domingo, 8 de março de 2020

REENCARNAÇÃO - A LIÇÃO A NICODEMOS.

Seria desejável, aos olhos do imediatista, que as coisas acontecessem prontamente, mas não é possível que assim aconteça.



Jesus, o guia da humanidade já estava convencido que o progresso moral deve ser lento e abranger a toda a criação, incluindo encarnados e desencarnados, de modo que sejam perenes e sólidas as bases, porque o edifício a ser construído é imenso.



Sendo assim, neste capítulo do livro A BOA NOVA, o qual recomendo seja adquirido e lido com muita atenção e por várias vezes, temos além da REENCARNAÇÃO, ou seja, da pluralidade das existências, onde a INDIVIDUALIDADE assume incontáveis personalidades em um corpo material, podem ser compreendidos  outros ensinamentos - além da humildade -, que o leitor atento poderá perceber. 




"DO CAPÍTULO 1  DE  A GÊNESE: 
Item 50. - A terceira revelação, vinda numa época de emancipação e madureza intelectual, em que a inteligência, já desenvolvida, não se resigna a representar papel passivo; em que o homem nada aceita às cegas, mas quer ver aonde o conduzem, quer saber o porquê e o como de cada coisa - tinha ela que ser ao mesmo tempo o produto de um ensino e o fruto do trabalho, da pesquisa e do livre exame. 




Os Espíritos não ensinam senão justamente o que é mister para guiá-lo no caminho da verdade, mas abstêm-se de revelar o que o homem pode descobrir por si mesmo, deixando-lhe o cuidado de discutir, verificar e submeter tudo ao cadinho da RAZÃO, deixando mesmo, muitas vezes, que adquira experiência à sua custa. Fornecem-lhe o princípio, os materiais; cabe-lhe a ele aproveitá-los e pô-los em obra."






A LIÇÃO DE NICODEMUS

(Autoria Irmão X - Humberto de Campos)




Em face dos novos ensinamentos de Jesus, todos os fariseus do templo se tornavam de inexcedíveis cuidados, pelo seu extremado apego aos textos antigos. 




O Mestre, porém, nunca perdeu ensejo de esclarecer as situações reais difíceis com a luz da verdade que a sua palavra divina trazia ao pensamento do mundo.
Grande número de doutores não conseguia ocultar o seu
descontentamento, porque, não obstante suas atividades
derrotistas, continuavam as ações generosas de Jesus, beneficiando os aflitos e os sofredores. Discutiam-se os novos princípios no grande templo de Jerusalém, nas suas praças públicas e nas sinagogas.
 Os mais humildes e pobres viam no Messias o emissário de Deus, cujas mãos repartiam em abundancia os bens da paz e da consolação. As personalidades importantes temiam-no.
É que o profeta não se deixava seduzir pelas grandes promessas que
lhe faziam com referência ao seu futuro material. Jamais temperava a sua palavra de verdade com as conveniências do comodismo da época.



Apesar de magnânimo para com todas as faltas alheias, combatia o mal com tão intenso ardor, que para logo se fazia objeto de hostilidade para todas as intenções inconfessáveis.
Mormente, em Jerusalém que, com o seu cosmopolitismo, era um expressivo retrato do mundo, as idéias do Senhor acendiam as mais apaixonadas discussões. Eram populares que se entregavam à apologia franca da doutrina de Jesus, servos que o sentiam com todo o calor do coração reconhecido, sacerdotes que o combatiam
abertamente, convencionalistas que não o toleravam, indivíduos abastados que se insurgiam contra os seus ensinos.



Todavia, sem embargo das dissensões naturais que precedem o estabelecimento definitivo das idéias novas, alguns espíritos acompanhavam o Messias, tomados de vivo interesse pelos seus elevados princípios. Entre estes, figurava Nicodemos, fariseu notável pelo coração bem formado e pelos dotes da inteligência. Assim, uma noite, ao cabo de grandes preocupações e longos raciocínios, procurou a Jesus, em particular, seduzido pela
magnanimidade de suas ações e pela grandeza de sua doutrina salvadora.

O Messias estava acompanhado apenas de dois dos seus discípulos e recebeu a visita com a sua bondade costumeira.
Após a saudação habitual e revelando as suas ânsias de conhecimento, depois de fundas meditações, Nicodemos dirigiu-se respeitoso:



1 – Mestre, bem sabemos que vindes de Deus, pois somente com a luz da assistência divina poderíeis realizar o que tendes efetuado, mostrando o sinal do céu em vossas mãos. Tenho empregado minha existência em interpretar a lei, mas desejava receber a vossa palavra sobre os recursos de que deverei lançar mão para conhecer o Reino de Deus!



O Mestre sorriu bondosamente e esclareceu:
2 – Primeiro que tudo, Nicodemos,  não basta que tenhas vivido a interpretar a lei. Antes de raciocinar sobre as suas disposições, deverias ter-lhe sentido os textos. Mas, em verdade devo dizer-te que ninguém conhecerá o reino do céu, sem nascer de novo.



1 – Como pode um homem nascer de novo, sendo velho? – interrogou o fariseu altamente surpreendido –
Poderá, porventura, regressar ao ventre de sua mãe?



2 O Messias fixou nele os olhos calmos, consciente da gravidade do assunto em foco e acrescentou :



3 – Em verdade, reafirma-te ser indispensável que o homem nasça e renasça, para conhecer plenamente a luz do reino!...
4 – Entretanto, como pode isso ser?
– Perguntou Nicodemos, perturbado.
5 – És mestre em Israel e ignoras estas coisas?
3 – inquiriu Jesus, como surpreendido – É natural que cada um
cimente testifique daquilo que saiba; porém precisamos considerar que tu ensinas. Apesar disso, não aceitas os nossos testemunhos. Se falando eu de coisas terrenas sentes dificuldade em compreendê-las com os teus raciocínios sobre a lei, como poderás aceitar as minhas
afirmativas quando eu disser das coisas celestiais? Seria loucura destinar os alimentos apropriados a um velho para o organismo frágil de uma criança.



Extremamente confundido, retirou-se o fariseu, ficando André e Tiago empenhados em obter do Messias o necessário esclarecimento, acerca daquela lição nova.



*** 



Jerusalém quase dormia sob o véu espesso da noite alta. Silêncio profundo se fizera sobre a paisagem.
Jesus no entanto, e aqueles dois discípulos continuavam presos à conversação particular que haviam entabulado. Os dois desejavam ardentemente penetrar o sentido oculto das palavras do Mestre. Como seria possível aquele renascimento?
Não obstante os seus conhecimentos, também partilhavam da perplexidade que levara Nicodemos a se      retirar fundamente surpreendido.



1. – Por que tamanha admiração, em face destas verdades? – perguntou-lhe Jesus, bondosamente 
– As árvores não renascem depois de podadas? Com respeito aos homens, o processo é diferente, mas o espírito de renovação é sempre o mesmo. O corpo é uma veste. O homem é seu dono.
Toda roupagem material acaba rota, porém, o homem, Que é filho de Deus, encontra sempre em seu amor os elementos necessários à mudança do vestuário.
 A morte do corpo é essa mudança indispensável, porque a alma caminhará sempre, através de outras experiências, até que consiga a imprescindível provisão de luz para a estrada definitiva no reino de Deus, com toda a  perfeição conquistada, ao longo dos rudes
caminhos.



2. André sentiu que uma nova compreensão lhe felicitava o
espírito simples e perguntou :
2 – Mestre, já que o corpo é como a roupa material das almas, por que não somos todos iguais no mundo?
Vejo belos jovens, junto de aleijados e paralíticos...
3 – Acaso não tenho ensinado – disse Jesus – que tem de chorar todo aquele que se transforma em instrumento de escândalo? Cada alma conduz consigo mesma o inferno ou o  céu que edificou no âmago da consciência. Seria justo conceder-se uma segunda veste mais perfeita e mais bela ao espírito rebelde que estragou a primeira? Que diríamos da sabedoria de Nosso Pai, se facultasse as possibilidades mais preciosas aos que às utilizaram na véspera para o roubo, o assassínio, a destruição? Os que abusaram da túnica da riqueza vestirão depois as dos fâmulos e escravos mais humildes, como as mãos que feriram podem vir a ser cortadas.
– Senhor, compreendo agora o mecanismo do resgate. – Murmurou
Tiago, externando a alegria do seu entendimento. – Mas, observo que, desse modo, o mundo precisará sempre do clima do escândalo e do sofrimento, desde que o devedor, para saldar seu débito, não poderá fazê-lo sem que outro lhe tome o lugar com a mesma dívida.
O Mestre apreendeu a amplitude da objeção e esclareceu os discípulos, perguntando :



1 – Dentro da lei de Moisés, como se verifica o processo da redenção? 
Tiago meditou um instante e respondeu:
2 – Também na lei está escrito que o homem pagará “olho por olho, dente por dente”.
1 – Também tu, Tiago, estás procedendo como Nicodemos. –
-Replicou Jesus com generoso sorriso.
1. – Como todos os homens, aliás, tens raciocinado, mas não tens sentido. Ainda não ponderaste, talvez, que o primeiro mandamento da lei é uma determinação de amor.
Acima do “não adulterarás”, do “não cobiçarás”, está o “amar a Deus sobre todas as coisas, de todo coração e de todo entendimento”.Como poderá alguém amar ao Pai, aborrecendo-lhe a obra? Contudo, não estranho a exigüidade de visão espiritual com que examinaste o texto dos profetas. Todas as criaturas hão feito o mesmo.Investigando as revelações do céu com o egoísmo que lhes é próprio, organizaram a justiça como o edifício mais alto do idealismo humano. E, entretanto, coloco o amor acima da justiça do mundo e tenho ensinado que só ele cobre a multidão dos pecados. Se nos prendemos à lei de Talião, somos obrigados a reconhecer que onde existe um assassino haverá, mais tarde, um homem que necessita ser assassinado ; com a lei do amor, porém, compreendemos que o verdugo e a vítima são dois irmãos, filhos de um mesmo Pai. Basta que ambos sigam isso para que a fraternidade divina afaste os fantasmas do escândalo e do sofrimento.



 *** 



Ante as elucidações do Mestre, os dois discípulos estavam
maravilhados. Aquela lição profunda esclarecia-os para sempre. Tiago, então, aproximou-se e sugeriu a Jesus que proclamasse aquelas verdades novas na pregação do dia seguinte. O Mestre dirigiu-lhe um olhar de admiração e interrogou :



 – Será que não compreendeste?
Pois, se um doutor da lei saiu daqui sem que eu lhe pudesse explicar toda a verdade, como queres que proceda de modo contrario, para com a compreensão simplista do espírito
popular? Alguém constrói uma casa iniciando pelo teto o trabalho? Além disso, mandarei mais tarde o Consolador, afim de esclarecer e dilatar os meus ensinos.

Eminentemente impressionados, André e Tiago calaram as derradeiras interrogações. Aquela palestra particular, entre o Senhor e os discípulos, permaneceria guardada na sombra leve da noite em Jerusalém ; mas, a lição a Nicodemos estava dada. A lei da reencarnação estava proclamada para sempre, no Evangelho do Reino .

terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Kardec e Ubaldi - Vamos estudar



Transcrito do Site https://www.crbbm.org/arquivo.html 


KARDEC E PIETRO UBALDI

Nossa Doutrina é eminentemente progressiva, conforme preconizado amplamente pelo seu Codificador, Allan Kardec. Temos em nosso DNA uma aversão natural à ortodoxia, ao congelamento do pensamento em função das tradições que desconsideram a lei natural do progresso.
Nossos valores, no entanto, são eternos, posto que fincados na solidez rochosa dos princípios cristãos. Precisam apenas ser lembrados, continuamente, às novas gerações de espíritas, para que sua chama nunca se apague.
Dentre esses valores, dois parecem-nos de extrema atualidade, nesse tempo de "patrulhas ideológicas" e debates acalorados:
a) LIBERDADE DE CONSCIÊNCIA - o espírita sabe que deve respeitar, por princípio, todas as formas de pensamento, mesmo as que lhe contraditam as ideias e o modo de ser, como decorrência natural do "fazer ao próximo o que gostarias que lhe fizessem";
b) MODERAÇÃO - o segundo, tão complementar ao primeiro que lhe serve de perfeito contraponto, como a outra face da mesma moeda, salienta a importância da boa fundamentação de suas próprias opiniões, por parte dos espíritas, para que por esse modo de façam respeitar em qualquer debate, marcadamente pela seriedade, sobriedade e consistência de suas manifestações.
"Seja o vosso falar sim, sim, não, não" - ensinou-nos o Cristo (Mt. 5:37).
Kardec reitera essas recomendações e dá delas o exemplo ao longo de toda a sua trajetória e em todos os seus textos, tanto na Codificação quanto na Revista Espírita:
"Respeitamos vossa opinião, respeitai a nossa. Eis tudo quanto vos pedimos". ("Instruções Práticas sobre as Manifestações Espíritas - Allan Kardec - Introdução)
"Já vos disse, senhor, não tenho a pretensão de vos fazer adotar a minha opinião; respeito a vossa, se é sincera, como desejo que respeiteis a minha". (O que é o Espiritismo - Allan Kardec, – O Crítico, pág. 53 da 37a ed. FEB)
"Àquele que nos procura como irmão, nós o acolhemos como tal; ao que nos repele, deixamo-lo em paz. [...] O Espiritismo não se impõe, porque, como vo-lo disse — respeita a liberdade de consciência; [...] Ele expõe seus princípios aos olhos de todos, de modo a cada um poder formar opinião segura. (O que é o Espiritismo - Allan Kardec, – O Padre, pág. 124 da 37a ed. FEB)
Julgar o que não se conhece é falta de lógica" (Revista Espírita, 1858, Fev - Pág.100 da Ed. FEB)
Imprudente é se inscreverem em falso contra as coisas que não compreendem”. (Revista Espírita, 1858, Out - Pág. 420 da Ed. FEB)
"E de lógica elementar que o crítico conheça, não superficialmente, mas, a fundo, aquilo de que fala, sem o que, sua opinião não tem valor". (O que é o Espiritismo - Allan Kardec, – O Crítico, pág. 55 da 37a ed. FEB)

Ocorre-nos a lembrança desses pontos a propósito de uma publicação recente do confrade Rafael Van Erven Ludolf, do valoroso Grupo Espírita Servidores de Jesus, de Niterói, trazendo para as redes sociais um texto magnifíco, de autoria do nosso inesquecível CARLOS TORRES PASTORINO (vide sua biografia em nossa página Sal da Terra), um dos maiores estudiosos dos Evangelhos que este país já teve e que serve até hoje de prefácio para o volume "O Sistema", de Pietro Ubaldi.
O texto de Pastorino é um exemplo perfeito do cuidado que devemos ter com a emissão de nossas opiniões, e do valor crescente que elas terão, a qualquer tempo, quando bem fundamentadas, consolidadas através de um estudo sério e prolongado sobre o que se pretende comentar.
Segue abaixo, portanto, reproduzido integralmente, e cremos que dispensa comentários adicionais, de nossa parte, pela elegância, clareza e firmeza com que demonstra, tão bem, a relação de continuidade e complementariedade existente entre as obras de Kardec e Ubaldi, tão conhecidas daqueles que as estudam longa e sistematicamente.
Aos nossos amigos do Servidores de Jesus, a nossa gratidão, pela lembrança de tão genuíno exemplo destes dois valores, que nos são tão caros, e que não podemos perder...

IMPRESSÃO

Terminada a tradução da obra, O Sistema, de Pietro Ubaldi, feita com a alegria imensa do garimpeiro que vai descobrindo em cada nova linha uma pepita de ouro do mais puro, não me contenho em rascunhar a impressão que me ficou dessa leitura meditada, do estudo dessa revelação nova trazida a nós em plena segunda metade do século XX. Desde a infância, o estudo desses problemas, através das obras da Teologia Católica, primeiramente, e mais tarde através das publicações oficiais do Espiritismo, do Protestantismo, da Teosofia, do Esoterismo, da Antroposofia, dos Rosa-Cruzes, das obras mais antigas da Índia, do Egito e da China, o estudo de tudo isto deu-me uma impressão de incerteza e de tateamento, ou então de afirmativas sem bases no campo racional. Não há, em todas essas doutrinas, respeitabilíssimas sem dúvida, porque representam o labor da mente concreta que busca o conhecimento através de suas próprias forças – não há uma unidade completa que una tudo numa única visão de conjunto.
Por isso, através da leitura estudada e meditada da obra de Ubaldi, cheguei à conclusão de que o universo é de fato um todo único, cujo centro é Deus. E, completando a maravilhosa e inspirada A Grande Síntese com o volume Deus e Universo, vislumbrei certos aspectos novos. No entanto, o segundo volume citado está demais conciso e alto, não me permitindo à parca inteligência, a compreensão total da grandiosidade ali exposta. Neste volume, entretanto, a explicação é cabal e acessível a todas as inteligências, mesmo as medianas, como a de quem está escrevendo, e as provas são de tal forma completas e irrespondíveis, que pouco haverá que acrescentar a isso, nessa época. Talvez mais tarde se possa dizer algo mais. Mas, no momento, não vemos o que acrescentar ao que aqui se encontra.
O Sistema é um livro ótimo, lógico e claro. Trata-se, em minha insignificante opinião, de completo curso ou tratado de Teologia cosmogônica, uma Teologia Nova, que vem cortar pela raiz todas as elucubrações puramente humanas, esclarecendo os pontos obscuros, revelando todos os mistérios incompreensíveis e inaceitáveis à mente hodierna. As teologias antigas, que pararam no tempo e no espaço, por se terem tornado dogmáticas e não mais admitirem pesquisas, reagirão, sem dúvida, a esta intromissão em seu terreno. Mas a humanidade está em evolução perene, e não seria compreensível que a parte mais nobre e elevada da humanidade, que é o pensamento e a sabedoria, parassem nos séculos remotos, enquanto a parte inferior, material, estivesse, como está, progredindo a passos gigantescos.
Neste Tratado Teológico, encontramos um Deus perfeitamente aceitável por Sua grandeza, ao invés daquele Deus mesquinho que trazia sempre bombons na mão direita para premiar e um chicote na esquerda para castigar, como qualquer capataz irritadiço e vulgar. Revela-nos uma finalidade à existência, ao invés de um paraíso de ociosidade inútil e egoísta, em que as criaturas ficarão por toda a eternidade gozando ao ver seus entes queridos sofrendo horrorosamente um inferno infindável.
A teoria da queda e da reabilitação dos espíritos é tão lógica que temos a impressão que ela guiará o mundo espiritualizado de amanhã, esclarecendo os pontos obscuros e dando direção à evolução da humanidade, que hoje se debate em problemas sem solução. É um Tratado de Teologia nova e ao mesmo tempo um Tratado de Filosofia Universalista Unitária, que nos apresenta, como um todo único, um só corpo cuja cabeça é Cristo. A segurança de raciocínio jamais abandona o autor a especulações vazias, mas o leva a provas sólidas, em matéria difícil e complexa. É a única teoria que conhecemos, que pode satisfazer o intelecto, a razão e mesmo o coração, porque explica logicamente tudo o que se passa neste mundo. Filosofia, física, química, biologia, sociologia, moral, tudo é examinado conscienciosamente, com minúcias que esgotam o assunto, com inflexibilidade irrespondível, com segurança e acerto.
A parte mais alta do livro O Sistema é constituída pelo capítulo XX, quando o autor nos dá a terceira interpretação da visão. Esta é de uma clareza deslumbrante. Inegavelmente trata-se, nesta obra, de uma revelação descida do Alto, que nos vem trazer luz acerca de problemas que a mente humana, por si só não poderia resolver.
Perguntam-me alguns confrades, como posso aceitar a teoria de Pietro Ubaldi, sendo, como sou, espírita adepto de Allan Kardec. Confesso não ver nenhuma contradição entre as duas teorias.
 
Para quem lê Kardec superficialmente, detendo-se nas palavras impressas, a teoria de Pietro Ubaldi pode parecer "herética". Mas aos que lêem o mestre penetrando as entrelinhas das respostas dos espíritos, tão sábias e profundas, nada lhes parece de contráditório.
Em primeiro lugar, Allan Kardec tentou penetrar nesse terreno. Todavia os espíritos não lhe deram a resposta ansiada. Podemos encontrar no Livro dos Espíritos a pergunta 39: "Podemos conhecer o modo de formação dos mundos"? E a resposta dos espíritos: "Tudo o que a esse respeito se pode dizer e podeis compreender é que os mundos se formam pela condensação da matéria disseminada no espaço". Não é o que diz Pietro Ubaldi, no capítulo XX? A origem dos universos foi uma "contração", em que o espírito ficou aprisionado dentro da matéria.
Em segundo lugar, o próprio Kardec afirma não ter dito a última palavra, mas apenas a primeira. E que todas as teorias por ele trazidas deveriam ser desenvolvidas à proporção que a ciência progredisse.
Em terceiro lugar, Allan Kardec preocupa-se com o problema da evolução, a partir da matéria primitiva, sem cogitar do que havia ocorrido antes. Ou seja, começa do mesmo modo em que a Bíblia e do mesmo ponto em que A Grande Síntese iniciaram o estudo: a subida evolutiva dos seres encarnados. Evidentemente, partiram todos da "matéria", ou seja, dos átomos, cuja concentração formou os universos. Nesse ponto – o infinito negativo, o ponto de chegada da involução, a concentração máxima do espírito – era evidente que "todos os espíritos eram simples e ignorantes" (pergunta 115). Entretanto, é evidente a confusão da palavra "espírito", no sentido de "princípio espiritual" com o sentido de espírito humano. Mas as próprias respostas dos espíritos e Allan Kardec classificam a origem, pesquisada agora por Pietro Ubaldi, como "mistério": "a origem deles é mistério" (Pergunta 81). E pouco antes: "Quanto ao modo pelo qual nos criou e em que momento o fez, nada sabemos" (Pergunta 78).
Dentro do próprio Livro dos Espíritos, contudo, encontramos em esboço muito rápido e leves pinceladas, a confirmação da teoria ubaldiana. Pergunta Kardec: "Donde vieram para a Terra os seres vivos"? Resposta: "A Terra lhes continha os germes, que aguardavam momento favorável para se desenvolverem. Os princípios orgânicos se congregaram (teoria das "unidades coletivas"), desde que cessou a atuação da força que os mantinha afastados" (Pergunta 44). Não é o que diz Pietro Ubaldi?
Mas, acima de tudo, está de pé a resposta à pergunta 540, no fim: "É assim que tudo serve, tudo se encadeia na natureza, desde o átomo primitivo até o arcanjo, que também começou por ser átomo. Admirável lei de harmonia, que vosso acanhado espírito ainda não pode apreender em seu conjunto!"
Nada mais cremos seja precioso para provar que a teoria exposta por Pietro Ubaldi, em sua revelação, nada tem de contraditório com a doutrina codificada por Allan Kardec. Antes, vem completá-la e explicá-la, levantando o véu daquele mistério que, há um século, os espíritos julgaram oportuno deixar ainda envolvendo a origem da vida. E isto porque os homens daquela época "ainda não podiam entender" essa origem, pois a ciência não havia demonstrado que matéria é apenas a condensação da energia, e esta a descida das vibrações do espírito. A frase final da resposta à pergunta nº 83 nos revela bem que Allan Kardec, incontestável mestre codificador, não pôde receber dos espíritos uma doutrina completa, porque o ambiente terrestre ainda não estava preparado. 
Lemos aí: "É tudo o que podemos, por agora, dizer". Então, há mais coisas a dizer, mas não podiam ser ditas, tal como ocorreu quando Jesus disse a seus apóstolos: "Muitas coisas vos tenho a dizer, mas não as podeis suportar agora" (João, 16:12). Por que então condenaremos a teoria de Pietro Ubaldi, se ela sem contradizer nem Kardec, nem Jesus, vem trazer-nos luz a respeito de coisas que nem um nem outro nas haviam revelado? O fato concreto, sob nossa vista, é que a teoria exposta mediante revelação e inspiração por Pietro Ubaldi satisfaz integralmente a todas as indagações científicas, psíquicas, filosóficas, teológicas e espirituais que possamos fazer-nos. Assim sendo, temos que lealmente aceitá-la, até prova em contrário; mas prova que traga argumentos e fatos, experimentações e demonstrações, e não apenas citações do "magister dixit". Hoje o método científico tem de prevalecer para satisfazer tanto à mente concreta quanto à abstrata, tanto à razão quanto à intuição, tanto à inteligência quanto à sensibilidade.
A obra é de suma importância e finca no mundo um marco que dificilmente será removido. Poderá ser mais bem explicado e desenvolvido seu ponto de vista, poderá mesmo ser modificado em seus aspectos secundários. Mas o âmago do problema foi equacionado brilhantemente, e daí poderemos partir para posteriores e maiores pesquisas e buscas. Compete agora ao homem de amanhã essa parte. Mas este já encontrará uma base onde se apoiar, um alicerce sobre o qual poderá erguer novos edifícios. E era isto, justamente, o que faltava à humanidade de hoje, que nada podia edificar em terrenos movediços de mistérios, sobre abismos sem fundo de desconhecimentos confessados. Tudo, dentro da relatividade humana, foi explicado em termos científicos e lógicos. Foi-nos mostrado, com dificuldade por causa da pobreza da linguagem humana, o que a mente do homem perquiria há milênios, e que nos fora dito várias vezes, mas sempre com palavras ocultas, cheias de subentendimentos, que a mente comum não conseguia penetrar.
Para a filosofia e a teologia, este volume constitui um dos mais importantes tratados que já apareceram publicados na face da Terra. É uma luz nova que se levanta no horizonte, um novo sol que vem iluminar as mentes e aquecer os corações, sequiosos de sabedoria e de amor. Porque nele se revelam, em Sua plenitude infinita, a Sabedoria e o Amor de Deus, como centro de tudo, como Seu pensamento a constituir atmosfera psíquica "em que vivemos, nos movemos e existimos (…) porque Dele também somos gerados" (Atos, 17:28)
Carlos Torres Pastorino - Rio, 5 de Julho de 1957


segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Genética Espiritual - por Emmanuel


Publicada no livro "Esperança e Luz" 
Psicografia de Chico Xavier.

Genética Espiritual

É lamentável o dogmatismo estreito das escolas científicas da Terra que teimam em não reconhecer, no seu patrimônio, uma série de conhecimentos instáveis, mesmo porque humanos, saturados da relatividade a que se subordinam todos os fenômenos do planeta. Esclarecidas pelas verdades do Espiritismo, a biologia, a química, a física, e a medicina, no futuro, renovarão as suas concepções, investigando o complicado problema das origens, considerando-se, todavia, que a humanidade somente poderá intensificar as suas aquisições evolutivas, quando buscar desenvolver a sua visão espiritual, dentro da ascensão moral na virtude e no conhecimento. 


*** 
Vós outros, os encarnados, sois os primeiros a observar as maravilhas já descobertas, entretanto, bem sabeis que o homem material terá sempre um limite para as suas perquirições do invisível. *** Esse limite reside na estrutura do seu olho, cuja potencialidade visual está em correspondência direta com a sua capacidade de conhecimento. Esse “homem material” já conseguiu muito e é louvável todo o seu esforço, na elucidação de todos os problemas da vida. *** No capitulo da biologia, a teoria dos “genes” tem a sua importância no drama biológico e a hereditariedade física tem o seu incontestável ascendente no seio das espécies da natureza. Ai está, contudo, um campo imenso, onde os estudiosos materialistas somente poderão se socorrer das hipóteses inverossímeis, caso persistam em se conservar longe das verdades imutáveis do Espírito. 

***

A ciência poderá equilibrar os elementos da gênese profunda dos seres, mas esbarrará sempre com a claridade espiritual que se irradia de todos esses movimentos, ordenados dentro de certa matemática, estranha aos homens e independente de sua colaboração. *** A ciência terrestre, afinal, poderá especializar as suas atividades, surpreendendo novos compêndios e catalogando novos valores nos seus centros de estudo, mas não será realizado um trabalho mais sério, em benefício da alma humana, sem espiritualizar o homem. É esse “homem espiritual” do porvir que poderá alçar vôos mais altos, porquanto não terá a sua visão adstrita às reduzidas possibilidades do olho humano. Seu campo de ação será vastíssimo, abrangendo o infinito, de cuja grandeza insondável participará naturalmente, pelos caminhos evolutivos.


 *** 

Os cientistas do mundo deveriam estar atentos para com os imperativos dessa “genética espiritual”, cujas lições e cujas sínteses se encontram aí no orbe totalmente no problema da educação individual e na cultura dos sentimentos.

 *** 

Sem o estudo desses “genes espirituais” que constituirão as células da nova organização social do futuro, no elevado plano moral das criaturas, os estudiosos e os seus compêndios não sairão das discussões esterilizadoras, no abismo das hipóteses em que se submergiram. A nossa preocupação atual caracteriza-se no esforço de formarmos o maior número de corações para a grande causa. Os espiritistas sinceros são os colaboradores da nossa tarefa humilde e simples, cujo êxito requer o máximo de boa vontade. Coloquemos mão à obra e, enquanto os nossos irmãos estudam e analisam as células orgânicas, procurando estabelecer o equilíbrio e determinar a distribuição dos “genes” pelos corpos, organizaremos a nova genética dos seres, trabalhando pela edificação do “homem espiritual” do futuro, quando então a palavra do Divino Mestre apresentará uma claridade nova para todos os corações.

Emmanuel
(Página recebida em 02 de fevereiro de 1938, em Pedro Leopoldo, Minas)

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

O VERDADEIRO SENTIDO DA VIDA



Quase todos nós chegamos a um momento
de nossas existências em que nos 
questionamos sobre a necessidade da
existência, de estarmos aqui.

Muito se tem escrito, temos as teorias : 

Criacionismo, que é aquela onde somos 
criados por Deus, todos descendentes de 
Eva e Adão.

Pelo Criacionismo, a Alma é criada para
a personalidade que está no processo
de formação e tem apenas uma oportunidade;
se não for bem não irá para lugares felizes. 


A ciência já tem esclarecido  que esta 
teoria vai de encontro às descobertas
de vestígios de nossos ancestrais, 
datados de épocas muito anteriores
( não cabe aqui nesta postagem adentrar
neste assunto mais profundamente). 

O Papa Francisco afirmou, durante 
discurso na Pontifícia Academia de 
Ciências, que a Teoria da Evolução 
e o Big Bang são reais e criticou a
interpretação das pessoas que leem
o Gênesis, livro da Bíblia, achando 
que Deus  "tenha agido como um mago,
com uma varinha  mágica capaz de 
criar todas as coisas".
Segundo ele, a criação do mundo 
"não é obra do caos, mas deriva de um 
princípio supremo que cria por amor".

"O Big Bang não contradiz a intervenção
criadora, mas a exige", disse o pontífice 
na inauguração de um busto de bronze
em homenagem ao Papa  Emérito Bento XVI.

E, por segundo,  a teoria Evolucionista,
esta sim, bem alinhada com a ciência 
mais atualizada, e inclusive fortalecida 
com os resultados do Projeto genoma 
humano, onde ficou patente que somos bem 
próximos do mundo animal.  

Ocorre que o espiritual independe do
material pois o Espírito é pré existente 
e pós existente à vida na matéria.
Há muito a se aprender nesta questão,
que fica oculta se não for buscada, 
e um dos caminhos é o estudo da doutrina 
espírita, O Consolador prometido, nos 
esclarece, no Livro dos Espíritos, na questão
132, o objetivo da encarnação dos
Espíritos, que é imposta por Deus para
fazê-los chegar à perfeição.

Na questão 134, a doutrina nos esclarece
que ALMA é um Espírito encarnado, mas que  o
têrmo Alma é para designar quando o ESPÌRITO
está encarnado e que quando desencarna, 
- questão 149 - , "Volta a ser Espírito, isto é 
volta ao mundo dos Espíritos, que havia deixado
momentaneamente.  

Na questão 166, aprendemos que a Alma que 
não atingiu a perfeição durante a existência 
corporal, experimenta a prova de uma nova 
existência e que na prática elas são várias porque
apenas uma existência não é suficiente para que
o Espírito atinja o Zênith da evolução, porque a 
cada nova existência o Espírito dá um passo no
caminho  do progresso, tentando se despojar 
de todas as impurezas até que atinja um grau de
evolução que não mais seja necessário encarnar,
atingindo o estado de "Espírito bem-aventurado", 
de Espírito Puro (questão 170).

Da mesma forma, quando retornamos ao 
mundo dos Espíritos, ninguém quer saber o que 
fomos, mas sim o que nos tornamos nessa 
empreitada que terminou.

 Assim, meus irmãos, neste blog já postei um
capítulo dos estudos dos livros de Pietro Ubaldi,
que pode ser acessado a partir do link no final
desta postagem,  mas recomendo que, antes, 
leiam todo este artigo, que é a transcrição do 
capítulo XIV do livro    A DERRADEIRA CHAMADA
Por Irmão Thomé
Psicografia Diamantino Coelho Fernandes
 
CAPÍTULO XIV
O SENTIDO DA VIDA

"Muitas das pessoas aparentemente mais ilustradas da presente
geração na Terra, supõem estar vivendo a vida integralmente
compatível com os cânones espirituais que regem a existência dos
Espíritos encarnados.

Supõem essas pessoas erradamente, que o
sentido da vida consiste apenas em nascer, crescer, lutar, e
finalmente gozar os benefícios proporcionados pelo 
acúmulo de maior ou menor soma de bens terrenos, sem
 nenhuma outra obrigação para si mesmas.

Tal suposição está completamente errada, e só existe pela
circunstância resultante do envolvimento total do Espírito 
pela carne, cerceando-lhe a recordação de sua própria existência
 multimilenar, como Espíritos de Deus em pleno estágio evolutivo. 
Esta é a grande verdade que eu gostaria de fazer compreender a 
todos os homens e mulheres do momento que passa, em seu 
próprio benefício. Mas gostaria, sobretudo, de penetrar no âmago 
de seus corações e lá plantar esta grande verdade, para que os dias 
porvindouros os encontrassem convenientemente preparados.

Isto dizendo, meus queridos irmãos encarnados, nada mais faço
que cumprir determinação amorosa de Nosso Senhor Jesus, que não
descansa um minuto sequer, no afã de preparar os seres humanos
para a transição iminente das condições de vida na Terra. Já foi dito
por uma Entidade de grande luminosidade, que a Terra vista de Alto
assemelha-se a uma espécie de argamassa escura, em cuja superfície
vivem Espíritos de várias tonalidades vibratórias. Esta observação
traduz muito aproximadamente a situação do planeta em que viveis
uma vez mais, e que vos parece coisa muito diferente, acostumados
como estais a esse ambiente.

Eu vos direi, porém, que a vida que a todos vos espera no Alto,
não tem comparação com a que ora viveis, e está sendo vivida por
alguns de vossos entes queridos, amigos e conhecidos vossos que
souberam preparar-se para ela. Dir-vos-ei ainda, irmãos e amigos
meus, que nenhum Espírito possuidor de alguma luminosidade
deseja reencarnar na Terra, a não ser no desempenho de tarefas 
de serviço de Nosso Senhor, ou para acompanhar e guiar outros 
Espíritos em fase de aprimoramento. E isso pela simples razão de
 que a vida na Terra consiste numa continuidade de lutas, 
sofrimentos e decepções para o Espírito já possuidor de determinada
 categoria. Há, contudo, milhões de almas nos planos mais próximos 
ao vosso, que outra coisa não desejam senão reingressar no plano 
físico, onde esperam prosseguir em suas existências precedentes,
 em que demonstraram apenas o desejo de viver a vida puramente 
material, com esquecimento total das necessidades do Espírito. 
Esses seres viveram vidas completamente negativas, e por isso
 sofrem atualmente as consequências num estágio de
 reformulação de idéias e concepções espirituais.


E não é de dizer-se que apenas Espíritos incultos compõem essa
população de que vos falo, amigos meus. Há entre os que em tais
planos vivem, Espíritos que aqui perlustraram vossas 
universidades e até brilharam na explanação de idéias e 
concepções que poderei
denominar esdrúxulas, porque sem nenhum fundamento espiritual.
Há nesse meio Espíritos que muito se destacaram na negativa da
existência de Deus, Criador e Animador do Universo, afirmando que
tudo não passa de uma lei mecânica surgida do nada e pelo nada
alimentada, sendo o próprio indivíduo um seu produto.

Nesta e noutras teorias semelhantes, Espíritos desviados de seus
objetivos evolutivos bastante se aprofundaram, e perdida a matéria
com a morte do corpo, sentiram-se completamente perdidos no
Espaço, por não possuírem nenhum sentido da direção que lhes
cumpria tomar após a desencarnação. Estes irmãos foram então
recolhidos amorosamente pelas falanges socorristas do Senhor, e
conduzidos ao local em que ora se encontram, para refazerem suas
idéias errôneas acerca do sentido da Vida. Há ali escolas à altura
 dos conhecimentos e aptidões de cada um, desde que concordem em
frequentá-las, e com a graça do Senhor, um número bastante
respeitável destes irmãos já deu provas de aproveitamento. Apenas
não poderão reencarnar tão cedo na Terra, por estas duas razões: a
de que não poderão fazê-lo neste fim de século por falta de 
condições para viver no ambiente atual, e a de que com o início do
 próximo século, só elementos devidamente preparados poderão
 viver aqui. De maneira que, estuda-se presentemente no Alto a
 possibilidade de serem aquelas almas enviadas a outro mundo de 
vibração inferior à da Terra no século próximo, ou permanecerem
 onde estão por tempo indeterminado, em fase de recuperação total.

Isto que ora vos relato meus queridos irmãos e amigos, serve para
que possais formar uma idéia aproximada dos trabalhos do Senhor,
para conseguirmos corrigir juízos e concepções errôneas adquiridas
na Terra, por Espíritos mal orientados e por isso sujeitos a grandes
delongas em sua escala evolutiva. Afirmar, por exemplo, como
alguém frequentemente afirma, que tudo é matéria, matéria e só
matéria, e que nada mais existe além da matéria, é cometer
leviandade lamentável em seu próprio prejuízo e daqueles que lhes
derem ouvidos. Essa concepção total pode ter certo cabimento à luz
da própria ciência espiritual, que bem define os diversos estados da
matéria, segundo o plano em que a mesma venha a ser estudada.
Consistirá tal conceito numa concepção altamente científica, em que
se poderá atribuir ao próprio Espírito um determinado estado de
matéria.


Não tem sido essa, porém, a concepção a que se entregaram
aqueles nossos irmãos a quem me venho referindo, porque suas
conclusões os levaram exatamente a considerar o homem como
sendo o fator e dirigente máximo da vida planetária. Isto posto, a
conclusão a que todos devemos chegar, por ser a única que a todos
nos há de conduzir à perfectibilidades, e, consequentemente, à
integração numa vida planetária absolutamente tranquila e feliz, é a
de que todos os homens e mulheres da Terra são Espíritos em fase
evolutiva, sob a direção superior de Nosso Senhor Jesus, o Divino
Salvador de todos nós, e apelarmos constantemente para Ele, que
outra coisa não deseja que não seja o bem-estar e a felicidade de
todas as almas que o Pai Celestial lhe entregou para dirigir e
aprimorar. E como sabemos que a vida não termina absolutamente 
no túmulo, como o prova o fato deste vosso amigo estar aqui ditando
estes conceitos, a melhor maneira de todos porem termo aos seus
sofrimentos e preocupações atuais, é voltarem-se diariamente para o
Senhor e entregarem-Lhe os seus problemas.

Não há nem pode haver outra maneira de atrairdes a felicidade
relativa que podereis desfrutar enquanto na Terra, além deste meio
que ora vos aponto, e que representa a base e a razão de minha
vinda ao vosso meio terreno. Aceitá-lo e pô-lo em prática, é
determinação bastante agradável para todos vós, meus queridos,
sobre a qual espero podermos um dia ainda conversar.


Referindo-me ainda àqueles irmãos nossos de quem falei em
princípio, desejo informar-vos que eles não se encontram onde estão
devido a alguma espécie de castigo; absolutamente, meus queridos.
No Além não existe nenhuma espécie de castigo para quem quer que
seja, porque tudo ali é amor, amor, e somente amor. O fato de
grande número de almas passar a viver em determinado plano,
resulta do seu próprio estado vibratório, que entrou em harmonia com
vibração semelhante. E como os semelhantes se atraem , o que é 
uma grande verdade, as almas em referência, foram atraídas pelas
vibrações afins, aproximando-se instintivamente do plano em que
repousam. A todo o tempo em que suas vibrações se modifiquem pelo
apuro e correção de concepções errôneas, essas almas
automaticamente abandonam o plano em que se encontram, assim
como abandonaram o corpo físico na Terra quando o mesmo se lhes
tornou imprestável.


Este esclarecimento torna-se necessário para algumas pessoas
que poderiam atribuir a Nosso Senhor a separação das almas no
espaço, por meio de alguma seleção outra que não seja o rigoroso
estado vibratório de cada uma. E dizendo estado vibratório,
 implícito está que a seleção se processa automaticamente, 
segundo o grau de aprimoramento moral e espiritual que 
acompanha todos os seres viventes, quer na Terra como 
no Espaço, isto é, tanto durante a encarnação como
após a desencarnação dos Espíritos.
E assim sendo... para que dizer mais?"

 
 
 
 
E para que não haja dúvidas de que enquanto encarnados, na matéria, devemos valorizar a oportunidade da encarnação,  concedida pelo Pai Celestial, lembro, do Evangelho Segundo o Espiritismo - capítulo XVII  -  item 10, o seguinte ensinamento:
 
EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - CAPÍTULO XVII
O HOMEM NO MUNDO

10. Um sentimento de piedade deve sempre animar o coração dos que se reúnem sob as vistas do Senhor e imploram a assistência dos bons Espíritos.

Purificai, pois, os vossos corações; não consintais que neles demore qualquer pensamento mundano ou fútil.
Elevai o vosso espírito àqueles por quem chamais, a fim de que, encontrando em vós as necessárias disposições, possam lançar em profusão a semente que é preciso germine em vossas almas e dê frutos de caridade e justiça.

Não julgueis, todavia, que, exortando-vos  incessantemente à prece e à evocação mental, pretendamos vivais uma vida mística, que vos conserve fora das leis da sociedade onde estais condenados a viver. Não; vivei com os homens da vossa época, como devem viver os homens. Sacrificai às necessidades, mesmo às frivolidades do dia, mas sacrificai com um sentimento de pureza que as possa santificar.

Sois chamados a estar em contacto com espíritos de
naturezas diferentes, de caracteres opostos: não choqueis a nenhum daqueles com quem estiverdes.

Sede joviais, sede ditosos, mas seja a vossa jovialidade a que provém de uma consciência limpa, seja a vossa ventura a do herdeiro do Céu que conta os dias que faltam para entrar na posse da sua herança.

Não consiste a virtude em assumirdes severo e lúgubre
aspecto, em repelirdes os prazeres que as vossas condições humanas vos permitem.

Basta reporteis todos os atos da vossa vida ao Criador que vo-la deu;
basta que, quando começardes ou acabardes uma obra, eleveis o pensamento a esse Criador e lhe peçais, num arroubo d’alma, ou a sua proteção para que obtenhais êxito, ou a sua bênção para ela, se a conc1uístes.

Em tudo o que fizerdes, remontai à Fonte de todas as coisas, para que nenhuma de vossas ações deixe de ser purificada e santificada pela lembrança de Deus.

A perfeição está toda, como disse o Cristo, na prática
da caridade absoluta; mas, os deveres da caridade alcançam todas as posições sociais, desde o menor até o maior.

Nenhuma caridade teria a praticar o homem que vivesse
insulado. Unicamente no contacto com os seus semelhantes, nas lutas mais árduas é que ele encontra ensejo de praticá-la. Aquele, pois, que se isola priva-se voluntariamente do mais poderoso meio de aperfeiçoar-se; não tendo de pensar senão em si, sua vida é a de um egoísta. (Cap. V, no 26.)

Não imagineis, portanto, que, para viverdes em comunicação constante conosco, para viverdes sob as vistas do Senhor, seja preciso vos cilicieis e cubrais de cinzas. Não, não, ainda uma vez vos dizemos.

Ditosos sede, segundo as necessidades da Humanidade; mas, que jamais na vossa felicidade entre um pensamento ou um ato que o possa ofender, ou fazer se vele o semblante dos que vos amam e dirigem. Deus é amor, e aqueles que amam santamente ele os abençoa.
– Um Espírito Protetor. (Bordéus, 1863.)