EVANGELHO CAPITULO XVII SEDE PERFEITOS
ESTUDO
O DEVER E A VIRTUDE – ITENS 7 E 8
LIVRO
DOS ESPÍRITOS QUESTÃO 918 E 919
EU
SOU O CAMINHO, A VERDADE E A VIDA.
CAMINHO
: A norma de vida prática sobre a
Terra para chegar à
Deus;
A
VERDADE: Significa a síntese do conhecimento, o pensamento de Deus;
A
VIDA : A força do amor, a unidade das almas em Deus.
OS
TRES DEVERES FUNDAMENTAIS ENUNCIADOS
-
Glória a Deus nas alturas;
diz respeito de nossa relação
com o criador. Representa o
dever de nos integrarmos às
leis divinas, com todo o
coração, durante todo o tempo da
vida consciente (aquisição da
razão e livre arbítrio) .
-
Paz na Terra; diz
respeito de nossa relação com todos os
seres com os quais estamos
dividindo o planeta
-
Boa Vontade para com os homens;
É aqui que primeiramente,
é
um dever de mim para comigo mesmo.
TODAS ESTAS ESTÃO INTERCONECTADAS E DEVEM ANDAR JUNTAS.
-----------------------------------------------
E
MUITO ME FATIGUEI PROCURANDO-TE FORA DE MIM,
QUANDO
TE ENCONTRAS EM MIM.
(
Santo Agostinho )
INSTRUÇÕES
DOS ESPÍRITOS
O
DEVER (Capítulo XVII) item 7
Definição
de Dever Segundo Lázaro, 1863 item 7 cap XVII
7. O
dever é a obrigação moral da criatura para consigo mesma,
primeiro, e, em seguida, para com os outros.
- O
dever é a lei da vida. Com ele deparamos nas mais ínfimas
particularidades, como nos atos mais elevados.
-
Por se achar em antagonismo com as atrações do interesse material e
do coração (as paixões) o Dever acaba sendo um obstáculo que para
a maioria se torna um trabalho difícil.
No
cumprimento do DEVER As vitórias Não têm testemunhas e as derrotas
ficam no íntimo da consciência de cada um de nós entregues à
Consciência e ao Livre arbítrio.
-
muitas vezes, o DEVER mostra-se impotente diante dos sofismas da
paixão. -
significado
de sofisma: argumento ou raciocínio concebido com o objetivo de
produzir a ilusão da verdade, que, embora simule um acordo com as
regras da lógica, apresenta, na realidade, uma estrutura interna
inconsistente, incorreta e deliberadamente enganosa.
-
Fielmente observado, o dever do coração eleva o homem;
O
homem tem gravadas na consciência as leis de Deus. L.E 621
-
como determiná-lo, porém, com exatidão? Onde começa ele? onde
termina?
- O
dever principia, para cada um, exatamente no ponto em que é
ameaçada a felicidade ou a tranqüilidade do próximo;
E
acaba no limite que não desejais ninguém transponha com
relação a cada um. Um exemplo está em Evolução em 2 Mundos:
Noção
do direito
-
Em razão do apego aos rebentos da própria carne, o homem institui a
propriedade da faixa de solo em que se lhe encrava a moradia e,
atendendo a essa mesma raiz de afetividade, traça a si próprio
determinadas regras de conduta, para que não imponha aos semelhantes
ofensas e prejuízos que não deseja receber. Acontece, assim, o
inesperado... O homem selvático que não pretende abandonar os
apetites e prazeres da experiência animal, fabrica para si mesmo os
freios que lhe controlarão a liberdade, a fim de que se lhe enobreça
o caráter iniciante. Estabelecendo
a posse tirânica em tudo o que julga seu, desiste de aproveitar o
que pertence ao vizinho, sob pena de expor-se a penalidades cruéis.
Nasce, desse modo, para ele a noção do direito sobre o alicerce das
obrigações respeitadas.
(Evolução
em dois Mundos, Primeira Parte, cap. XI, pág. 80.)
Deus
criou todos os homens iguais para a dor. Pequenos ou grandes,
ignorantes ou instruídos, sofrem todos os efeitos da lei de causa e
efeito, a fim de que cada um julgue em sã consciência o mal, pois a
igualdade em face da dor é uma sublime providência de Deus, que
quer que todos os seus filhos, instruídos pela experiência comum,
não pratiquem o mal, alegando ignorância de seus efeitos.
Com
relação ao bem, infinitamente vário nas suas expressões, não é
o mesmo o critério.
Podemos
então afirmar que O dever é:
- o
resumo prático de todas as especulações morais;
- é
uma bravura da alma que enfrenta as angústias da luta;
-é
austero e brando; pronto a dobrar-se às mais diversas complicações,
conserva-se inflexível diante das suas
tentações.
- O
homem que ama a Deus mais do que as criaturas, mais que a si mesmo,
cumpre o seu dever É a um tempo juiz e escravo em causa própria.
- O
dever descende da razão, ele surge após a aquisição desta e do
livre arbítrio.
- O
homem tem de amar o dever, porque empresta à alma uma ferramenta e
o vigor necessário ao seu desenvolvimento.
Significado
de Laurel: prêmio, honraria que se concede a alguém em
reconhecimento a seus mérito, virtude ou talento; galardão, láurea,
lauréola.
- O
dever cresce e irradia sob mais elevada forma, em cada um dos
estágios superiores da Humanidade.
A
obrigação moral da criatura para com Deus jamais cessa. Tem esta de
refletir as virtudes do Eterno, que não aceita esboços imperfeitos,
porque quer que a beleza da sua obra resplandeça a seus próprios
olhos. É a perfeição, um determinismo .
–
Lázaro. (Paris, 1863.)
No
Livro dos Espíritos: objetivo
da encarnação
UM
DOS PRINCIPAIS DEVERES :
132.
Qual
o objetivo da encarnação dos Espíritos?
“Deus
lhes impõe a encarnação com o fim de fazê-los chegar à
perfeição. Para
uns,
é expiação; para outros, missão.
mas, para alcançarem
essa
perfeição,
têm
que sofrer todas as vicissitudes da existência corporal:
nisso é que está a expiação.
Visa
ainda outro fim a encarnação: o de pôr o Espírito em condições
de suportar a parte que lhe toca na obra da Criação.
Para
executá-la é que, em cada mundo, toma o Espírito um instrumento,
de harmonia com a matéria essencial desse mundo, a fim de aí
cumprir,
daquele ponto de vista, as ordens
de Deus;
é assim que, concorrendo para a
obra
geral,
ele próprio se adianta.”
A
ação dos seres corpóreos é necessária à marcha do Universo.
Deus, porém, na sua sabedoria, quis que nessa mesma ação eles
encontrassem um meio de progredir e de se aproximar dele. Deste modo,
por uma admirável
lei
da Providência, tudo se encadeia, tudo é solidário na Natureza.
O ISOLAMENTO É NÃO
CUMPRIMENTO DO DEVER
770.
Que
se deve pensar dos que vivem em absoluta reclusão, fugindo ao
pernicioso contato do mundo?
“Duplo
egoísmo.”
a)
Mas
não será meritório esse retraimento, se tiver por fim uma
expiação,
impondo-se aquele que o busca uma privação penosa?
“fazer
maior soma de bem do que de mal constitui a melhor expiação.
Evitando um mal, aquele que por tal motivo se insula cai noutro, pois
esquece a lei de amor e de caridade.”
647.
A
Lei de Deus
se acha contida toda no preceito do amor ao próximo, ensinado por
Jesus?
“Certamente.
Esse preceito encerra todos os deveres dos homens uns para com os
outros. Cumpre, porém, se lhes mostre a aplicação que comporta,
do contrário deixarão de cumpri-lo, como o fazem presentemente.
Ademais, a lei natural abrange todas as circunstâncias da vida e
esse preceito compreende só uma parte da lei. Aos homens são
necessárias regras precisas; os preceitos gerais e muito vagos
deixam grande número de portas abertas à interpretação.”
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INSTRUÇÕES
DOS ESPÍRITOS
A
LEI DE AMOR
8.
O amor resume a doutrina de Jesus toda inteira, visto que esse é o
sentimento por excelência, e os sentimentos
são
os instintos elevados à altura do progresso feito.
Em
sua origem, o homem só tem instintos;
-
quando mais avançado e corrompido, só tem sensações;
-
quando instruído e depurado, tem sentimentos.
E
o ponto delicado do sentimento é o amor, esse sol interior que
condensa e reúne em seu ardente foco todas as aspirações e todas
as revelações sobre-humanas.
-
A lei de amor substitui a personalidade pela fusão dos seres;
-
extingue as misérias sociais.
-
Ditoso aquele que ama do fundo do coração, seus irmãos em
sofrimento!
-
Ditoso aquele que ama, pois não conhece a miséria da alma, nem a do
corpo.
O
Espiritismo vem traz a reencarnação, o triunfo sobre a morte,
revela às criaturas seu patrimônio intelectual.
Em
seu começo, o homem só instintos possui, acha-se mais próximo do
ponto de partida, do que da meta.
A
fim de avançar para a meta, a criatura deve vencer os instintos, em
proveito dos sentimentos, e aperfeiçoar estes últimos, sufocando os
germes latentes da matéria.
Os
instintos são a germinação e os embriões do sentimento; e trazem
consigo o progresso, assim como a semente encerra em si o carvalho.
Os
seres menos adiantados se conservam escravizados aos instintos. O
Espírito precisa ser cultivado, como um campo. Toda a riqueza futura
depende do trabalho de agora que lhe proporcionará muito mais que
os bens terrenos.
É
então que, compreendendo a lei de amor que liga todos os seres,
buscareis nela os gozos suavíssimos da alma, prelúdios das alegrias
celestes. – Lázaro.
(Paris, 1862.)
CAMINHO,
VERDADE E VIDA - cap 136
COISAS
TERRESTRES E CELESTIAIS
“Se vos
tenho falado de coisas terrestres, e não me credes, como crereis se
vos falar das celestiais?
— Jesus.
(JOÃO, capítulo 3, versículo 12.)
No
intercâmbio com o mundo espiritual, é freqüente a reclamação de
certos estudiosos, relativamente à ausência de informações das
entidades comunicantes, no que se refere às particularidades
alusivas às atividades em que se movimentam.
Por
que não se fazem mais explícitos os desencarnados quanto ao novo
gênero de vida a que foram chamados?
Como
serão suas cidades, suas casas, seus processos de relações comuns?
Através de que meios se organizam hierarquicamente? Terão governos
nos moldes terrestres?
Indagam
outros, relativamente às razões pelas quais os cientistas libertos
do plano físico não voltam aos antigos centros de pesquisas e
realizações, vulgarizando métodos de cura para as chamadas
moléstias incuráveis ou revelando invenções novas que acelerem o
progresso mundial.
São
esses os argumentos apressados da preguiça humana.
Se
os Espíritos comunicantes têm tratado quase que somente do material
existente em torno das próprias criaturas terrenas, num curso
metódico de introdução a tarefas mais altas e ainda não puderam
ser integralmente ouvidos, que viria a acontecer se olvidassem
compromissos graves, dando-se ao gosto de comentários prematuros?
É
necessário compreenda o homem que Deus concede os auxílios;
entretanto, cada Espírito é obrigado a talhar a própria glória.
A
grande tarefa do mundo espiritual, em seu mecanismo de relações com
os homens encarnados, não
é a de trazer
conhecimentos sensacionais e extemporâneos, mas
a de ensinar os homens a ler os
sinais
divinos que a vida terrestre contém em si mesma, iluminando-lhes a
marcha para a espiritualidade superior.
Prefácio
do Evangelho
Os
Espíritos do Senhor, que são as virtudes
dos Céus, qual imenso exército que se movimenta ao receber as
ordens do seu comando, espalham-se por toda a superfície da Terra e,
semelhantes a estrelas cadentes, vêm iluminar os caminhos e abrir os
olhos aos cegos.
Eu
vos digo, em verdade, que são chegados os tempos em que todas as
coisas hão de ser restabelecidas no seu verdadeiro sentido, para
dissipar as trevas, confundir
os orgulhosos e glorificar os justos.
As
grandes vozes do Céu ressoam como sons de trombetas, e os cânticos
dos anjos se lhes associam. Nós vos convidamos, a vós homens, para
o divino concerto. Tomai da lira, fazei uníssonas vossas vozes, e
que, num hino sagrado, elas se estendam e repercutam de um extremo a
outro do Universo.
Homens,
irmãos a quem amamos, aqui estamos junto de vós. Amai-vos, também,
uns aos outros e dizei do fundo do coração, fazendo as vontades do
Pai, que está no Céu: Senhor!
Senhor!...
e
podereis entrar no reino dos Céus.
O
ESPÍRITO DE VERDADE
A
VIRTUDE (capitulo XVII Evangelho)
8.
A virtude, no mais alto grau, é o conjunto de todas as
qualidades essenciais que constituem o homem de bem.
Ser
bom, caritativo, laborioso, sóbrio, modesto, são qualidades do
homem virtuoso.
Infelizmente,
quase sempre as acompanham pequenas enfermidades morais que as
desornam e atenuam.
Não
é virtuoso aquele que faz ostentação da sua virtude, pois que lhe
falta a qualidade principal: a modéstia, e tem o vício que
mais se lhe opõe: o orgulho.
A
virtude, verdadeiramente digna desse nome, não gosta de
estadear-se. Adivinham-na; ela, porém, se oculta na obscuridade e
foge à admiração das massas.
S.
Vicente de Paulo era virtuoso;
-eram
virtuosos o digno cura d’Ars e muitos outros quase desconhecidos do
mundo, mas conhecidos de Deus.
Todos esses homens de bem ignoravam que fossem virtuosos; deixavam-se
ir ao sabor de suas santas inspirações e praticavam o bem com
desinteresse, completo e inteiro esquecimento de si mesmos.
À
virtude assim compreendida e praticada é que vos convido, meus
filhos;
-a
essa virtude verdadeiramente cristã e verdadeiramente espírita é
que vos concito a consagrar-vos.
Afastai,
porém, de vossos corações tudo o que seja orgulho, vaidade,
amor-próprio, que sempre desadornam as mais belas qualidades.
Não
imiteis o homem que se apresenta como modelo e trombeteia, ele
próprio, suas qualidades a todos os ouvidos complacentes. A virtude
que assim se ostenta esconde muitas vezes uma imensidade de pequenas
torpezas e de odiosas covardias.
Em
princípio, o homem que se exalça, que ergue uma estátua à sua
própria virtude, anula, por esse simples fato, todo mérito real que
possa ter.
Entretanto,
que direi daquele cujo único valor consiste em parecer o que não é?
Admito de boa mente que o homem que pratica o bem experimenta uma
satisfação íntima em seu coração; mas, desde que tal satisfação
se exteriorize, para colher elogios, degenera em amor-próprio.
Ó
vós todos a quem a fé espírita aqueceu com seus raios, e que
sabeis quão longe da perfeição está o homem, jamais esbarreis em
semelhante escolho. A virtude é uma graça que desejo a todos os
espíritas sinceros. Contudo,
dir-lhes-ei:
Mais
vale pouca virtude com modéstia, do que muita com orgulho. Pelo
orgulho é que as Humanidades sucessivamente se hão perdido; pela
humildade é que um dia elas se hão de redimir. –
François-Nicolas-Madeleine.(Paris, 1863.)
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A conduta é
verdadeiramente moral quando ela corresponde à retidão - isto é, à
positividade - e é benéfica, conquanto possua 100% de valor
evolutivo, seja para si ou para os outros.
EVANGELHO
CAPÍTULO XI
AMAR
AO PRÓXIMO COMO A SÍ MESMO
O
MANDAMENTO MAIOR.
FAZERMOS
AOS OUTROS O QUE QUEIRAMOS QUE OS OUTROS NOS FAÇAM.
PARÁBOLA
DOS CREDORES E DOS DEVEDORES
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1019.
Poderá
jamais implantar-se na Terra o reinado do bem? - (São Luis)
“O
bem reinará na Terra quando, entre os Espíritos que a vêm habitar,
os bons predominarem, porque, então, farão que aí reinem o amor e
a justiça, fonte do bem e da felicidade.
Por
meio do progresso moral e praticando as leis de Deus é que o homem
atrairá para a Terra os bons Espíritos e dela afastará os maus.
Estes, porém, não a deixarão, senão quando daí estejam banidos o
orgulho e o egoísmo.
Predita
foi a transformação da humanidade e vos avizinhais do momento em
que se dará, momento cuja chegada apressam todos os homens que
auxiliam o progresso. Essa transformação se verificará por meio da
encarnação de Espíritos melhores, que
constituirão
na Terra uma geração nova. Então, os Espíritos dos maus, que a
morte vai ceifando dia a dia, e todos os que tentem deter a marcha
das coisas serão daí excluídos, pois que viriam a estar deslocados
entre os homens de bem, cuja felicidade perturbariam. Irão para
mundos novos, menos adiantados, desempenhar missões penosas,
trabalhando pelo seu próprio adiantamento, ao mesmo tempo que
trabalharão pelo de seus irmãos ainda mais atrasados.
Neste banimento de Espíritos da Terra transformada, não percebeis a
sublime alegoria do Paraíso
perdido e,
na vinda do homem para a Terra em semelhantes condições, trazendo
em si o gérmen de suas paixões e os vestígios da sua inferioridade
primitiva, não descobris a não menos sublime alegoria do pecado
original?
Considerado
deste ponto de vista, o
pecado original
se prende à natureza
ainda imperfeita do homem
que, assim, só é responsável por si mesmo, pelas suas próprias
faltas e não pelas de seus pais.
Todos
vós, homens de fé e de boa vontade, trabalhai, portanto, com ânimo
e zelo na grande obra da regeneração, que colhereis pelo cêntuplo
o grão que houverdes semeado.
Ai
dos que fecham os olhos à luz! Preparam para si mesmos longos
séculos de trevas e decepções.
Ai
dos que fazem dos bens deste mundo a fonte de todas as suas alegrias!
Terão que sofrer privações muito mais numerosas do que os gozos de
que desfrutaram! Ai, sobretudo, dos egoístas! Não acharão quem os
ajude a carregar o fardo de suas misérias.”
São
Luís
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Conhecimento
de si mesmo
919.
Qual
o meio prático mais eficaz que tem o homem de se melhorar nesta vida
e de resistir à atração do mal?
“Um
sábio da antiguidade vo-lo disse: Conhece-te
a ti mesmo.”24
a)
Concebemos
toda a sabedoria desta máxima, porém a dificuldade
está
precisamente em cada um conhecer-se a si mesmo. Qual o meio de
consegui-lo?
24
N.E.:
Frase atribuída ao filósofo grego Sócrates (470–399 a.C.).
“fazei
o que eu fazia, quando vivi na Terra: ao fim do dia, interrogava a
minha consciência, passava revista ao que fizera e perguntava a mim
mesmo se não faltara a algum dever, se ninguém tivera motivo para
de mim se queixar..
Aquele
que, todas as noites, evocasse todas as ações que praticara durante
o dia e inquirisse de si mesmo o bem ou o mal que houvera feito,
rogando a Deus e ao seu anjo de guarda que o esclarecessem, grande
força adquiriria para se aperfeiçoar, porque, crede-me, Deus o
assistiria.
Dirigi,
pois, a vós mesmos perguntas, interrogai-vos sobre o que tendes
feito e com que objetivo procedestes em tal ou tal circunstância,
sobre se fizestes alguma coisa que, feita por outrem, censuraríeis,
sobre se obrastes alguma ação que não ousaríeis
confessar.
Perguntai
ainda mais: ‘Se aprouvesse a Deus chamar-me neste momento, teria
que temer o olhar de alguém, ao entrar de novo no mundo dos
Espíritos, onde nada pode ser ocultado?’.
Examinai
o que pudestes ter obrado contra Deus, depois contra o vosso próximo
e, finalmente, contra vós mesmos.
As
respostas vos darão, ou o descanso para a vossa consciência, ou a
indicação de um mal que precise ser curado.
O
conhecimento de si mesmo é, portanto, a chave do progresso
individual.
Direis,
como há de alguém julgar-se a si mesmo?
Não
está aí a ilusão do amor-próprio para atenuar as faltas e
torná-las desculpáveis?
Sei
haver muitos que dizem ser positivo o presente e incerto o futuro.
Ora, esta exatamente a ideia que estamos encarregados de eliminar do
vosso íntimo, visto desejarmos fazer que compreendais esse futuro,
de modo a não restar nenhuma dúvida em vossa alma.
Por
isso foi que primeiro chamamos a vossa atenção por meio de
fenômenos capazes de ferir-vos os sentidos e que agora vos damos
instruções, que cada um de vós se acha encarregado de espalhar.
Com
este objetivo é que ditamos O
livro dos espíritos.”
Santo
Agostinho
Do
Prolegômenos:
….
lembra-te
de que os bons Espíritos só dispensam assistência aos que
servem
a Deus com humildade e desinteresse e que repudiam a todo aquele que
busca na senda do Céu um degrau para conquistar as coisas da Terra;
que
se afastam do orgulhoso e do ambicioso. O orgulho e a ambição serão
sempre uma barreira erguida entre o homem e Deus. São um véu
lançado sobre as claridades celestes, e Deus não pode servir-se do
cego para fazer perceptível a luz.”
João
Evangelista,
Santo
Agostinho,
São
Vicente de Paulo,
São
Luís,
O
Espírito de Verdade,
Sócrates,
Platão,
Fénelon,
Franklin,
Swedenborg,
entre outros.
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Da
perfeição moral
• As
virtudes e os vícios • Paixões • O egoísmo • Caracteres
do
homem de bem • Conhecimento de si mesmo
as
virtudes e os vícios
893.
Qual
a mais meritória de todas as virtudes?
“Toda
virtude tem seu mérito próprio, porque todas indicam progresso na
senda do bem. Há virtude sempre que há resistência voluntária ao
arrastamento dos maus pendores. A sublimidade da virtude, porém,
está no sacrifício do interesse pessoal, pelo bem
do
próximo, sem pensamento oculto.
A
mais meritória é a que assenta na mais desinteressada caridade.”
895.
Postos
de lado os defeitos e os vícios acerca dos quais ninguém se pode
equivocar,
qual o sinal mais característico da imperfeição?
“O
interesse pessoal.
frequentemente, as qualidades morais são como, num objeto de cobre,
a douradura, que não resiste à pedra de toque. Pode um homem
possuir qualidades reais, que levem o mundo a considerá-lo
homem de bem.
mas, essas qualidades, conquanto assinalem um progresso, nem sempre
suportam certas
provas
e
às vezes basta que se fira a corda do interesse pessoal para que o
fundo fique a
descoberto.
O
verdadeiro desinteresse é coisa ainda tão rara na Terra que, quando
se patenteia, todos o admiram como se fora um fenômeno.
O
apego às coisas materiais constitui sinal notório de inferioridade,
porque, quanto mais se aferra aos bens deste mundo, tanto menos
compreende o homem o seu destino. Pelo desinteresse, ao contrário,
demonstra que encara de um ponto mais elevado o futuro.”
896.
Há
pessoas desinteressadas, mas sem discernimento, que prodigalizam seus
haveres sem utilidade real, por lhes não saberem dar emprego
criterioso. Têm algum merecimento essas pessoas?
“Têm
o do desinteresse, porém, não o do bem que poderiam fazer. O
desinteresse é uma virtude, mas a prodigalidade irrefletida
constitui sempre, pelo menos, falta de juízo. A riqueza, assim como
não é dada a uns para ser aferrolhada num cofre forte, também
não
o é a outros para ser dispersada ao vento. Representa um depósito
de que uns e outros terão de prestar contas, porque terão de
responder por todo o bem que podiam fazer e não fizeram, por todas
as lágrimas que podiam ter estancado com o dinheiro que
deram
aos que dele não precisavam.”
897.
Merecerá
reprovação aquele que faz o bem, sem visar a qualquer recompensa na
Terra, mas esperando que lhe seja levado em conta na outra vida e que
lá venha a ser melhor a sua situação? E essa preocupação lhe
prejudicará o progresso?
“O
bem deve ser feito caritativamente, isto é, com desinteresse.”
a)
Contudo,
todos alimentam o desejo muito natural de progredir, para forrar-se à
penosa condição desta vida. Os próprios Espíritos nos ensinam a
praticar o bem com esse objetivo. Será, então, um mal pensarmos
que, praticando o bem, podemos esperar coisa melhor do que temos na
Terra?
“Não,
certamente; mas aquele que faz o bem, sem ideia preconcebida, pelo só
prazer de ser agradável a Deus e ao seu próximo que sofre, já se
acha num certo grau de progresso, que lhe permitirá alcançar a
felicidade muito mais depressa do que seu irmão que, mais positivo,
faz o bem por cálculo e não impelido pelo ardor natural do seu
coração.” (894)
b)
Não
haverá aqui uma distinção a estabelecer-se entre o bem que podemos
fazer ao nosso próximo e o cuidado que pomos em corrigir--nos dos
nossos defeitos? Concebemos que seja pouco meritório fazermos o bem
com a ideia de que nos seja levado em conta na outra vida; mas será
igualmente indício de inferioridade emendarmo-nos,vencermos as
nossas paixões, corrigirmos o nosso caráter, com o propósito
de
nos aproximarmos dos bons Espíritos e de nos elevarmos?
“Não,
não. Quando dizemos — fazer o bem, queremos significar — ser
caridoso. Procede como egoísta todo aquele que calcula o que lhe
possa cada uma de suas boas ações render na vida futura, tanto
quanto na vida terrena. Nenhum egoísmo, porém, há em querer o
homem melhorar-se, para se aproximar de Deus, pois que é o fim para
o qual devem todos tender.”
898.
Sendo
a vida corpórea apenas uma estada temporária neste mundo e devendo
o futuro constituir objeto da nossa principal preocupação, será
útil nos esforcemos por adquirir conhecimentos científicos que só
digam respeito às coisas e às necessidades materiais?
“Sem
dúvida. Primeiramente, isso vos põe em condições de auxiliar os
vossos irmãos; depois, o vosso Espírito subirá mais depressa, se
já houver progredido em inteligência. Nos intervalos das
encarnações, aprendereis numa hora o que na Terra vos exigiria
anos
de aprendizado. Nenhum conhecimento é inútil; todos mais ou menos
contribuem para o progresso, porque o Espírito, para ser perfeito,
tem que saber tudo, e porque, cumprindo que o progresso se efetue em
todos os sentidos, todas as ideias adquiridas
ajudam
o desenvolvimento do Espírito.”
899.
Qual
o mais culpado de dois homens ricos que empregam exclusivamente em
gozos pessoais suas riquezas, tendo um nascido na opulência e
desconhecido sempre a necessidade, devendo o outro ao seu trabalho os
bens que possui?
“Aquele
que conheceu os sofrimentos, porque sabe o que é sofrer.
A
dor, a que nenhum alívio procura dar, ele a conhece; porém, como
frequentemente sucede, já dela se não lembra.”
900.
Aquele
que incessantemente acumula haveres, sem fazer o bem a quem quer que
seja, achará desculpa, que valha, na circunstância de acumular com
o fito de maior soma legar aos seus herdeiros?
“é
um compromisso com a consciência má.”
901.
Figuremos
dois avarentos, um dos quais nega a si mesmo o necessário e morre de
miséria sobre o seu tesouro, ao passo que o segundo só o é para os
outros, mostrando-se pródigo para consigo mesmo; enquanto recua ante
o mais ligeiro sacrifício para prestar um serviço ou fazer qualquer
coisa útil, nunca julga demasiado o que despenda para satisfazer aos
seus gostos ou às suas paixões. Peça-se-lhe um obséquio e estará
sempre em dificuldade para fazê-lo; imagine, porém, realizar uma
fantasia e terá sempre o bastante para isso. Qual o mais culpado e
qual o que se achará em pior situação no mundo dos Espíritos?
“O
que goza, porque é mais egoísta do que avarento. O outro já
recebeu
parte do seu castigo.”
902.
Será
reprovável que cobicemos a riqueza, quando nos anime o desejo de
fazer o bem?
“Tal
sentimento é, não há dúvida, louvável, quando puro. mas será
sempre bastante desinteressado esse desejo? Não ocultará nenhum
intuito de ordem pessoal? Não será de fazer o bem a si mesmo, em
primeiro lugar, que cogita aquele, em quem tal desejo se manifesta?”
903.
Incorre
em culpa o homem, por estudar os defeitos alheios?
“Incorrerá
em grande culpa, se o fizer para os criticar e divulgar, porque será
faltar com a caridade. Se o fizer, para tirar daí proveito, para
evitá-los, tal estudo poderá ser-lhe de alguma utilidade.
Importa,
porém, não esquecer que a indulgência para com os defeitos de
outrem é uma das virtudes contidas na caridade. Antes de censurardes
as imperfeições dos outros, vede se de vós não poderão dizer o
mesmo. Tratai, pois, de possuir as qualidades opostas
aos
defeitos que criticais no vosso semelhante. Esse o meio de vos
tornardes superiores a ele. Se lhe censurais o ser avaro, sede
generosos; se o ser orgulhoso, sede humildes e modestos; se o ser
áspero, sede brandos; se o proceder com pequenez, sede grandes
em
todas as vossas ações. Numa palavra, fazei por maneira que se não
vos possam aplicar estas palavras de Jesus: vê o argueiro no olho do
seu vizinho e não vê a trave no seu próprio.”
Paixões
907.
Será
substancialmente mau o princípio originário das paixões, embora
esteja na natureza?
“Não;
a paixão está no excesso
de
que se acresceu a vontade, visto que o princípio que lhe dá origem
foi posto no homem para o bem, tanto que as paixões podem
levá-lo à realização de grandes coisas. O
abuso que delas se faz é que causa o mal.”
908.
Como
se poderá determinar o limite em que as paixões deixam de ser boas
para se tornarem más?
Uma
paixão se torna perigosa a partir do momento em que deixais de poder
governá-la e que dá em resultado um prejuízo qualquer para vós
mesmos, ou para outrem.”
909.
Poderia
sempre o homem, pelos seus esforços, vencer as suas más
inclinações?
“Sim,
e, frequentemente, fazendo esforços muito insignificantes. O que lhe
falta é a vontade. Ah! quão poucos dentre vós fazem esforços!”
910.
Pode
o homem achar nos Espíritos eficaz assistência para triunfar de
suas paixões?
“Se
o pedir a Deus e ao seu bom gênio, com sinceridade, os bons
Espíritos lhe virão certamente em auxílio, porquanto é essa a
missão deles.” (459)
o
egoísmo
913.
Dentre
os vícios, qual o que se pode considerar radical?
“Temo-lo
dito muitas vezes: o
egoísmo.
Daí deriva todo mal. Estudai todos os vícios e vereis que no fundo
de todos há egoísmo.
Por
mais que lhes deis combate, não chegareis a extirpá-los, enquanto
não atacardes o mal pela raiz, enquanto não lhe houverdes destruído
a causa. Tendam, pois, todos os esforços para esse efeito, porquanto
aí é que está a verdadeira chaga da sociedade.
Quem
quiser, desde esta vida, ir aproximando-se da perfeição moral, deve
expurgar o seu coração de todo sentimento de egoísmo, visto ser o
egoísmo incompatível com a justiça, o amor e a caridade. Ele
neutraliza todas as outras qualidades.”
914.
Fundando-se
o egoísmo no sentimento do interesse pessoal, bem difícil parece
extirpá-lo inteiramente do coração humano. Chegar-se-á a
consegui-lo?
“À
medida que os homens se instruem acerca das coisas espirituais,
menos valor dão às coisas materiais.
Depois, necessário é que se reformem as instituições humanas que
o entretêm e excitam. Isso depende da educação.”
915.
Por
ser inerente à espécie humana, o egoísmo não constituirá sempre
um obstáculo ao reinado do bem absoluto na Terra?
“é
exato que no egoísmo tendes o vosso maior mal, porém ele se prende
à inferioridade dos Espíritos encarnados na Terra e não à
humanidade mesma.
Ora, depurando-se por encarnações sucessivas, os Espíritos se
despojam do egoísmo, como de suas outras impurezas.
917.
Qual
o meio de destruir-se o egoísmo?
“De
todas as imperfeições humanas, o egoísmo é a mais difícil de
desenraizar-se porque deriva da influência da matéria, influência
de que o homem, ainda
muito próximo de sua origem,
não pôde libertar-se e para cujo entretenimento tudo concorre:
O
egoísmo se enfraquecerá à proporção que a vida moral for
predominando sobre a vida material e, sobretudo, com a compreensão,
que o Espiritismo vos faculta, do vosso estado futuro, real
e
não desfigurado por ficções alegóricas.
Fénelon
Caracteres
do homem de bem
918.
Por
que indícios se pode reconhecer em um homem o progresso real que lhe
elevará o Espírito na hierarquia espírita? 23
“O
Espírito prova a sua elevação, quando todos os atos de sua vida
corporal representam a prática da lei de Deus e quando
antecipadamente compreende a vida espiritual.”
O
homem
de bem é o que pratica a lei de justiça, amor e caridade, na sua
maior pureza.
Se
interrogar a própria consciência sobre os atos que praticou,
perguntará
se não transgrediu essa lei,
se
não fez o mal, se fez todo bem que
podia,
se ninguém tem motivos para dele se queixar,
enfim, se fez aos outros o que desejara que lhe fizessem.
Possuído
do sentimento de caridade e de amor ao próximo, faz
o bem pelo bem,
sem contar com qualquer retribuição, e sacrifica seus interesses à
justiça.
é
bondoso, humanitário e benevolente para com todos, porque vê irmãos
em todos os homens, sem distinção de raças, nem de crenças.
Se
Deus lhe outorgou o poder e a riqueza, considera essas coisas como Um
DEPÓSITO, de que lhe cumpre usar para o bem. Delas não se
envaidece, por saber que Deus, que lhas deu, também lhas pode
retirar.
Se
sob a sua dependência a ordem social colocou outros homens, trata-os
com bondade e complacência, porque são seus iguais perante Deus.
Usa
da sua autoridade para lhes levantar o moral e não para os esmagar
com o seu orgulho.
é
indulgente para com as fraquezas alheias,
porque sabe que também precisa da indulgência dos outros e se
lembra destas palavras do Cristo:
Atire
a primeira pedra aquele que estiver sem pecado.
Não
é vingativo.
A exemplo de Jesus,
perdoa as ofensas,
para só se lembrar dos benefícios, pois não ignora que, como
houver perdoado, assim perdoado lhe será.
Respeita
em
seus semelhantes,
todos os direitos que as leis da Natureza lhes concedem, como quer
que os mesmos direitos lhe sejam respeitados.
Conhecimento
de si mesmo Santo
Agostinho
919.
Qual
o meio prático mais eficaz que tem o homem de se melhorar nesta vida
e de resistir à atração do mal?
“Um
sábio da antiguidade vo-lo disse: Conhece-te
a ti mesmo.”
-frase atribuida a Sócrates.
VIDE VERSO
a)
Concebemos
toda a sabedoria desta máxima, porém a dificuldade está
precisamente em cada um conhecer-se a si mesmo. Qual o meio de
consegui-lo?
24
N.E.:
Frase atribuída ao filósofo grego Sócrates (470–399 a.C.).
“fazei
o que eu fazia, quando vivi na Terra: ao fim do dia, interrogava a
minha consciência, passava revista ao que fizera e perguntava a mim
mesmo se não faltara a algum dever, se ninguém tivera motivo para
de mim se queixar. foi assim que cheguei a me conhecer e a ver o que
em mim precisava de reforma.
Aquele que, todas as noites, evocasse todas as ações que praticara
durante o dia e inquirisse de si mesmo o bem ou o mal que houvera
feito, rogando a Deus e ao seu anjo de guarda que o esclarecessem,
grande força adquiriria para se aperfeiçoar, porque, crede-me, Deus
o assistiria. Dirigi, pois, a vós mesmos perguntas, interrogai-vos
sobre o que tendes feito e com que objetivo procedestes em tal ou tal
circunstância, sobre se fizestes alguma coisa que, feita por outrem,
censuraríeis, sobre se obrastes alguma ação que não ousaríeis
confessar. Perguntai ainda mais: ‘Se aprouvesse a Deus chamar-me
neste momento, teria que temer o olhar de alguém, ao entrar de novo
no mundo dos Espíritos, onde nada pode ser ocultado?’.
Examinai
o que pudestes ter obrado contra Deus, depois contra o vosso próximo
e, finalmente, contra vós mesmos. As respostas vos darão, ou o
descanso para a vossa consciência, ou a indicação de um mal que
precise ser curado.
O
conhecimento de si mesmo é, portanto, a chave do progresso
individual.
Direis,
como há de alguém julgar-se a si mesmo? Não está aí a ilusão do
amor-próprio para atenuar as faltas e torná-las desculpáveis?
O
avarento se considera apenas econômico e previdente;
o
orgulhoso julga que em si só há dignidade. Isto é muito real, mas
tendes um meio de verificação que não pode iludir-vos. Quando
estiverdes indecisos sobre o valor de uma de vossas ações, inquiri
como a qualificaríeis, se praticada por outra pessoa. Se a censurais
noutrem, não na podereis ter por legítima quando fordes o seu
autor, pois que Deus não usa de duas medidas na aplicação de sua
justiça. Procurai também saber o que dela pensam os vossos
semelhantes e não desprezeis a opinião dos vossos inimigos,
porquanto
esses
nenhum interesse têm em mascarar a verdade e Deus muitas vezes os
coloca ao vosso lado como um espelho, a fim de que sejais advertidos
com mais franqueza do que o faria um amigo. Perscrute,
conseguintemente, a sua consciência aquele que se sinta possuído do
desejo sério de melhorar-se, a fim de extirpar de si os maus
pendores,
como
do seu jardim arranca as ervas daninhas; dê balanço no seu dia
moral para, a exemplo do comerciante, avaliar suas perdas e seus
lucros e eu vos asseguro que a conta destes será mais avultada que a
daquelas. Se puder dizer que foi bom o seu dia, poderá dormir em paz
e aguardar sem receio o despertar na outra vida.
formulai,
pois, de vós para convosco, questões nítidas e precisas e não
temais multiplicá-las. Justo é que se gastem alguns minutos para
conquistar uma felicidade eterna. Não trabalhais todos os dias com o
fito de juntar haveres que vos garantam repouso na
velhice?
Não constitui esse repouso o objeto de todos os vossos desejos, o
fim que vos faz suportar fadigas e privações temporárias?
Santo
Agostinho
O
DEVER NO LIVRO DOS ESPÍRITOS
205.
A
algumas pessoas a doutrina da reencarnação se afigura destruidora
dos
laços de família, com o fazê-los anteriores à existência atual.
“Ela
os distende; não os destrói. fundando-se o parentesco em afeições
anteriores, menos precários são os laços existentes entre os
membros de uma mesma família. Essa doutrina amplia os deveres
da
fraternidade, porquanto, no vosso vizinho, ou no vosso
servo,
pode achar-se um Espírito a quem tenhais estado presos pelos laços
da consanguinidade.”
210.
Pelos
seus pensamentos e preces podem os pais atrair para o corpo, em
formação,
do filho um bom Espírito, de preferência a um inferior?
“Não,
mas podem melhorar o Espírito do filho que lhes nasceu e
está
confiado. Esse o dever
deles. Os maus filhos são uma provação para os pais.”
268.
Até
que chegue ao estado de pureza perfeita, tem o Espírito que passar
constantemente por provas?
“Sim,
mas que não são como o entendeis, pois que só considerais provas
as tribulações materiais. Ora, havendo-se elevado a um certo grau,
o Espírito, embora não seja ainda perfeito, já não tem que sofrer
provas. Continua, porém, sujeito a deveres
nada penosos, cuja satisfação lhe auxilia o aperfeiçoamento, mesmo
que
consistam
apenas em auxiliar os outros a se aperfeiçoarem.”
559.
Também
desempenham função útil no Universo os Espíritos inferiores e
imperfeitos?
“Todos
têm deveres
a
cumprir.
Para a construção de um edifício, não concorre tanto o último
dos serventes de pedreiro, como o arquiteto?” (540)
582.
Pode-se
considerar como missão a paternidade?
“é,
uma verdadeira missão. é ao mesmo tempo grandíssimo dever e que
envolve, mais do que o pensa o homem, a sua responsabilidade quanto
ao futuro.
Deus
colocou o filho sob a tutela dos pais, a fim de que estes o dirijam
pela senda do bem, e lhes facilitou a tarefa dando àquele uma
organização débil e delicada, que o torna propício a todas as
impressões.
647.
A
Lei de Deus
se acha contida toda no preceito do amor ao próximo, ensinado por
Jesus?
“Certamente.
Esse preceito
encerra
todos os deveres dos homens uns para com os outros.
Cumpre, porém, se lhes mostre a aplicação que comporta, do
contrário deixarão de cumpri-lo, como o fazem presentemente.
Ademais, a lei natural abrange todas as circunstâncias da vida e
esse preceito compreende só uma parte da lei. Aos homens são
necessárias regras precisas; os preceitos gerais e muito vagos
deixam grande número de portas abertas à interpretação.”
657.
Têm,
perante Deus, algum mérito os que se consagram à vida
contemplativa, uma vez que nenhum mal fazem e só em Deus pensam?
“Não,
porquanto, se é certo que não fazem o mal, também o é que não
fazem o bem e são inúteis. Ademais, não fazer o bem já é um mal.
Deus quer que o homem pense nele, mas não quer que só nele pense,
pois que lhe impôs
deveres a cumprir na Terra.
Quem
passa todo o tempo na meditação e na contemplação nada faz de
meritório aos olhos de Deus, porque vive uma vida toda pessoal e
inútil à humanidade e Deus lhe pedirá contas do bem que não
houver feito.” (640)
877.
Da
necessidade que o homem tem de viver em sociedade, nascem-lhe
obrigações especiais?
“Certo
e a primeira de todas é a de respeitar os direitos de seus
semelhantes.
Aquele
que respeitar esses direitos procederá sempre com justiça.
No
vosso mundo, porque a maioria dos homens não pratica a lei de
justiça, cada um usa de represálias.
Essa
a causa da perturbação e da confusão em que vivem as sociedades
humanas.
A
vida social outorga direitos e impõe deveres
recíprocos.”