-do-corpo [EFC], revisão de vida, encontros com outros seres, e outro mundo) descobriu que as principais características entre as culturas eram encontros com outros seres e outros mundos, duas características comuns de CORT-I. A experiência de túnel, ausente de CORT-I, não foi informada em quaisquer das EQMs não-ocidentais que Kellehear revisou, embora experiências de escuridão estivessem freqüentemente presentes. Outras características de EQMs presentes em várias mas não em todas as culturas também estavam presentes em CORT-I. Experiências-fora-do-corpo, que eram ao menos sugeridas em CORT-I, foram informadas na Índia, Guam, América do Norte Nativa, e Nova Zelândia dos Maori, mas não na China ou Austrália dos Aborígines e provavelmente não na Nova Grã-Bretanha Ocidental. A revisão de vida presente em um CORT-I foi informada na China, Índia, e Nova Grã-Bretanha provavelmente Ocidental, mas não em Guam, América do Norte Nativa, Austrália dos Aborígines, ou Nova Zelândia dos Maori. As únicas características que Kellehear achou em EQMs de todas culturas — ver outros seres e outros mundos — são imediatamente aparentes em CORT-I também, e CORT-I podem se assemelhar a EQMs ocidentais tanto quanto fazem as EQMs de algumas outras culturas.

 

EQMs Indianos e CORT-I


Semelhante a resultados do Kellehear, Satwant Pasricha (1995) achou tanto semelhanças quanto diferenças entre os relatos transculturais de EQMs. Tanto Indivíduos indianos e americanos informaram encontrar parentes e conhecidos mortos, ver seres de luz ou figuras religiosas, sendo revividos pelos pensamentos dos entes queridos vivos, sendo enviados de volta do outro mundo por um ente querido falecido, e ver o próprio corpo físico enquanto ostensivamente morto. As últimas duas características não foram achadas entre os casos indianos do Norte e por isso podem não ser características universais. Ser enviado de volta pelos pensamentos ou ações dos entes queridos não é um critério aplicável ao estudo de CORT-I, já que o indivíduo do CORT-I alega não ter sido enviado de volta. As restantes duas características, encontrar parentes mortos e ver seres de luz ou figuras religiosas, parecem corresponder aos registros de CORT-I.

Pasricha também informou seis características de EQMs indianas que não são vistas em EQMs americanas. Quatro envolvem retornar à vida e portanto não são relevantes a CORT-I, mas as outras duas são que o indivíduo “foi levado a outros mundos por mensageiros ou por alguém” e então “foi passado a um homem com um livro” contendo uma lista de realizações ou erros (Pasricha, 1995, p. 86). Enquanto os indivíduos de CORT-I burmeses não informaram o último, seus relatos de ser levado a um novo lugar por um ancião ou um homem velho vestido de branco no fim da fase de transição soa muito semelhante ao anterior.

 

EQMs Tailandeses e CORT-I


Tanto a Índia quanto a Tailândia fazem fronteira com Burma, mas a Tailândia parece ter um clima religioso mais semelhante. Apesar do sobrenaturalismo de Burmese não ter penetrado na Tailândia, o Budismo Theravada é a religião da esmagadora maioria em ambos os países.

Todd Murphy (2001) reuniu uma coleção de dez casos de EQM da literatura popular tailandesa. O imaginário reportado pareceu ser muito afetado pela cultura, embora Murphy tenha argumentado que deveria ser considerado de fato uma reflexão das expectativas dos indivíduos do que a morte seria ao invés de uma reflexão de sua cultura em si. Os temas que ele informou eram Yamatoots (serventes do Deus da morte, Yama), a importância de mérito acumulado durante a vida, e a presença de casos de identidade equivocada.

A aparição dos Yamatoots pareceu agir em acordo com as EFCs para comunicar aos indivíduos que eles estavam mortos e separados dos seus corpos. Murphy registrou que enquanto EFCs poderiam ser achadas nas EQMs de todas as culturas, alguns podem não reconhecê-las como precursoras da morte, e assim, arautos antropomórficos da morte tais como Yamatoots talvez sejam necessários para reforçar a consciência da morte. Nenhuma correspondência ao Yamatoots é vista nos CORT-I burmeses, mas são vistos freqüentemente em EQMs indianas (Pasricha e Stevenson, 1986). Os relatórios burmeses são mais sugestivos de experiências fora do corpo como aqueles de uma EQM ocidental típica, ainda que os indivíduos não estejam cientes da separação dos seus corpos. Ao invés de ser explicitamente dito que eles estão mortos, os indivíduos burmeses pareceram compreender isto por conta própria, embora alguns indivíduos tenham informado que eles levaram até 7 dias para compreender isto.

A segunda característica tailandesa, a avaliação postmortem de karma por Yama, parece ser semelhante a uma revisão de vida das EQMs ocidentais, com algumas diferenças significativas. A versão tailandesa envolve qualquer sofrimento físico explícito como castigo para a acumulação de karma mau (por exemplo, sendo forçado a partir sedento se o indivíduo nunca ofereceu bebida a monges) ou subentendido sofrimento nas vidas futuras (por exemplo, renascimento como um pássaro). Também, Murphy informou que alguns casos pareceram avaliar o equilíbrio de realizações boas e más durante a vida ao invés da avaliação da vida momento-a-momento informada nas EQMs ocidentais. Esta revisão de tipo de vida carrega mais similaridade ao registro de Pasricha das EQMs indianas, onde mensageiros levam o indivíduo a um homem com um livro, ao invés da revisão panorâmica ocidental da vida. É difícil de determinar de um caso informado de uma revisão de vida nos CORT-I burmeses estudados qual modelo seria uma descrição mais apropriada para CORT-I de forma geral. Nesse caso, no entanto, o indivíduo relatou sendo repreendido por Hades por não executar uma cerimônia religiosa particular. A referência a uma falta específica e a menção explícita de uma repreensão direta sugere que nesse caso, a revisão de vida era mais semelhante a EQMs asiáticas neste particular.

A terceira característica que Murphy informou, casos de identidade equivocada, também são achados em casos indianos mas não em EQMs ocidentais. Nenhum relatório de identidade equivocada foi achado em CORT-I burmeses, talvez não surpreendente, já que os indivíduos todo morreram ao invés de receber um “envie de volta” em favor da pessoa correta. As características universais salientadas por Kellehear e Pasricha e presentes em CORT-I estão também presente nas EQMs tailandesas. Por exemplo, amigos e parentes mortos foram vistos em quatro dos 10 casos de Murphy.

Um das diferenças mais chamativas entre EQMs Ocidentais e CORT-I de burmeses até então descrita é a significativa falta de sentimento positivo tão freqüentemente descrito nas experiências ocidentais de quase-morte. Este sentimento positivo também parece estar ausente nas EQMs tailandesas. Murphy informou que enquanto alguns indivíduos alegam ver o céu e sentirem “amabilidade, conforto, um sentido de beleza, e felicidade,” nenhum informou a experiência “inefável” tão freqüentemente transmitida por aqueles que passam por uma EQM no Ocidente. E igualmente comum, Murphy informou, eram relatórios de sentimento negativo. Cinco dos seus indivíduos informaram ver as torturas do inferno, e os relatórios de ver céu ou inferno são semelhantes, no tema se não nos detalhes, aos relatos de outros mundos descritos pelos indivíduos de CORT-I.

Conclusão

 

Os casos do tipo de reencarnação com memórias de intermissão são um fenômeno notável, mas já que as memórias não são normalmente verificáveis, eles não tiveram um foco significativo de pesquisas até este momento. A análise atual, no entanto, sugere que eles devem ser considerados cuidadosamente. Já que as crianças que informam tais memórias tendem a fazer declarações mais verificadas sobre a vida prévia que elas alegam lembrar de que fazem outros indivíduos, e tendem a lembrar mais nomes dessa vida, seus relatórios de acontecimentos do período de intermissão parecem ser parte de um padrão de uma memória mais forte para itens precedendo sua vida corrente.

Um exame do conteúdo das memórias de intermissão indica significativa sobreposição com relatórios de EQMs. Para as EQMs ocidentais, isto é particularmente verdadeiro para os aspectos transcendentais desses relatórios. Para relatórios de EQMs de outras partes do mundo, as características universais de EQMs são vistas nas descrições de intermissão, e os relatórios de intermissão burmeses são semelhantes, embora não idênticos, aos relatórios de EQM dos vizinhos Índia e Tailândia. Enquanto as diferenças nos relatórios não devam ser encobertas, as semelhanças indicam que os relatórios de intermissão por crianças alegando lembrar-se de vidas prévias pode necessitar ser considerados como parte do mesmo fenômeno global - relatórios da vida futura - que inclui EQMs.

Se os relatórios de intermissão são parte de um fenômeno global, então o que eles revelam sobre esse fenômeno? Como com EQMs, os relatórios mostram diferenças individuais e contém características que parecem ser ao menos culturalmente ligadas, se não culturalmente dirigidas. Temas mais universais, no entanto, parecem sustentar essas características. Incluem um reconhecimento de estar morrendo, seja através de uma EFC ou por uma visita de um arauto da morte. Freqüentemente há então uma experiência com espíritos ou uma visita, ou uma visão, de outro mundo. Isto freqüentemente é seguido por memórias de retornar à vida, seja num novo corpo nos casos de intermissão ou por chegar a um ponto de nenhum retorno e voltar no caso de EQMs.

Enquanto os dois últimos temas poderiam ser pensados como tentativas de negar a realidade de morte, o primeiro dificilmente o poderia ser. Aliás, o argumento que aqueles que passam por uma EQM criam suas fantasias de uma vida futura como uma defesa contra a confrontação com a morte é enfraquecida pelos semelhantes relatórios de intermissão. Os indivíduos nestes casos são crianças jovens que não estiveram perto da morte e, aliás, não seriam imaginadas capazes de compreender o conceito de morte; mas seus relatórios apóiam muitas semelhanças a relatórios de EQM, assim colocando um problema para explicações psicológicas oferecidas para EQMs. Do mesmo modo, as explicações neurofisiológicas que foram oferecidas não podem explicar os relatórios semelhantes de crianças jovens saudáveis.

Mais trabalho necessita ser feito com os casos de memória de intermissão; em particular, relatórios de várias culturas necessitam ser analisados de perto. Maior exploração destes casos também pode fornecer introspecções adicionais em fenômenos tais como EQMs.

Referências


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