Suicídio na visão da espírita
Se você tem pensamentos recorrentes de suicídio, deve buscar conhecer
o se apresenta ao suicida após a morte do corpo físico.
Não são boas as notícias, pois se a idéia era tentar por fim aos suplícios, isto não acontece.
Primeiro você precisa saber que nada se perde neste universo. Ao morrer seu corpo volta para a Terra e sua mente, sua consciência, seu EU, que também chamamos de espírito não se extingue. Ele continua vivo, e agora mais comprometido em decorrência do suicídio.
Imaginar que por fim à vida carnal vai eliminar totalmente a existência, desaparecer com todas as memórias não vai acontecer. De fato, o corpo carnal vai se decompor e ser absorvido pelas leis da natureza. É só.
Entretanto, há algo mais no homem e que sobrevive, porque é pré existente à vida física que você pretende eliminar.
Acrescente ainda que a morte não é um processo instantâneo em relação ao conjunto homem/Espírito, porque exige que algumas etapas sejam vencidas para que o Espírito se desligue do corpo físico já sem a vida animal.
Um tempo variável é necessário para que o Espírito deixe de sentir as impressões carnais e chega mesmo a ser bem diverso de quando o ser chega à morte física após passar por processo de doença, onde o processo natural vai evoluindo para a libertação do Espírito e o desligamento dos laços fluídicos que o prendem à matéria física.
Na hipótese da concretização do suicídio o que acontece é a ruptura e não o desligamento natural, onde muitas vezes têm presente o concurso de irmãos desencarnados que acompanham todo o processo de preparação para a saída natural do Espírito e seu retorno ao plano extrafísico.
Nos informam os Espíritos que o irmão suicida segue sentindo os terríveis efeitos do ato tresloucado e as implicações mentais dele decorrentes.
Aqui cabe uma explicação fundamental para que fique esclarecida essa informação de que morto o corpo físico há um prosseguimento dos sentidos.
Vamos recorrer ao Livro dos Espíritos:
83. Os Espíritos têm fim? Compreende-se que seja eterno o princípio donde eles emanam, mas o que perguntamos é se suas individualidades têm um termo e se, em dado tempo, mais ou menos longo, o elemento de que são formados não se dissemina e volta à massa donde saiu, como sucede com os corpos materiais. É difícil de conceber-se que uma coisa que teve começo possa não ter fim.
“há muitas coisas que não compreendeis, porque tendes limitada a inteligência.
Isso, porém, não é razão para que as repilais. O filho não compreende tudo o que a seu pai é compreensível, nem o ignorante tudo o que o sábio apreende. Dizemos que a existência dos Espíritos não tem fim. é tudo o que podemos, por agora, dizer.”
84. Os Espíritos constituem um mundo à parte, fora daquele que vemos?
“Sim, o mundo dos Espíritos ou das inteligências incorpóreas.”
85. Qual dos dois, o mundo espírita ou o mundo corpóreo, é o principal, na ordem das coisas?
“O mundo espírita, que preexiste e sobrevive a tudo.”
A Alma
134. Que é a alma?
“Um Espírito encarnado.”
a) Que era a alma antes de se unir ao corpo?
“Espírito.”
b) As almas e os Espíritos são, portanto, idênticos, a mesma coisa?
“Sim, as almas não são senão os Espíritos. Antes de se unir ao corpo, a alma é um dos seres inteligentes que povoam o mundo invisível, os quais temporariamente revestem um invólucro carnal para se purificarem e esclarecerem.”
135. Há no homem alguma outra coisa além da alma e do corpo?
“há o laço que liga a alma ao corpo.”
a) De que natureza é esse laço?
“Semimaterial, isto é, de natureza intermédia entre o Espírito e o corpo. É preciso que seja assim para que os dois possam comunicar-se um com o outro. Por meio desse laço é que o Espírito atua sobre a matéria e reciprocamente.”
O homem é, portanto, formado de três partes essenciais:
1ª – o corpo ou ser material, análogo ao dos animais e animado pelo
mesmo princípio vital;
2ª – a alma, Espírito encarnado que tem no corpo a sua habitação;
3ª – o princípio intermediário, ou perispírito, substância semimaterial que serve de primeiro envoltório ao Espírito e liga a alma ao corpo.
Tal, num fruto, o germe, o perisperma e a casca.
136. A alma independe do princípio vital ?
“O corpo não é mais do que envoltório, repetimo-lo constantemente.”
a) Pode o corpo existir sem a alma?
“Pode; entretanto, desde que cessa a vida do corpo, a alma o abandona.
Antes do nascimento, ainda não há união definitiva entre a alma e o corpo;
enquanto, depois de essa união se haver estabelecido, a morte do corpo rompe
os laços que o prendem à alma e esta o abandona.
A vida orgânica pode animar um corpo sem alma, mas a alma não pode habitar
um corpo privado de vida orgânica.”
b) Que seria o nosso corpo, se não tivesse alma?
“Simples massa de carne sem inteligência, tudo o que quiserdes, exceto um homem.”
Ainda mantendo o Livro dos Espíritos como fonte do ensinamento, vamos trazer pequeno trecho do item VI da sua Introdução:
“ Conforme notamos acima, os próprios seres que se comunicam se designam a si mesmos pelo nome de Espíritos ou gênios, declarando, alguns, pelo menos, terem pertencido a homens que viveram na Terra. Eles compõem o mundo espiritual, como nós constituímos o mundo corporal durante a vida terrena.
Vamos resumir, em poucas palavras, os pontos principais da Doutrina que nos transmitiram, a fim de mais facilmente respondermos a certas objeções:
— Deus é eterno, imutável, imaterial, único, onipotente, soberanamente
justo e bom;
— criou o Universo, que abrange todos os seres animados e inanimados, materiais e imateriais;
— os seres materiais constituem o mundo visível ou corpóreo, e os seres imateriais, o mundo invisível ou espírita, isto é, dos Espíritos;
— o mundo espírita é o mundo normal, primitivo, eterno, preexistente e sobrevivente a tudo;
— o mundo corporal é secundário; poderia deixar de existir, ou não ter jamais existido, sem que por isso se alterasse a essência do mundo espírita;
— os Espíritos revestem temporariamente um invólucro material perecível, cuja destruição pela morte lhes restitui a liberdade;
— entre as diferentes espécies de seres corpóreos, Deus escolheu a espécie humana para a encarnação dos Espíritos que chegaram a certo grau de desenvolvimento, dando-lhe superioridade moral e intelectual sobre as outras;
— a alma é um Espírito encarnado, sendo o corpo apenas o seu envoltório;
— há no homem três coisas:
1o, o corpo ou ser material análogo aos animais e animado pelo mesmo princípio vital;
2o, a alma ou ser imaterial, Espírito encarnado no corpo;
3o, o laço que prende a alma ao corpo, princípio intermediário entre a matéria e o Espírito;
— tem assim o homem duas naturezas:
pelo corpo, participa da natureza dos animais, cujos instintos lhe são comuns;
pela alma, participa da natureza dos Espíritos;
— o laço ou perispírito, que prende ao corpo o Espírito, é uma espécie de envoltório semimaterial.
A morte é a destruição do invólucro mais grosseiro.
O Espírito conserva o segundo, que lhe constitui um corpo etéreo, invisívelpara nós no estado normal, porém, que pode tornar-se acidentalmente visível e mesmo tangível, como sucede no fenômeno das aparições;
— o Espírito não é, pois, um ser abstrato, indefinido, só possível de conceber-se pelo pensamento. é um ser real, circunscrito, que, em certos casos, se torna apreciável pela vista, pelo ouvido e pelo tato;
— os Espíritos pertencem a diferentes classes e não são iguais, nem em poder, nem em inteligência, nem em saber, nem em moralidade.
Os da primeira ordem são os Espíritos superiores, que se distinguem dos outros pela sua perfeição, seus conhecimentos, sua proximidade de Deus, pela pureza de seus sentimentos e por seu amor do bem: são os anjos ou puros Espíritos.
Os das outras classes se acham cada vez mais distanciados dessa perfeição, mostrando-se os das categorias inferiores, na sua maioria, eivados das nossas paixões: o ódio, a inveja, o ciúme, o orgulho etc. Comprazem-se no mal.
Há também, entre os inferiores, os que não são nem muito bons nem muito maus, antes perturbadores e enredadores, do que perversos.
A malícia e as inconsequências parecem ser o que neles predomina. São os Espíritos estúrdios ou levianos; “
Do ensinamento de quem está vivenciando a condição “pós-morte”, que nos esclarecem mediante as comunicações “desencarnado-encarnado”, é mais fácil entender o mecanismo estabelecido pelas Leis Divinas que rege o homem encarnado.
Dessa forma concluímos que o simples aniquilamento do corpo físico não é suficiente para extinguir a consciência pré-existente.
Lembremo-nos que há várias condições que podem ser retratadas pela palavra morte, porém todas são apenas TRANSFORMAÇÕES.
Aquela situação que erroneamente o suicida pretende alcançar, que éa de livrar-se das aflições momentâneas ou persistentes não pode ser alcançada senão pelos métodos do Evangelho e na maioria dos casos, pela simples transformação moral.
O ser humano, através dos tempos, vem absorvendo ensinamentos fragmentados, muitos deles oriundos de falsos profetas, cujos métodos vem sendo herdados de antepassados, tornando-se ideias preconcebidas, totalmente afastadas da verdade.
Portanto, já comentamos que o espírito é eterno e sobrevive.
O suicídio, assim como o duelo é o agravamento dos tormentos que a criatura humana sofre, seja porque estava em resgate de situações com raizes em existências anteriores e usufruindo da indulgência divina, ou devido ao mau uso do livre-arbítrio e excesso de devotamento aos atrativos da vida na carne, esquecendo que a verdadeira vida é a do Espírito.
Uma vez perpetrado o ato tresloucado, não demora a perceber-se vivo e só, para que possa ter tempo de avaliar seu desprezo à oportunidade concedida pelo Pai Maior.
Em consequência da ausência do corpo denso, que lhe impunha o esquecimento, aos poucos vão retornando as lembranças das vidas anteriores e logo percebe que os sentidos vão ficando mais aguçados e o desequilíbrio mental o deixa próximo à loucura, devido à intensidade.
Acrescente-se as culpas também intensificadas.
Há aqueles que permanecem ligados ao corpo físico e por um tempo acompanham a decomposição do mesmo.
É possível que pela afinidade seja atraído para locais repletos companheiros de decisão infeliz e aí, sem que possa impedir, acaba compartilhando situações de mais sofrimento. Incontáveis vezes pior que a situação que passava enquanto encarnado, porque agora está exposto a sentimentos (compartilhados por outros) que antes não era possuidor.
Ainda que esteja nessa condição de sofrimento voluntário, ninguém fica sem auxílio, porque afinal, o Pai olha todos seus filhos de forma igual.
Mas, não só agora nesta condição agravada, mas em todas as que o desencarnado – agora espírito errante – esteja, a ajuda chega para aquele que está pronto para ser auxiliado.
Trata-se de um trabalho personalíssimo e uma mãe ou um pai desencarnados não pode fazer a tarefa individual do filho.
Há Legiões de bons espíritos que acompanham esses irmãos suicidas durante todo o tempo, ainda que se sinta só.
Se você tem um amigo ou parente que recorreu ao suicídio, saiba que é possível ajudá-lo mediante preces conscientes e equilibradas, proferidas em harmonia com as Leis de Deus.
Direcionando nossas orações a Deus e aos Bons Espíritos, peçamos que esses nossos irmãos se reequilibrem e se ajustem às Leis de Deus e se refaçam para seguir em frente que o caminho da evolução é comum a todos de boa vontade.
É totalmente desnecessário imaginar que estejam em um local de sofrimento, imaginar como estarão, pois procedendo assim, podemos, pela sintonia, perpetuar a condição de nosso irmão.
É importante nos lembrarmos que ao perceber mudanças de comportamento em irmãos encarnados que dividem a nossa caminhada, sempre poderemos alertá-los de que
a medicina desenvolveu métodos eficazes que revertem quadros difíceis e a doutrina espírita também pode ajudar nos casos de interferências de seres extrafísicos que em alguns muitos casos ocorrem.
Podemos afirmar com segurança que por mais dolorosa que seja a vida na Terra, jamais alimentes pensamentos de suicídio, pois eles podem produzir (e conduzir) condições de sofrimento agravado que vão requerer tratamento prolongado.
Postagens relacionadas à doutrina espírita e ao espiritualismo e Ensinamentos sobre a obra de Pietro Ubaldi. Muito será cobrado aos que muito receberam. E, se chegamos a atual personalidade , foi por trabalho da individualidade; o Espírito é unigênito. AMAI-VOS (a sí próprio e aos semelhantes) ! No Amai-vos devemos incluir nossos irmãos os animais; a ciência, no desvendamento do genoma humano, provou que os laços são estreitos. INSTRUÍ-VOS !
terça-feira, 5 de novembro de 2019
domingo, 11 de agosto de 2019
O Primado do Espirito
O Primado do Espírito
- As Forças do Bem Cap. 25
A humanidade atual, tanto quanto a que anteriormente perlustrou os caminhos terrenos, ainda está infelizmente imbuída
da falsa idéia de que é preciso enriquecer materialmente para poder desfrutar situações de abastança, e prosperidade, como única razão de sua existência.
Nada mais errado do que semelhante conceito, nada mais falso do que tal convicção, filha do desconhecimento das leis do amor e do progresso moral que regem a vida em todos os mundos do Universo.
Tivessem os seres humanos um pouco mais de conhecimento daquelas leis, dispusessem os homens e mulheres de um pouco do seu tempo para meditar nos verdadeiros motivos de sua vinda à Terra, uma, duas, dez, vinte e mais vezes no decorrer de sua existência como seres humanos, tivessem todos um pouquinho mais de tempo para isso, e muitas desgraças, muitos crimes, muitas infelicidades deixariam de existir ao longo da existência humana.
Exatamente porque uns e outros insistem em cuidar apenas dos interesses da matéria, visando exclusivamente à sua elevação entre os semelhantes à custa da posse da fortuna perecível, é que surgem os desentendimentos na sociedade humana, mercê de ambições que crescem de todos os lados, superpondo-se lamentavelmente ao primado do Espírito.
O primado do Espírito, que todos sabeis ser o predomínio dos interesses espirituais sobre os da matéria, significa para o ser humano a construção segura de sua verdadeira felicidade. É preciso esclarecer devidamente que o primado do Espírito é a única força a impulsionar a vida terrena dos encarnados, e é também a única que sobrevive, uma vez terminada a vida do corpo de cada um.
Ora, bem. Explicado assim que o encarnado nada mais é que um Espírito revestido de carne e ossos em sua estrutura física, e que tudo isso voltará a se desagregar ao cabo de uma existência demasiado curta, pois que em média ainda não atinge sequer a meio século — por que esse empenho denodado da grande maioria dos homens e mulheres de hoje, como o foram inúmeros do passado, em querer a todo custo reunir fortuna para que esta por sua vez se desagregue após sua partida, de regresso ao mundo espiritual?
Irmãos meus, já compreendestes bem que eu me empenho em esclarecer vossa mente física acerca do vosso próprio objetivo neste mundo, que é exatamente a aquisição de luz para o vosso Espírito. Infelizmente porém, nem todos manifestam desejo de aprofundar o assunto, sob a alegação de lhes faltar tempo e disposição para isso.
Como eu lamento, irmãos meus, que tal pensamento manifesteis! Gostaria de poder eu próprio penetrar em vosso coração e nele
gravar esta grande verdade bíblica: Ninguém consegue servir a Deus e Mamon.
Ninguém consegue viver para o dinheiro, para a fortuna, para a abastança, vivendo ao mesmo tempo para o seu verdadeiro interesse. Deus, no caso da parábola, é o próprio indivíduo espiritual, é o Espírito que na Terra construiu um organismo físico desde o ventre materno e o alimenta através do tempo, até ao fim de sua peregrinação por este mundo terreno. Ao passo que Mamon é o interesse pura e simplesmente material, ligado exclusivamente à matéria perecível até ao seu desagregamento. Ninguém, por conseguinte, poderá viver ao mesmo tempo para os dois senhores, porque seus desígnios se distanciam cada dia que passa.
Enquanto, porém, os que vivem para o Espírito, pensando, agindo, operando em termos do Espírito, se sentem cada dia
mais integrados nas leis divinas, ou no próprio Deus, sentindo a paz no coração, a tranqüilidade de consciência, a felicidade enfim, aqueles que cultivam as leis de Mamon que são as leis da matéria, perecível como essas mesmas leis, sentem no íntimo do ser a intranqüilidade, o temor, o receio de que a roda de sua fortuna possa vir a desandar, reduzindo a nada os seus castelos de cartas ou de areia que não resistem ao mais leve vendaval.
Uma vez esclarecida a diferença, será o caso de se perguntar a cada um dos leitores destes conselhos:
Qual dos dois caminhos prefere você:
o de Deus ?
ou o de Mamon?
Bem certo estou de que nenhum dos meus leitores vacilará um só instante em sua resposta em favor do caminho de Deus.
Em verdade, irmãos queridos, não pode haver dúvida na escolha. E bem felizes se encontrarão a partir de agora os que, desconhecendo certos princípios espirituais, levaram vida cem por cento terrena, por assim dizer, até ao momento presente.
Todo interesse puramente material entrou em declínio na face da Terra, uma vez que a Terra mesma converter-se-á, muito breve, num dos mundos espiritualizados. Notai que eu não digo Mundo Espiritual, por ser isto impossível; porém mundo espiritualizado, onde deverá começar a predominância do primado do Espírito.
E o que vem a ser o primado do Espírito? — perguntareis vós.
Eu vos responderei pleno de satisfação que o primado do Espírito é a característica de todos os mundos evoluídos.
Um mundo em que predomine o primado do Espírito, é um mundo onde a paz e o entendimento fraternal entre seus habitantes constitui a sua constante, onde as lutas fratrícidas, os apetrechos bélicos, as condições de domínio de uns sobre os outros, a discriminação racial, foram completamente
banidos. O primado do Espírito é, numa palavra, o ideal na vida de todos os povos espiritualmente evoluídos.
Os mundos onde o primado do Espírito exerce completa predominância, permutam-se continuamente mensagens de amor e fraternidade, possuindo comunicações tão rápidas e perfeitas entre si, muito semelhantes ao vosso sistema radiotelegráfico.
Do Alto têm sido observados com muito carinho os esforços dos cientistas terrenos em suas tentativas de comunicação com outros planetas do sistema solar em que viveis. Embora isto já represente um certo adiantamento científico em vosso tempo, tais objetivos não serão concretizados antes das transformações por que está próxima de passar a humanidade de hoje, assim como as condições peculiares da própria Terra. Quando a massa de pensamentos bons, sadios, puros, elevados, sobrepujar a de pensamentos grosseiros, ambiciosos e maus, aí sim, poderemos esperar para breve a ligação interplanetária, independente de foguetes nem de satélites artificiais. Essa ligação se fará através de meios outros que surgirão na Terra aproximadamente dentro de meio século, e muito há de contribuir para o adiantamento da humanidade da época.
Isto tudo, irmãos queridos, só pode acontecer com o apoio e orientação das Forças do Bem que superintendem a vida desta humanidade de hoje. Vós todos que me ledes podeis começar a contribuir desde hoje para essa desejada era, reformando vossa própria maneira de viver, abandonando velhos hábitos incorretos ou malsãos que têm dificultado até agora a vossa iluminação espiritual, pelo desconhecimento dos princípios de que ora venho falar-vos.
Se Nosso Senhor Jesus Cristo puder receber de cada um de vós, ao fim do vosso dia de trabalho, a prece de agradecimento com o pedido daquilo que vos falte, podeis ter então a certeza certa de estardes contribuindo seguramente para o advento da era de paz e de felicidade em que muito justamente desejareis viver.
Fazei isso meus queridos, e, sempre que alguma dúvida vos ocorrer neste caminho, chamai sinceramente por este vosso
dedicado amigo que logo estará convosco, o vosso — Irmão Tomé.
Gerado de http://novaordemdejesus.com.br/ em 11/08/2019 às 12:08.
- As Forças do Bem Cap. 25
A humanidade atual, tanto quanto a que anteriormente perlustrou os caminhos terrenos, ainda está infelizmente imbuída
da falsa idéia de que é preciso enriquecer materialmente para poder desfrutar situações de abastança, e prosperidade, como única razão de sua existência.
Nada mais errado do que semelhante conceito, nada mais falso do que tal convicção, filha do desconhecimento das leis do amor e do progresso moral que regem a vida em todos os mundos do Universo.
Tivessem os seres humanos um pouco mais de conhecimento daquelas leis, dispusessem os homens e mulheres de um pouco do seu tempo para meditar nos verdadeiros motivos de sua vinda à Terra, uma, duas, dez, vinte e mais vezes no decorrer de sua existência como seres humanos, tivessem todos um pouquinho mais de tempo para isso, e muitas desgraças, muitos crimes, muitas infelicidades deixariam de existir ao longo da existência humana.
Exatamente porque uns e outros insistem em cuidar apenas dos interesses da matéria, visando exclusivamente à sua elevação entre os semelhantes à custa da posse da fortuna perecível, é que surgem os desentendimentos na sociedade humana, mercê de ambições que crescem de todos os lados, superpondo-se lamentavelmente ao primado do Espírito.
O primado do Espírito, que todos sabeis ser o predomínio dos interesses espirituais sobre os da matéria, significa para o ser humano a construção segura de sua verdadeira felicidade. É preciso esclarecer devidamente que o primado do Espírito é a única força a impulsionar a vida terrena dos encarnados, e é também a única que sobrevive, uma vez terminada a vida do corpo de cada um.
Ora, bem. Explicado assim que o encarnado nada mais é que um Espírito revestido de carne e ossos em sua estrutura física, e que tudo isso voltará a se desagregar ao cabo de uma existência demasiado curta, pois que em média ainda não atinge sequer a meio século — por que esse empenho denodado da grande maioria dos homens e mulheres de hoje, como o foram inúmeros do passado, em querer a todo custo reunir fortuna para que esta por sua vez se desagregue após sua partida, de regresso ao mundo espiritual?
Irmãos meus, já compreendestes bem que eu me empenho em esclarecer vossa mente física acerca do vosso próprio objetivo neste mundo, que é exatamente a aquisição de luz para o vosso Espírito. Infelizmente porém, nem todos manifestam desejo de aprofundar o assunto, sob a alegação de lhes faltar tempo e disposição para isso.
Como eu lamento, irmãos meus, que tal pensamento manifesteis! Gostaria de poder eu próprio penetrar em vosso coração e nele
gravar esta grande verdade bíblica: Ninguém consegue servir a Deus e Mamon.
Ninguém consegue viver para o dinheiro, para a fortuna, para a abastança, vivendo ao mesmo tempo para o seu verdadeiro interesse. Deus, no caso da parábola, é o próprio indivíduo espiritual, é o Espírito que na Terra construiu um organismo físico desde o ventre materno e o alimenta através do tempo, até ao fim de sua peregrinação por este mundo terreno. Ao passo que Mamon é o interesse pura e simplesmente material, ligado exclusivamente à matéria perecível até ao seu desagregamento. Ninguém, por conseguinte, poderá viver ao mesmo tempo para os dois senhores, porque seus desígnios se distanciam cada dia que passa.
Enquanto, porém, os que vivem para o Espírito, pensando, agindo, operando em termos do Espírito, se sentem cada dia
mais integrados nas leis divinas, ou no próprio Deus, sentindo a paz no coração, a tranqüilidade de consciência, a felicidade enfim, aqueles que cultivam as leis de Mamon que são as leis da matéria, perecível como essas mesmas leis, sentem no íntimo do ser a intranqüilidade, o temor, o receio de que a roda de sua fortuna possa vir a desandar, reduzindo a nada os seus castelos de cartas ou de areia que não resistem ao mais leve vendaval.
Uma vez esclarecida a diferença, será o caso de se perguntar a cada um dos leitores destes conselhos:
Qual dos dois caminhos prefere você:
o de Deus ?
ou o de Mamon?
Bem certo estou de que nenhum dos meus leitores vacilará um só instante em sua resposta em favor do caminho de Deus.
Em verdade, irmãos queridos, não pode haver dúvida na escolha. E bem felizes se encontrarão a partir de agora os que, desconhecendo certos princípios espirituais, levaram vida cem por cento terrena, por assim dizer, até ao momento presente.
Todo interesse puramente material entrou em declínio na face da Terra, uma vez que a Terra mesma converter-se-á, muito breve, num dos mundos espiritualizados. Notai que eu não digo Mundo Espiritual, por ser isto impossível; porém mundo espiritualizado, onde deverá começar a predominância do primado do Espírito.
E o que vem a ser o primado do Espírito? — perguntareis vós.
Eu vos responderei pleno de satisfação que o primado do Espírito é a característica de todos os mundos evoluídos.
Um mundo em que predomine o primado do Espírito, é um mundo onde a paz e o entendimento fraternal entre seus habitantes constitui a sua constante, onde as lutas fratrícidas, os apetrechos bélicos, as condições de domínio de uns sobre os outros, a discriminação racial, foram completamente
banidos. O primado do Espírito é, numa palavra, o ideal na vida de todos os povos espiritualmente evoluídos.
Os mundos onde o primado do Espírito exerce completa predominância, permutam-se continuamente mensagens de amor e fraternidade, possuindo comunicações tão rápidas e perfeitas entre si, muito semelhantes ao vosso sistema radiotelegráfico.
Do Alto têm sido observados com muito carinho os esforços dos cientistas terrenos em suas tentativas de comunicação com outros planetas do sistema solar em que viveis. Embora isto já represente um certo adiantamento científico em vosso tempo, tais objetivos não serão concretizados antes das transformações por que está próxima de passar a humanidade de hoje, assim como as condições peculiares da própria Terra. Quando a massa de pensamentos bons, sadios, puros, elevados, sobrepujar a de pensamentos grosseiros, ambiciosos e maus, aí sim, poderemos esperar para breve a ligação interplanetária, independente de foguetes nem de satélites artificiais. Essa ligação se fará através de meios outros que surgirão na Terra aproximadamente dentro de meio século, e muito há de contribuir para o adiantamento da humanidade da época.
Isto tudo, irmãos queridos, só pode acontecer com o apoio e orientação das Forças do Bem que superintendem a vida desta humanidade de hoje. Vós todos que me ledes podeis começar a contribuir desde hoje para essa desejada era, reformando vossa própria maneira de viver, abandonando velhos hábitos incorretos ou malsãos que têm dificultado até agora a vossa iluminação espiritual, pelo desconhecimento dos princípios de que ora venho falar-vos.
Se Nosso Senhor Jesus Cristo puder receber de cada um de vós, ao fim do vosso dia de trabalho, a prece de agradecimento com o pedido daquilo que vos falte, podeis ter então a certeza certa de estardes contribuindo seguramente para o advento da era de paz e de felicidade em que muito justamente desejareis viver.
Fazei isso meus queridos, e, sempre que alguma dúvida vos ocorrer neste caminho, chamai sinceramente por este vosso
dedicado amigo que logo estará convosco, o vosso — Irmão Tomé.
Gerado de http://novaordemdejesus.com.br/ em 11/08/2019 às 12:08.
domingo, 4 de agosto de 2019
Diario do Autista
Convido à leitura
destas regras...
Autismo Com Amor, O
Diário De Um Anjo Autista
29 de dezembro de
2012 ·
Sergio Thiessen no Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=YRaEdeRr3qA
DEZ COISAS QUE TODA
CRIANÇA COM AUTISMO
GOSTARIA QUE VOCÊ SOUBESSE
1. Antes de tudo eu sou uma criança. Eu tenho autismo. Eu não sou somente "Autista". O meu autismo é só um aspecto do meu caráter. Não me define como pessoa. Você é uma pessoa com pensamentos, sentimentos e talentos. Ou você é somente gordo,
magro, alto, baixo, míope. Talvez estas sejam algumas coisas que eu perceba quando conhecer você, mas isso não é necessariamente o que você é. Sendo um adulto, você tem algum controle de como se auto-define. Se quiser excluir uma característica, pode se expressar de maneira diferente. Sendo criança eu ainda estou descobrindo. Nem você ou eu podemos saber do que eu sou capaz. Definir-me somente por uma
característica, acaba-se correndo o risco de manter expectativas que serão pequenas para mim. E se eu sinto que você acha que não posso fazer algo, a minha resposta
naturalmente será: Para que tentar?
2. A minha percepção sensorial é desordenada. Interação sensorial pode ser o aspecto mais difícil para se compreender o autismo. Quer dizer que sentidos ordinários como audição, olfato, paladar, toque, sensações que passam desapercebidas no seu dia a dia podem ser doloridas para mim. O ambiente em que eu vivo pode ser hostil para mim.
Eu posso parecer distraído ou em outro planeta, mas eu só estou tentando me defender. Vou explicar o porquê uma simples ida ao mercado pode ser um inferno para mim: a minha audição pode ser muito sensível. Muitas pessoas podem estar
falando ao mesmo tempo, música, anúncios, barulho da caixa registradora, celulares tocando, crianças chorando, pessoas tossindo, luzes fluorescentes. O meu cérebro não
pode assimilar todas estas informações, provocando em mim uma perda de controle.
O meu olfato pode ser muito sensível. O peixe que está à venda na peixaria não está fresco. A pessoa que está perto pode não ter tomado banho hoje. O bebê ao lado pode estar com uma fralda suja. O chão pode ter sido limpo com amônia. Eu não
consigo separar os cheiros e começo a passar mal. Porque o meu sentido principal é o visual. Então, a visão pode ser o primeiro sentido a ser super-estimulado. A luz fluorescente não é somente muito brilhante, ela pisca e pode fazer um barulho. O quarto parece pulsar e isso machuca os meus olhos. Esta pulsação da luz cobre tudo e distorce o que estou vendo. O espaço parece estar sempre mudando. Eu vejo um brilho na janela, são muitas coisas para que eu consiga me concentrar. O ventilador, as pessoas andando de um lado para o outro... Tudo isso afeta os meus sentidos e agora eu não sei onde o meu corpo está neste espaço.
3. Por favor, lembre de distinguir entre não poder (eu não quero fazer) e eu não posso (eu não consigo fazer) Receber e expressar a linguagem e vocabulário pode ser muito
difícil para mim. Não é que eu não escute as frases. É que eu não te compreendo.
Quando você me chama do outro lado do quarto, isto é o que eu escuto "BBBFFFZZZZSWRTDSRDTYFDYT João".
Ao invés disso, venha falar comigo diretamente com um vocabulário simples:
"João, por favor, coloque o seu livro na estante. Está na hora de almoçar".
Isso me diz o que você quer que eu faça e o que vai acontecer depois. Assim é mais fácil para compreender.
4. Eu sou um "pensador concreto" (CONCRETE THINKER). O meu pensamento é concreto, não consigo fazer abstrações. Eu interpreto muito pouco o sentido oculto das palavras. É muito confuso para mim quando você diz "não enche o saco", quando
o que você quer dizer é "não me aborreça". Não diga que "isso é moleza, é mamão com açúcar" quando não há nenhum mamão com açúcar por perto e o que você quer dizer é que isso e algo fácil de fazer. Gírias, piadas, duplas intenções, paráfrases,
indiretas, sarcasmo eu não compreendo.
5. Por favor, tenha paciência com o meu vocabulário limitado. Dizer o que eu preciso é muito difícil para mim, quando não sei as palavras para descrever o que sinto. Posso
estar com fome, frustrado, com medo e confuso, mas agora estas palavras estão além da minha capacidade, do que eu possa expressar. Por isso, preste atenção na linguagem do meu corpo (retração, agitação ou outros sinais de que algo está errado).
Por outro lado, posso parecer como um pequeno professor ou um artista de cinema dizendo palavras acima da minha capacidade na minha idade. Na verdade, são palavras que eu memorizei do mundo ao meu redor para compensar a minha deficiência na linguagem. Por que eu sei exatamente o que é esperado de mim como resposta quando alguém fala comigo. As palavras difíceis que de vez em quando falo podem vir de livros, TV, ou até mesmo serem palavras de outras pessoas. Isto é chamado de ECOLALIA. Não preciso compreender o contexto das palavras que estou usando. Eu só sei que devo dizer alguma coisa.
6. Eu sou muito orientado visualmente porque a linguagem é muito difícil para mim. Por favor, me mostre como fazer alguma coisa ao invés de simplesmente me dizer. E, por favor, esteja preparado para me mostrar muitas vezes. Repetições consistentes me ajudam a aprender. Um esquema visual me ajuda durante o dia-a-dia. Alivia-me do stress de ter que lembrar o que vai acontecer. Ajuda-me a ter uma transição mais fácil
entre uma atividade e outra. Ajuda-me a controlar o tempo, as minhas atividades e alcançar as suas expectativas. Eu não vou perder a necessidade de ter um esquema visual por estar crescendo. Mas o meu nível de representação pode mudar. Antes que eu possa ler, preciso de um esquema visual com fotografias ou desenhos simples. Com o meu crescimento, uma combinação de palavras e fotos pode ajudar mais tarde a conhecer as palavras.
7. Por favor, preste atenção e diga o que eu posso fazer ao invés de só dizer o que eu não posso fazer. Como qualquer outro ser humano, não posso aprender em um ambiente
onde sempre me sinta inútil, que há algo errado comigo e que preciso de "CONSERTO". Para que tentar fazer alguma coisa nova quando sei que vou ser criticado? Construtivamente ou não é uma coisa que vou evitar. Procure o meu potencial e você vai encontrar muitos! Terei mais que uma maneira para fazer as coisas.
8. Por favor, me ajude com interações sociais. Pode parecer que não quero brincar com as outras crianças no parque, mas algumas vezes simplesmente não sei como começar uma conversa ou entrar na brincadeira. Se você pode encorajar outras crianças a me convidarem a jogar ou brincar com carrinhos, talvez eu fique muito feliz por ser incluído. Eu sou melhor em brincadeiras que tenham atividades com estrutura começo-meio-fim. Não sei como "LER" expressão facial, linguagem corporal ou emoções de outras pessoas. Agradeço se você me ensinar como devo responder socialmente. Exemplo: Se eu rir quando Sandra cair do escorregador não é que eu ache engraçado. É que eu não sei como agir socialmente. Ensine-me a dizer: "você esta bem?".
9. Tente encontrar o que provoca a minha perda de controle. Perda de controle, "chilique", birra, mal-criação, escândalo, como você quiser chamar, eles são mais horríveis para mim do que para você. Eles acontecem porque um ou mais dos meus
sentidos foi estimulado ao extremo. Se você conseguir descobrir o que causa a minha perda de controle, isso poderá ser prevenido - ou até evitado. Mantenha um diário de
horas, lugares pessoas e atividades. Você encontrar uma sequência pode parecer difícil no começo, mas, com certeza, vai conseguir. Tente lembrar que todo comportamento
é uma forma de comunicação. Isso dirá a você o que as minhas palavras não podem dizer: como eu sinto o meu ambiente e o que está acontecendo dentro dele.
10. Se você é um membro da família me ame sem nenhuma condição. Elimine pensamentos como "Se ele pelo menos pudesse." ou "Porque ele não pode." Você não conseguiu atender a todas as expectativas que os seus pais tinham para você e você não gostaria de ser sempre lembrado disso. Eu não escolhi ser autista. Mas lembre-se que isto está acontecendo comigo e não com você. Sem a sua ajuda a minha chance de
alcançar uma vida adulta digna será pequena. Com o seu suporte e guia, a possibilidade é maior do que você pensa. Eu prometo: EU VALHO A PENA.
E, finalmente três palavras mágicas: Paciência, Paciência, Paciência.
Ajuda a ver o meu autismo como uma habilidade diferente e não uma desabilidade. Olhe por cima do que você acha que seja uma limitação e veja o presente que o autismo me deu. Talvez seja verdade que eu não seja bom no contato olho no olho e conversas, mas você notou que eu não minto, roubo em jogos, fofoco com as colegas de classe ou julgo outras pessoas? É verdade que eu não vou ser um Ronaldinho "Fenômeno" do futebol. Mas, com a minha capacidade de prestar atenção e de concentração no que me interessa, eu posso ser o próximo Einstein, Mozart ou Van Gogh. Eles também tinham autismo, uma possível resposta para o enigma da vida extraterrestre - O que o futuro tem guardado para crianças autistas como eu, está no próprio futuro. Tudo que eu posso ser não vai acontecer sem você sendo a minha Base. Pense sobre estas "regras" sociais e se elas não fazem sentido para mim, deixe de lado. Seja o meu protetor seja o meu amigo e nós vamos ver ate onde eu posso ir.
CONTO COM VOCÊ!!!
Leia também
http://omundoextrafisico.blogspot.com/2014/04/autismo.html
quarta-feira, 17 de julho de 2019
Justiça Divina
Justiça Divina.
Um assunto que deveria interessar a todos os que estão embarcados nesta nave que transita pelo Universo.
Já vimos que de grande, só mesmo o nosso orgulho, nossa vaidade, cultivada e alimentada pela ignorância, característica de seres ainda necessitados de adiantamento moral.
Entretanto, ainda que no estado de ignorância relativa, já nos foi dito que somos centelhas divinas, há latência de dons divinos em cada um dos filhos do Pai. E ÊLE quer que cada um de nós assuma seu verdadeiro lugar e somente pelo aprendizado e pela dor que se atinge essa condição.
Léon Denis, no capítulo IX (Evolução e Finalidade da Alma" de "O Problema do Ser, do Destino e da Dor", ratifica, que o ser humano contém os germens da sua evolução, mas é muito importante que cada uma dessas criaturas saiba como manter sob contrôle essas forças contidas na alma.
Há mecanismos das Leis de Deus que se apresentam a cada situação, os problemas que surgem sempre já estão resolvidos, nós é que tentamos alterá-los para as nossas conveniências. Um exemplo com o qual temos bastante contato é o das defesas do organismo, o ser humano saudável tem as suas defesas sempre organizadas e quando elas por algum motivo diminuem veem as doenças, trazidas pelo crescimento das bactérias existentes em nossa organização física e que as defesas naturais trazem dominadas; uma vez que estas defesas se enfraquecem as bactérias ganham espaço. Assim é que acontece com nossa moral. O Bem convive com o mal e cabe a nós, individualmente e coletivamente manter a prevalência do bem sobre o mal, que é nada mais que a ausência do primeiro. E num espaço onde o bem não é exercitado, o mal se fortifica.
vamos ler um trecho do que Léon Denis nos ensina:
" A alma contém, na estada virtual, todos os germens dos seus desenvolvimentos futuros. E destinada a conhecer, adquirir e possuir tudo.
Como, pois, poderia ela conseguir tudo isso numa única existência? A vida é curta e longe está a perfeição! Poderia a alma, numa vida única, desenvolver o seu entendimento, esclarecer a razão, fortificar a consciência, assimilar todos os elementos da sabedoria, da santidade, do gênio? Para realizar os seus fins, tem de percorrer, no tempo e no espaço, um campo sem limites. É passando por
inúmeras transformações, no fim de milhares de séculos, que o mineral grosseiro se converte em diamante puro, refratando mil cintilações. Sucede o mesmo com a alma humana.
O objetivo da evolução, a razão de ser da vida não é a felicidade terrestre, como muitos erradamente creem, mas o aperfeiçoamento de cada um de nós, e esse aperfeiçoamento devemos realizá-lo por meio do trabalho, do esforço, de todas as alternativas da alegria e da dor, até que nos tenhamos desenvolvido completamente e elevado ao estado celeste. Se há na Terra menos
alegria do que sofrimento, é que este é o instrumento por excelência da
educação e do progresso, um estimulante para o ser, que, sem ele, ficaria retardado nas vias da sensualidade. A dor, física e moral, forma a nossa experiência. A sabedoria é o prêmio.
Pouco a pouco a alma se eleva e, conforme vai subindo, nela se vai acumulando uma soma sempre crescente de saber e virtude; sente-se mais estreitamente ligada aos seus semelhantes; comunica mais intimamente com o
seu meio social e planetário. Elevando-se cada vez mais, não tarda a ligar-se por
laços pujantes às sociedades do Espaço e depois ao Ser Universal."
Trago para meus irmãos, publicações feitas no site www.crbbm.org sobre o assunto "Justiça Divina". É apenas uma fração do que existe, mas já é um primeiro passo nos atualizarmos com este conteúdo.
REVELAÇÃO DA REVELAÇÃO: O JUÍZO DE DEUS
Que
céu e inferno não existem a Doutrina Espírita - Revelação da Revelação -
já o ensina desde o tempo de Kardec, inclusive com a publicação de obra
específica do próprio Codificador sobre o tema, "O Céu e o Inferno", em
1865. Mas, levando em conta esse ensino, e desmitificada a morte e a
chamada "vida eterna", apenas como o outro lado e aspecto da vida que
prossegue sempre, em todos os planos do universo, como se dá o "juízo de
Deus" - o balanço de cada existência -, no plano espiritual?A vida no plano material é a hora da ação, da provação, do teste, da expiação, da missão, do movimento e da extroversão, enfim. Além do túmulo, é natural e necessário que a energia do Espírito se dirija ao aspecto complementar e oposto dessa fase de aprendizado, exatamente a de reflexão, de análise, de exame íntimo e introspectivo dos avanços obtidos.
Quando se fala em "juízo divino" a imagem que nos ocorre à mente é toda antropomórfica, na forma de um tribunal humano, com juiz, advogados de defesa e acusação... A revelação espírita nos ensina, no entanto, que não é assim que se dá esse processo. Como será, então? No sábado, 22/06/19, um interessante estudo de nossa irmã Paula Reis sobre esse tema, em uma de nossas reuniões, a partir do Capítulo XII do 4o. Tomo da Obra de Roustaing, "Os Quatro Evangelhos", especialmente dos versículos 44 a 50.
E, tamanho interesse despertou o conteúdo apresentado, que decidimos reproduzír alguns de seus destaques, enriquecido como mais algumas transcrições de três diferentes experiências do gênero, em três valiosas obras da literatura espírita: "Voltei", do irmão Jacob (pseudônimo de Fred Figner), e "E A Vida Continua", esses dois primeiros recebidos psicograficamente por Francisco Cândido Xavier, e, finalmente, "Memórias de um suicida", de Camilo Botelho (pseudônimo do escritor português Camilo Castelo Branco), psicografada pelas mãos abençoadas da nossa igualmente admirável Yvone do Amaral Pereira. Esperamos que nossos irmãos apreciem... são três diferentes encontros consigo mesmo e com a própria consciência na "hora da verdade", que para todos nós soará...
*
A MORAL QUE JESUS PREGOU NÃO É SUA, MAS DE DEUS
JESUS, QUE É A LUZ, VEIO PARA SALVAR O MUNDO
O HOMEM SE JULGA A SI MESMO, E SUA CONSCIÊNCIA É QUEM PRONUNCIA A SENTENÇA
JESUS, QUE É A LUZ, VEIO PARA SALVAR O MUNDO
O HOMEM SE JULGA A SI MESMO, E SUA CONSCIÊNCIA É QUEM PRONUNCIA A SENTENÇA
V.44 Ora, Jesus
exclamou: O que em mim crê não é em mim que crê, mas naquele que me
enviou.
– 45. E o que me vê a mim vê aquele que me enviou.
– 46. Eu, que sou a luz, vim ao mundo para os que em mim crêem não fiquem nas trevas.
– 47. Se alguém ouve as minhas palavras e não as guarda, eu não o julgo; pois que não vim para julgar o mundo, mas para o salvar.
– 48. Aquele que me despreza e não recebe as minhas palavras tem por juiz a palavra mesma que hei pregado; será ela que o julgará no último dia.
– 49. Porque, não é por mim mesmo que tenho falado; meu Pai que me enviou, é quem me prescreveu, por seu mandamento, o que devo dizer e como hei de falar.
– 50. E eu sei que o seu mandamento é a vida eterna. Portanto, o que digo, digo-o conforme meu pai mo ordenou.
– 45. E o que me vê a mim vê aquele que me enviou.
– 46. Eu, que sou a luz, vim ao mundo para os que em mim crêem não fiquem nas trevas.
– 47. Se alguém ouve as minhas palavras e não as guarda, eu não o julgo; pois que não vim para julgar o mundo, mas para o salvar.
– 48. Aquele que me despreza e não recebe as minhas palavras tem por juiz a palavra mesma que hei pregado; será ela que o julgará no último dia.
– 49. Porque, não é por mim mesmo que tenho falado; meu Pai que me enviou, é quem me prescreveu, por seu mandamento, o que devo dizer e como hei de falar.
– 50. E eu sei que o seu mandamento é a vida eterna. Portanto, o que digo, digo-o conforme meu pai mo ordenou.
"Jesus não veio para julgar o mundo, mas para o salvar, pois que veio para ensinar aos homens como devem viver e morrer, tendo em vista o progresso do Espírito. Veio para regenerar a humanidade, ensinando e exemplificando-lhe todas as virtudes; traçando para todos os homens, quaisquer que sejam, Judeus ou Gentios, a estrada que, abstração feita de todos os cultos exteriores, os conduzirá a fraternidade e, por esta, à unidade; obedecendo à lei de amor; praticando, portanto, a justiça e a caridade. [...]
O homem é julgado por si mesmo, pelos seus atos. “No último dia” do seu corpo, o julgamento que a sua consciência profere, mas que ele quase nunca quer ouvir, se lhe tornará claro e preciso. E, para a consciência do homem, o critério desse julgamento oferece-o a moral pura que Jesus pregou e na qual, como ele próprio o disse, estão toda a lei e os profetas.
Deus espera que pouco a pouco se aproximem os filhos que dele se afastaram. E todos acabarão certamente por ir a ele, pois que a lei do progresso, imutável como o próprio Deus de quem emana, é da essência mesma de tudo o que é. E o Espírito está submetido a esta lei, quaisquer que sejam as oscilações, os desvios, os desvairamentos do seu livre-arbítrio.
O julgamento de Deus, porém, não existe como ato, como sentença formulada e aplicada em consequência de julgamentos parciais, proferidos com relação a cada culpado, após acalorados debates sobre seus crimes, faltas e delitos como o julgamento humano.
O julgamento e sua aplicação estão na lei de atração espiritual, lei imutável e eterna como o próprio Deus de quem emana e que, conforme o pendor de cada um, determina as relações entre os Espíritos, por efeito da influência atrativa dos fluidos, que a si mesmos se atraem uns aos outros, por analogia de espécies, de natureza. É essa a lei, que como sabeis, por meio dos fluidos magnéticos, religa todos os mundos do Universo, une todos os Espíritos, encarnados ou não, constitui o laço universal que os prende a todos, fazendo que formem um único ser, e os auxilia a subirem para Deus, conjugando-lhes as forças, determinando que os superiores trabalhem sem descanso pelo progresso dos inferiores. O Espírito é quem livremente aplica a si mesmo essa lei, com a consciência, que Deus lhe outorgou, do bem e do mal, e ao julgamento da qual ele se acha inelutavelmente submetido. O Espírito tem o livre-arbítrio. Cabe a ele corrigir e reparar os transviamentos desse livre-arbítrio. É ao próprio Espírito que compete abrir para si o caminho que leva ao progresso e avançar por ele. Se o anima o firme propósito de renunciar ao mal e de entrar na senda do bem, atrai a si as boas influências e se põe em relações com os bons Espíritos, encarnados e errantes, principalmente com estes, os quais, animados de idênticos pendores, dos mesmos sentimentos, o ajudam a progredir. Sob a inspiração e proteção dos bons Espíritos, ele se adianta e o julgamento de Deus não o atinge. Se, ao contrário, se compraz no mal e não atende as vozes amigas que o chamam para afastá-lo daí e fazê-lo enveredar pela senda do bem, o Espírito atrai a si as más influências e entra, inconscientemente, em relações com Espíritos maus, encarnados e errantes, com estes sobretudo, animados dos mesmos pendores e sentimentos que ele. Permanece então estacionário, porquanto o Espírito não retrograda, e o juízo de Deus o atinge. O juízo de Deus é a ausência de progresso. É a lei imutável do sofrimento, que cedo ou tarde, atinge o culpado, provocando-lhe o remorso. Imutável, e portanto, certa, inevitável, é, para o Espírito culpado, essa lei, como o são a consciência, que ele tem, do bem e do mal e, em face dessa consciência, a lei de perfectibilidade, ambas as quais de Deus emanam. É o tempo que se escoa sem trazer ao Espírito melhora alguma, sem lhe satisfazer às aspirações. E o Espírito nem sempre aspira ao progresso, visto que também tende para o crime, para a preguiça, para a maldade, para a luxúria, a intemperança, o orgulho, a inveja, o egoísmo, a avareza. Pois bem: desde que seus desejos não são satisfeitos, aí tendes a condenação que ele a si mesmo inflige, como consequência dos seus pendores. O juízo de Deus é, finalmente, a luta sem resultado em que o Espírito permanece, enquanto não toma o propósito firme de renunciar ao mal e de entrar na senda do bem. Porque, não podendo, na sua condição de culpado, caminhar para Deus, o Espírito se vê retido, pela influência atrativa dos fluidos que assimila, entre Espíritos inferiores, nas esferas de expiação, e constrangido a renovar suas provas, até que estas o induzam a querer progredir, e a sofrer outras, até que haja realizado o progresso que isenta o ser espiritual de reencarnar nessas esferas.
O “juízo” de Deus é um termo que precisa ser mantido, por ser o único capaz de lembrar ao Espírito do homem a ação incessante da divindade sobre tudo o que existe.
O julgamento é o resultado das obras humanas, sua consequência inevitável. Nada há que não produza frutos, não o esqueçais. Tudo está em saber colhê-los a tempo. Jesus apenas aplica a lei.
A repressão dos Espíritos culpados não é um julgamento seguido de condenação, mas tão-somente um meio paternal de os reconduzir à senda do bem, de os salvar de si mesmos, forçando-os a que entrem em expiação, a fim de que se julguem e se condenem a si mesmos. Neste sentido é que como intermediário entre Deus e vós, Jesus recebeu do pai o poder de julgar, isto é: de presidir ao desenvolvimento e ao progresso dos homens, de os ajudar, por todos os meios, a se adiantarem, conformemente às faculdades e necessidades de cada um. [...]
O juízo é a retribuição de acordo com as obras. O Homem o provoca pelos seus pensamentos e pendores e o recebe, por efeito de suas palavras e atos, conformemente às leis imutáveis e eternas da justiça divina, que a sua consciência aplica após a morte. Essas leis, para os pendores viciosos, contrários à lei divina, bem como para os atos culposos, são as leis imutáveis, inevitáveis do sofrimento, da expiação, da reencarnação, meio único de reparação, de purificação e de progresso, caminho único para a perfeição".
O "JUÍZO DE DEUS" EM "MEMÓRIAS DE UM SUICIDA"
"Colocaram o ex-professor de línguas à
frente do aparelho luminoso que despertara
nossa atenção à chegada, ao qual
ligaram-no por um diadema preso a tênues
fios que se diriam cíntilas imponderáveis
de luz. Enquanto Alceste o ligava,
Romeu informava-o, em tom assaz grave,
de que conviria voltasse a alguns anos
passados de sua vida, coordenando
os pensamentos a rigor, na seqüência
das recordações, e partindo do momento
exato em que a resolução trágica se apossara
das suas faculdades. Para que
tal conseguisse, auxiliava-o revigorando
sua mente com emanações generosas
que de suas próprias forças extraía.Belarmino obedeceu, passivo e dócil a uma autoridade para que não possuía forças capazes de desagradar. E, recordando, reviveu os sofrimentos oriundos da tuberculose que o atingira, as lutas sustentadas consigo mesmo ante a idéia do suicídio, a tristeza inconsolável, a veraz agonia que se apoderara de suas faculdades em litígio entre o desejo de viver, o medo da moléstia impiedosa que avassalava sua organização física, supliciando- o sem tréguas, e a urgência do suicídio para, no seu doentio modo de pensar, mais suavemente atingir a finalidade a que a doença o arrastaria sob atrozes sofrimentos. A proporção que se aproximava o desfecho, porém, o filósofo comtista esquivava-se, recalcitrando à ordem recebida. Suores gelados como lhe banhavam a fronte ampla de pensador, onde o terror mais e mais se acentuava, estampando expressões de desespero a cada novo arranco das dolorosas reminiscências...
Entretanto, o que mais surpreendia era que, na tela fosforescente à qual se ligava, iam-se reproduzindo as cenas evocadas pelo paciente, fato empolgante que a ele próprio, como à assistência, facultava a possibilidade de ver, de presenciar todo o amaro drama que precedeu o seu ato desesperador e as minúcias emocionantes e lamentáveis do execrável momento! A este seguiam-se as tormentosas situações de além-túmulo que lhe foram conseqüentes, o drama abominável que o surpreendera, as confusas sensações que durante tanto tempo o mantiveram enlouquecido.
Enquanto o primeiro operador auxiliava o paciente a extrair as recordações próprias, o segundo comentava-as explicando os acontecimentos em torno do suicídio, antes e depois de consumado, qual emérito professor a elucidar ignaros em matéria indispensável. Fazia-o mostrando os fenômenos decorrentes do desprendimento do ser inteligente do seu casulo de limo corporal, violentado pelo desastroso gesto contra si mesmo praticado. Assistimos assim a surpreendente, inglória odisséia vivida pelo Espírito expulso da existência carnal sob sua própria responsabilidade, a esbater-se como louco à revelia da Lei que violou, presa dos tentáculos monstruosos de seqüências inevitáveis, criadas pela infração a um acúmulo determinante e harmonioso de leis naturais, sábias, invariáveis, eternas!"
O "JUÍZO DE DEUS" EM "VOLTEI",
DE IRMÃO JACOB (FRED FIGNER)
"Desejando
preparar-me convenientemente, a fim de servir, passei a visitar,
sozinho ou acompanhado de outros colegas, as mais diversas associações
de Espíritos endurecidos e sofredores.O Irmão Andrade, Marta e outros amigos que me prestavam contínua assistência, atentando agora para as minhas necessidades de reajustamento, deixaram-me sob o exclusivo cuidado da escola de iluminação, que passei a frequentar carinhosamente. Cada lição era nova página de sabedoria reveladora, concitando-me ao desejável aprimoramento.
Procurava, pois, nas demonstrações práticas, despertar minhas energias superiores, com a juvenil atenção do universitário dedicado aos livros, interessado em organizar conscienciosamente o próprio futuro.
Era preciso buscar humildade no autoconhecimento, através das acusações merecidas ou imerecidas? Não me faltaria coragem para faze-lo. Sempre que os intervalos naturais dos estudos e tarefas do instituto iluminativo me favoreciam, dirigia-me incontinenti para as zonas de Espíritos transviados, exercitando a minha capacidade de suportação.
Da boca de inúmeros infelizes e ignorantes, ouvi longas recordações demais atos. Criticavam-me acerbamente, discutiam-me propósitos e intenções. Antigas faltas de épocas recuadas, que eu supunha esquecidas, eram trazidas à tona dos remoques verbais. Erros da mocidade, omissões da idade madura, gestos eventuais de aspereza, pequenas promessas não cumpridas, problemas de sentimento não liquidados, tudo, enfim, era resolvido pelos inimigos do bem, dos quais me aproximei nas melhores disposições de entendimento fraterno.
Consoante as lições novas, armazenava semelhante material, com o cuidado do homem prevenido que guarda lanternas adequadas para as horas escuras. Em muitas ocasiões, afastei-me do campo de luta, em lágrimas, considerando as alegações que me eram atiradas em rosto. Mas... Que fazer? Esse, sem dúvida, era o melhor caminho para identificar os próprios defeitos e extirpa-los.
Há companheiros que se não resignam a esse gênero de esforço; no entanto, para ganhar tempo observei, desde o primeiro instante, que nesse processo de esclarecimento é possível abreviar a própria renovação para o bem e limitar grandes lutas. (Cap. Reajustamento)
O "JUIZO DE DEUS" EM "E A VIDA CONTINUA", DE ANDRÉ LUIZ
"Estariam no Mundo Espiritual ou na Terra mesmo, na Terra que lhes era
familiar, em algum sítio desconhecido, onde se lhes falava do espírito libertado
com alguma finalidade terapêutica? — pensavam os dois. E chegavam quase a
admitir que talvez tivessem estado loucos, achando-se agora em recuperação.Acalentando semelhantes dúvidas, Evelina acompanhou, docilmente, o médico, e, chegados a uma sala, mobilada com distinção e singeleza, assentou-se na poltrona que ele lhe indicou, explicando, atencioso:
— Esteja tranquila. Nosso Instituto se consagra àproteção e ao tratamento de seus tutelados. Primeiro, a cobertura socorrista, depois, o reajustamento, se necessário. Em razão disso, teremos tão-só um entendimento fraternal. Nada de cerimônias. Conversaremos simplesmente e todos os seus informes serão gravados para estudos posteriores. A bem dizer, funciono aqui quase que apenas na condição de introdutor dos clientes, de vez que os nossos analisados possuem vasta coleção de amigos na retaguarda, amigos que lhes examinarão as palavras e reações, de modo a saber em que sentido e até que ponto lhes prestarão o auxílio de que se mostrem carecedores.
Diante de Evelina admirada, a um gesto do mentor grande espelho se fêz visível, junto à poltrona, dando a idéia de que a peça fora ligada ao sistema elétrico, por disposições especiais.
— Nossa palestra será filmada. Simples recurso para que os seus contactos com a nossa casa sejam seguidos com segurança, no capítulo da assistência de que não prescindirá em seus primeiros tempos de vida espiritual. Tranquilize-se, compreendendo, porém, que todas as suas perguntas e respostas se revestem da maior importância para seu beneficio. Por suas indagações, a autoridade do Instituto identificará a sua posição no conhecimento e, por suas respostas, saberá o montante de suas necessidades. Conversemos.
Perante aquele olhar, brando e enérgico ao mesmo tempo, reconheceu-se Evelina qual criança de letras primárias, ante examinador experiente, e, concluindo que não lhe seria licito recusar a prova, perguntou com respeitosa coragem:
Instrutor Ribas, conquanto o senhor tenha feito referências a meus «primeiros tempos de vida espiritual», é verdade que somos Espíritos desencarnados, pessoas que não mais habitam a Terra?
— Perfeitamente, embora a irmã não consiga ainda certificar-se disso. — Porque semelhante inadaptação?
— Falta de preparo na vida física. De modo geral, a sua posição de surpresa é comum à maioria das criaturas terrestres, em virtude da ausência de integração real com as experiências religiosas a que se afeiçoam.
— Se estamos efetivamente mortos, acredita o senhor que eu, na condição de católica, devo apresentar ou deveria apresentar um índice mais completo de comunhão com a verdade espiritual que não estou conseguindo entender?
— Claramente.
— Como assim?
— Se a irmã, durante a sua existência no corpo denso, pensasse firmemente nos ensinos de Jesus, o Divino Mestre que se reergueu do túmulo para a demonstração da vida eterna, se meditasse na essência dos ofícios religiosos de sua fé, todos eles dirigidos a Deus e, depois de Deus, aos mortos sublimes, como sejam Nosso Senhor Jesus-Cristo, sua Augusta Mãe e aos Espíritos heróicos que veneramos por santos da vida cristã, decerto não experimentaria o assombro que, até agora, lhe insensibiliza os centros de força, apesar da elevação e da delicadeza de suas aspirações. Viu-se Evelina, de repente, transportada pelas molas mágicas da imaginação, ao seu velho templo religioso... Recordou as preces, os cânticos, as novenas e os rituais litúrgicos de que partilhara, como se únicamente ali, naquele gabinete de análise espiritual, pudesse penetrar-lhes o sentido. Como não se inclinara a interpretá-los, antes, por invocações ao Mundo Espiritual? como não lhes percebera, até aquela hora, a função de canais de comunicação com as Forças Divinas?...
Em pensamento, aspirava a rever-se em São Paulo, caminhar para o recinto de sua devoção religiosa e saudar na própria crença o ponto mais alto da vida, aquele, através do qual, lograva entregar-se à proteção do Todo- Misericordioso, com as suas dores e alegrias, aflições e ânsias mais íntimas... Lembrou-se de Jesus, fôsse nas esculturas ou nos painéis, nas pregações e conversações, como sendo um Espírito Divino a bater-lhe, debalde, às portas do coração, tentando ensinar-lhe a viver e a compreender...
E, ao refletir no Mestre de paciência infinita, a cuja magnanimidade recorria em todas as dificuldades e tribulações, sem se dar ao trabalho de perquirir-lhe as lições e acompanhar-lhe os exemplos, entrou em crise de lágrimas, qual se a fé cristã, excelsa e piedosa, se lhe transfigurasse em juiz nos recessos da alma, exprobrando-lhe o comportamento.
— Oh! meu Deus!... — inferia em pranto — porque precisei morrer para compreender? porquê, Senhor? porquê?..." (Cap. 10)
segunda-feira, 10 de junho de 2019
Jesus, Judas e as Entidades Angélicas
AS ENTIDADES
ANGÉLICAS
Narra o benfeitor
espiritual que enquanto o Mestre agonizava na cruz, rasgava-se o céu
em Jerusalém e entidades angélicas, em grupos extensos, desciam
sobre o Calvário doloroso...
Na poeira escura do
chão, a maldade e a ignorância expeliam trevas demasiadamente
compactas para que alguém pudesse divisar as manifestações
sublimes.
Fios de claridade
indefinível passaram a ligar o madeiro ao firmamento, embora a
tempestade se anunciasse à distância...
O Cristo, de alma
sedenta e opressa, contemplava a celeste paisagem, aureolado pela
glória que lhe bafejava a fronte de herói, e os emissários do
paraíso chegavam, em bandos, a entoarem cânticos de amor e
reconhecimento que os tímpanos humanos jamais poderiam perceber.
Os anjos da ternura
rodearam-lhe o peito ferido, como a lhe insuflarem energias novas.
Os portadores da
consolação ungiram-lhe os pés sangrentos com suave bálsamo.
Os embaixadores da
harmonia, sobraçando instrumentos delicados, formaram coroa viva, ao
redor de sua atribulada cabeça, desferindo comovedoras melodias a se
espalharem por bênçãos de perdão sobre a turba amotinada.
O ANJO QUE OUVIU O
ÚLTIMO PEDIDO DE JESUS
Trabalhavam os
mensageiros do Céu, em tomo do Sublime Condutor dos homens,
aliviando-o e exaltando-o, como a lhe prepararem o banquete da
ressurreição, quando um anjo aureolado de intraduzível esplendor
apareceu, solitário, descendo do império magnificente da Altura.
Não trazia
seguidores e, abeirando-se do Senhor, beijou-lhe os pés, entre
respeitoso e enternecido.
Não se deteve na
ociosa contemplação da tarefa, que naturalmente cabia aos
companheiros, mas procurou os olhos de Jesus, dentro de uma ansiedade
que não se observara em nenhum dos outros.
Dir-se-ia que o novo
representante do Pai Compassivo desejava conhecer a vontade do
Mestre, antes de tudo.
E, em êxtase,
elevou-se do solo em que pousara, aos braços do madeiro afrontoso.
Enlaçou o busto do Inesquecível Supliciado, com inexcedível
carinho, e colou, por um instante, o ouvido atento em seus lábios
que balbuciavam de leve.
Jesus pronunciou
algo que os demais não escutaram distintamente.
O mensageiro
solitário desprendeu-se, então, do lenho duro, revelando olhos
serenos e úmidos, e de imediato, desceu do monte ensolarado para as
sombras que começavam a invadir Jerusalém, procurando Judas, a fim
de socorrê-lo e ampará-lo.
Se os homens não
lhe viram a expressão de grandeza e misericórdia, os querubins em
serviço também não lhe notaram a ausência.
Mas suspenso no
martírio, Jesus contemplava-o, confiante, acompanhando-lhe a excelsa
missão, em silêncio.
Este era o anjo da
Caridade.
Pelo visto, as
derradeiras palavras de Jesus na cruz não foram "Pai
perdoa-lhes porque não sabem o que fazem", mas sim as palavras
balbuciadas ao ouvido do Anjo Solitário para socorrer o amargurado
espírito de Judas.
JUDAS QUERIA TRAIR
JESUS DE FATO?
A prova de que Judas
Iscariotes não queria simplesmente trair Jesus e levá-lo a morte
está no fato de que ele, ao receber do Sinédrio as trinta moedas de
prata como pagamento para entregar Jesus, não esperava receber o fel
da amarga desilusão, ao ver o Cristo duramente torturado.
Ao perceber a
traição dos fariseus, pois não era isso que desejava para o seu
Mestre, ele de imediato foi devolver as moedas recebidas para
desfazer o acordo infeliz.
Nesta oportunidade,
porém, recebeu em troca a expressão de deboche dos príncipes dos
sacerdotes: “Isso é contigo”.
Nada mais restava
fazer para salvar o Mestre dos Mestres. Infelizmente o plano sinistro
estava consumado!
Foi então que
Judas, depois de assistir as cenas do Calvário, levado por tremendo
remorso, pois sua intenção não era eliminar Jesus, cometeu o
suicídio.
No entanto, o
Mestre, após a sua morte e tocado de compaixão, foi ao encontro do
espírito enlouquecido de Judas, permanecendo três dias ao seu lado
até que ele adormecesse, segundo a revelação da poetisa
desencarnada Maria Dolores, no livro Coração e Vida, psicografado
por Chico Xavier.
Só depois desse
gesto de amor e de perdão é que Jesus apareceu materializado a
Maria Madalena, segundo o Evangelho de João (Cap. 20: 11 a 18).
A HISTÓRIA E A
REVELAÇÃO MEDIÚNICA
Através da
mediunidade educada e disciplinada conforme os princípios do
Espiritismo, podemos receber dos Espíritos revelações importantes
que esclarecem os fatos históricos registrados muitas vezes de forma
incompleta, como é o caso de muitas passagens do Novo Testamento, e
que levam a interpretações equivocadas, o que é corrigido pela
revelação de ordem mediúnica.
Como vemos,
considerar Judas Iscariotes um traidor é um erro, até porque se ele
de fato tivesse traído conscientemente a Jesus, por que em seguida
teria ele entrado em remorso e arrependimento a ponto de tentar
desfazer o acordo com os doutores da lei e, em seguida, cometer o
suicídio?
Como revelam os
Espíritos Humberto de Campos (Irmão X) e Maria Dolores, na verdade
Judas foi enganado pelos doutores da lei, mas como o amor cobre a
multidão dos pecados, ele recebeu a misericórdia de Jesus, pois
aquele que se arrepende está a um passo de iniciar a reparação,
que a lei divina propicia através de futuras e abençoadas
encarnações.
Livro: Pontos e
Contos
Humberto de Campos.
domingo, 9 de junho de 2019
KARDEC E PIETRO UBALDI.
KARDEC E PIETRO UBALDI
Nossa
Doutrina é eminentemente progressiva, conforme preconizado
amplamente pelo seu Codificador, Allan Kardec.
Temos em nosso DNA uma aversão natural à
ortodoxia, ao congelamento do pensamento em função das tradições
que desconsideram a lei natural do progresso.
Nossos valores, no entanto, são eternos, posto
que fincados na solidez rochosa dos princípios cristãos. Precisam
apenas ser lembrados, continuamente, às novas gerações de
espíritas, para que sua chama nunca se apague.
Dentre esses valores, dois parecem-nos de extrema
atualidade, nesse tempo de "patrulhas ideológicas"
e debates acalorados:
a) LIBERDADE DE CONSCIÊNCIA - o
espírita sabe que deve respeitar, por princípio, todas as formas de
pensamento, mesmo as que lhe contraditam as ideias e o modo de ser,
como decorrência natural do "fazer ao próximo o que gostarias
que lhe fizessem";
b) MODERAÇÃO - o segundo, tão
complementar ao primeiro que lhe serve de perfeito contraponto, como
a outra face da mesma moeda, salienta a importância da boa
fundamentação de suas próprias opiniões, por parte dos espíritas,
para que por esse modo de façam respeitar em qualquer debate,
marcadamente pela seriedade, sobriedade e consistência de suas
manifestações.
"Seja o vosso falar sim, sim, não, não"
- ensinou-nos o Cristo (Mt. 5:37).
Kardec reitera essas recomendações e dá delas
o exemplo ao longo de toda a sua trajetória e em todos os seus
textos, tanto na Codificação quanto na Revista Espírita:
"Respeitamos vossa opinião,
respeitai a nossa. Eis tudo quanto vos pedimos".
("Instruções Práticas sobre as Manifestações Espíritas -
Allan Kardec - Introdução)
"Já vos disse, senhor, não
tenho a pretensão de vos fazer adotar a minha opinião; respeito a
vossa, se é sincera, como desejo que respeiteis a minha".
(O que é o Espiritismo - Allan Kardec, – O Crítico, pág. 53 da
37ª ed. FEB)
"Àquele que nos procura como
irmão, nós o acolhemos como tal; ao que nos repele, deixamo-lo em
paz. [...] O Espiritismo não se impõe, porque, como vo-lo disse —
respeita a liberdade de consciência; [...] Ele expõe seus
princípios aos olhos de todos, de modo a cada um poder formar
opinião segura.
(O que é o Espiritismo - Allan Kardec, –
O Padre, pág. 124 da 37a ed. FEB)
“Julgar o que não se conhece é falta de
lógica"
(Revista Espírita, 1858, Fev - Pág.100 da
Ed. FEB)
“Imprudente é se inscreverem em falso
contra as coisas que não compreendem”.
(Revista
Espírita, 1858, Out - Pág. 420 da Ed. FEB)
"E de lógica elementar que o
crítico conheça, não superficialmente, mas, a fundo, aquilo de que
fala, sem o que, sua opinião não tem valor".
(O que
é o Espiritismo - Allan Kardec, – O Crítico, pág. 55 da 37a ed.
FEB)
Ocorre-nos a lembrança desses pontos a propósito
de uma publicação
recente do confrade Rafael Van Erven Ludolf, do
valoroso Grupo
Espírita Servidores de Jesus, de Niterói,
trazendo para as redes sociais um texto magnifíco, de autoria do
nosso inesquecível CARLOS TORRES PASTORINO (vide sua
biografia em nossa página Sal
da Terra), um dos maiores estudiosos dos
Evangelhos que este país já teve e que serve até hoje de prefácio
para o volume "O Sistema", de Pietro Ubaldi.
O texto de Pastorino é um exemplo
perfeito do cuidado que devemos ter com a emissão de nossas
opiniões, e do valor crescente que elas terão, a qualquer tempo,
quando bem fundamentadas, consolidadas através de um estudo sério e
prolongado sobre o que se pretende comentar.
Segue abaixo, portanto, reproduzido
integralmente, e cremos que dispensa comentários adicionais, de
nossa parte, pela elegância, clareza e firmeza com que demonstra,
tão bem, a relação de continuidade e complementariedade existente
entre as obras de Kardec e Ubaldi, tão conhecidas daqueles que as
estudam longa e sistematicamente.
Aos nossos amigos do Servidores de Jesus, a nossa
gratidão, pela lembrança de tão genuíno exemplo destes dois
valores, que nos são tão caros, e que não podemos perder...
IMPRESSÃO
Terminada a tradução da obra, O Sistema, de
Pietro Ubaldi, feita com a alegria imensa do garimpeiro que vai
descobrindo em cada nova linha uma pepita de ouro do mais puro, não
me contenho em rascunhar a impressão que me ficou dessa leitura
meditada, do estudo dessa revelação nova trazida a nós em plena
segunda metade do século XX. Desde a infância, o estudo desses
problemas, através das obras da Teologia Católica, primeiramente, e
mais tarde através das publicações oficiais do Espiritismo, do
Protestantismo, da Teosofia, do Esoterismo, da Antroposofia, dos
Rosa-Cruzes, das obras mais antigas da Índia, do Egito e da China, o
estudo de tudo isto deu-me uma impressão de incerteza e de
tateamento, ou então de afirmativas sem bases no campo racional. Não
há, em todas essas doutrinas, respeitabilíssimas sem dúvida,
porque representam o labor da mente concreta que busca o conhecimento
através de suas próprias forças – não há uma unidade completa
que una tudo numa única visão de conjunto.
Por isso, através da leitura estudada e
meditada da obra de Ubaldi, cheguei à conclusão de que o
universo é de fato um todo único, cujo centro é Deus.
E, completando a maravilhosa e inspirada A Grande Síntese com o
volume Deus e Universo, vislumbrei certos
aspectos novos. No entanto, o segundo volume citado está demais
conciso e alto, não me permitindo à parca inteligência, a
compreensão total da grandiosidade ali exposta. Neste volume,
entretanto, a explicação é cabal e acessível a todas as
inteligências, mesmo as medianas, como a de quem está
escrevendo, e as provas são de tal forma completas e irrespondíveis,
que pouco haverá que acrescentar a isso, nessa época. Talvez mais
tarde se possa dizer algo mais. Mas, no momento, não vemos o que
acrescentar ao que aqui se encontra.
O Sistema é um livro ótimo, lógico e claro.
Trata-se, em minha insignificante opinião, de completo curso ou
tratado de Teologia cosmogônica, uma Teologia Nova, que vem cortar
pela raiz todas as elucubrações puramente humanas, esclarecendo os
pontos obscuros, revelando todos os mistérios incompreensíveis e
inaceitáveis à mente hodierna. As teologias antigas, que pararam no
tempo e no espaço, por se terem tornado dogmáticas e não mais
admitirem pesquisas, reagirão, sem dúvida, a esta intromissão em
seu terreno. Mas a humanidade está em evolução perene, e não
seria compreensível que a parte mais nobre e elevada da humanidade,
que é o pensamento e a sabedoria, parassem nos séculos remotos,
enquanto a parte inferior, material, estivesse, como está,
progredindo a passos gigantescos.
Neste Tratado Teológico, encontramos um
Deus perfeitamente aceitável por Sua grandeza, ao invés daquele
Deus mesquinho que trazia sempre bombons na mão direita para premiar
e um chicote na esquerda para castigar, como qualquer capataz
irritadiço e vulgar. Revela-nos uma finalidade à
existência, ao invés de um paraíso de ociosidade inútil e
egoísta, em que as criaturas ficarão por toda a eternidade gozando
ao ver seus entes queridos sofrendo horrorosamente um inferno
infindável.
A teoria da queda e da reabilitação dos
espíritos é tão lógica que temos a impressão que ela guiará o
mundo espiritualizado de amanhã, esclarecendo os pontos obscuros e
dando direção à evolução da humanidade, que hoje se debate em
problemas sem solução. É um Tratado de Teologia nova e
ao mesmo tempo um Tratado de Filosofia Universalista Unitária, que
nos apresenta, como um todo único, um só corpo cuja cabeça é
Cristo. A segurança de raciocínio jamais abandona o autor a
especulações vazias, mas o leva a provas sólidas, em matéria
difícil e complexa. É a única teoria que conhecemos, que pode
satisfazer o intelecto, a razão e mesmo o coração, porque explica
logicamente tudo o que se passa neste mundo. Filosofia, física,
química, biologia, sociologia, moral, tudo é examinado
conscienciosamente, com minúcias que esgotam o assunto, com
inflexibilidade irrespondível, com segurança e acerto.
A parte mais alta do livro O Sistema é
constituída pelo capítulo XX, quando o autor nos dá a terceira
interpretação da visão. Esta é de uma clareza
deslumbrante. Inegavelmente trata-se, nesta obra, de uma revelação
descida do Alto, que nos vem trazer luz acerca de problemas que a
mente humana, por si só não poderia resolver.
Perguntam-me alguns confrades, como posso
aceitar a teoria de Pietro Ubaldi, sendo, como sou, espírita adepto
de Allan Kardec. Confesso não ver nenhuma contradição entre as
duas teorias.
Para quem lê Kardec superficialmente,
detendo-se nas palavras impressas, a teoria de Pietro Ubaldi pode
parecer "herética". Mas aos que lêem o mestre penetrando
as entrelinhas das respostas dos espíritos, tão sábias e
profundas, nada lhes parece de contráditório.
Em primeiro lugar, Allan Kardec tentou penetrar
nesse terreno. Todavia os espíritos não lhe deram a resposta
ansiada. Podemos encontrar no Livro dos Espíritos a pergunta 39:
"Podemos conhecer o modo de formação dos mundos"?
E a resposta dos espíritos: "Tudo o que a esse respeito se pode
dizer e podeis compreender é que os mundos se formam pela
condensação da matéria disseminada no espaço". Não é o que
diz Pietro Ubaldi, no capítulo XX? A origem dos universos foi uma
"contração", em que o espírito ficou aprisionado dentro
da matéria.
Em segundo lugar, o próprio Kardec afirma
não ter dito a última palavra, mas apenas a primeira. E
que todas as teorias por ele trazidas deveriam ser desenvolvidas à
proporção que a ciência progredisse.
Em terceiro lugar, Allan Kardec preocupa-se
com o problema da evolução, a partir da matéria primitiva, sem
cogitar do que havia ocorrido antes. Ou seja, começa do
mesmo modo em que a Bíblia e do mesmo ponto em que A Grande Síntese
iniciaram o estudo:
a subida evolutiva dos seres encarnados.
Evidentemente, partiram todos da "matéria",
ou seja, dos átomos, cuja concentração formou os universos. Nesse
ponto – o infinito negativo, o ponto de chegada da involução, a
concentração máxima do espírito – era evidente que "todos
os espíritos eram simples e ignorantes" (pergunta
115). Entretanto, é evidente a confusão da palavra "espírito",
no sentido de "princípio espiritual" com o sentido de
espírito humano.
Mas as próprias respostas dos espíritos e
Allan Kardec classificam a origem, pesquisada agora por Pietro
Ubaldi, como "mistério": "a origem deles é
mistério" (Pergunta 81). E pouco antes: "Quanto
ao modo pelo qual nos criou e em que momento o fez, nada sabemos"
(Pergunta 78).
Dentro do próprio Livro dos Espíritos,
contudo, encontramos em esboço muito rápido e leves pinceladas, a
confirmação da teoria ubaldiana. Pergunta Kardec:
"Donde vieram para a Terra os seres
vivos"?
Resposta: "A Terra lhes continha os
germes, que aguardavam momento favorável para se desenvolverem. Os
princípios orgânicos se congregaram (teoria das "unidades
coletivas"), desde que cessou a atuação da força que os
mantinha afastados" (Pergunta 44). Não é o que diz Pietro
Ubaldi?
Mas, acima de tudo, está de pé a resposta à
pergunta 540, no fim: "É assim que tudo
serve, tudo se encadeia na natureza, desde o átomo primitivo até o
arcanjo, que também começou por ser átomo. Admirável lei de
harmonia, que vosso acanhado espírito ainda não pode apreender em
seu conjunto!"
Nada mais cremos seja precioso para provar que
a teoria exposta por Pietro Ubaldi, em sua revelação, nada tem de
contraditório com a doutrina codificada por Allan Kardec. Antes, vem
completá-la e explicá-la, levantando o véu daquele mistério que,
há um século, os espíritos julgaram oportuno deixar ainda
envolvendo a origem da vida. E isto porque os homens
daquela época "ainda não podiam entender" essa origem,
pois a ciência não havia demonstrado que matéria é apenas a
condensação da energia, e esta a descida das vibrações do
espírito.
A frase final da resposta à pergunta nº 83
nos revela bem que Allan Kardec, incontestável mestre codificador,
não pôde receber dos espíritos uma doutrina completa, porque o
ambiente terrestre ainda não estava preparado. Lemos aí: "É
tudo o que podemos, por agora, dizer". Então, há
mais coisas a dizer, mas não podiam ser ditas, tal como ocorreu
quando Jesus disse a seus apóstolos: "Muitas coisas
vos tenho a dizer, mas não as podeis suportar agora"
(João, 16:12).
Por que então
condenaremos a teoria de Pietro Ubaldi, se ela sem contradizer nem
Kardec, nem Jesus, vem trazer-nos luz a respeito de coisas que nem um
nem outro nas haviam revelado?
O fato concreto, sob nossa vista, é que a
teoria exposta mediante revelação e inspiração por Pietro Ubaldi
satisfaz integralmente a todas as indagações científicas,
psíquicas, filosóficas, teológicas e espirituais que possamos
fazer-nos. Assim sendo, temos que lealmente aceitá-la, até prova em
contrário; mas prova que traga argumentos e fatos, experimentações
e demonstrações, e não apenas citações do "magister dixit".
Hoje o método científico tem de prevalecer para satisfazer tanto à
mente concreta quanto à abstrata, tanto à razão quanto à
intuição, tanto à inteligência quanto à sensibilidade.
A obra é de suma importância e finca no
mundo um marco que dificilmente será removido. Poderá ser mais bem
explicado e desenvolvido seu ponto de vista, poderá mesmo ser
modificado em seus aspectos secundários. Mas o âmago do problema
foi equacionado brilhantemente, e daí poderemos partir para
posteriores e maiores pesquisas e buscas. Compete agora ao homem de
amanhã essa parte. Mas este já encontrará uma base onde se apoiar,
um alicerce sobre o qual poderá erguer novos edifícios. E era isto,
justamente, o que faltava à humanidade de hoje, que nada podia
edificar em terrenos movediços de mistérios, sobre abismos sem
fundo de desconhecimentos confessados. Tudo, dentro da relatividade
humana, foi explicado em termos científicos e lógicos. Foi-nos
mostrado, com dificuldade por causa da pobreza da linguagem humana, o
que a mente do homem perquiria há milênios, e que nos fora dito
várias vezes, mas sempre com palavras ocultas, cheias de
subentendimentos, que a mente comum não conseguia penetrar.
Para a filosofia e a teologia, este volume
constitui um dos mais importantes tratados que já apareceram
publicados na face da Terra. É uma luz nova que se levanta no
horizonte, um novo sol que vem iluminar as mentes e aquecer os
corações, sequiosos de sabedoria e de amor. Porque nele se revelam,
em Sua plenitude infinita, a Sabedoria e o Amor de Deus, como centro
de tudo, como Seu pensamento a constituir atmosfera psíquica "em
que vivemos, nos movemos e existimos (…) porque Dele também somos
gerados" (Atos, 17:28)
Carlos Torres Pastorino
Assinar:
Postagens (Atom)