segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

A IMPORTÃNCIA DO PERDÃO INCONDICIONAL - Colhem-se uvas nos espinheiros ?

 

Devido aos diversos graus de desenvolvimento espiritual dos habitantes do planeta, encontramos irmãos que ainda não conseguem entender o mecanismo do perdão.

É importante, para que a compreensão se estenda a todos, que não seja feita distinção da condição de encarnado ou desencarnado, de vez que devido a cada um de nós constituir uma INDIVIDUALIDADE que transita nos dois mundos vestindo diversas personalidades.

À cada existência, uma personalidade, porém mantendo, na sua intimidade, as aquisições da INDIVIDUALIDADE.  É assim, dá-se a evolução, sendo necessárias muitas existências para que seja atingido um nível que vai possibilitando a transitar em planos conscienciais mais elevados, ainda que encarnada esteja a dita individualidade.

Uma ferramenta imprescindível a alcançar a vitória é o entendimento, assimilação e aplicação do PERDÃO INCONDICIONAL DAS OFENSAS. Não é uma tarefa fácil, mas felizmente, temos ao nosso lado as forças do bem, prontas a nos servir, porém, para que entendamos definitivamente como elas podem ser nossas aliadas, necessário se torna que tenhamos a mente limpa e preparada para assimilar os ensinamentos do mestre Jesus, perdoando sempre, sem limitações, e, também, mantendo sempre viva em nossa mente, a máxima de que NÃO SOMOS DAQUI, ESTAMOS DE PASSAGEM, EM PROVAS OU EXPIANDO de  nossas falhas acumuladas na ficha consciencial, como nos mostra o exemplo do capítulo 31 do livro NOSSO LAR, nada fica escondido

No livro Nosso Lar, no capítulo 31,  tem a passagem onde podemos aproveitar lição preciosa da JUSTIÇA DIVINA, que é ampla, o perdão é concedido, mas há condições que devem ser preenchidas.  Vou postar todo o texto para melhor compreensão: 

 
31
VAMPIRO
Eram vinte e uma horas. Ainda não havíamos descansado, senão em
momentos de palestra rápida, necessária à solução de problemas
espirituais. Aqui, um doente pedia alívio; ali, outro necessitava passes de
reconforto. Quando fomos atender a dois enfermos, no Pavilhão 11, escutei
gritaria próxima. Fiz instintivo movimento de aproximação, mas Narcisa
deteve-me, atenciosa:
 

- Não prossiga - disse -; localizam-se ali os desequilibrados do sexo. O
quadro seria extremamente doloroso para seus olhos. Guarde essa emoção
para mais tarde.
Não insisti. Entretanto, fervilhavam-me no cérebro mil interrogações.
Abrira-se um mundo novo à minha pesquisa intelectual. Era indispensável
recordar o conselho da genitora de Lísias, a cada momento, para não me
desviar da obrigação justa.
Logo após às vinte e uma horas, chegou alguém dos fundos do
enorme parque. Era um homenzinho de semblante singular, evidenciando a
condição de trabalhador humilde. Narcisa recebeu-o com gentileza, perguntando:
- Que há, Justino? Qual é a sua mensagem?
O operário, que integrava o corpo de sentinelas das Câmaras de
Retificação, respondeu, aflito:
- Venho participar que uma infeliz mulher está pedindo socorro, no
grande portão que dá para os campos de cultura. Creio tenha passado
despercebida aos vigilantes das primeiras linhas.
- E por que não a atendeu? - interrogou a enfermeira.
O servidor fez um gesto de escrúpulo e explicou:
- Segundo as ordens que nos regem, não pude fazê-lo, porque a
pobrezinha está rodeada de pontos negros.
- Que me diz? - revidou Narcisa, assustada.
- Sim, senhora.
- Então, o caso é muito grave.
Curioso, segui a enfermeira, através do campo enluarado. A distância
não era pequena. Lado a lado, via-se o arvoredo tranqüilo do parque muito
extenso, agitado pelo vento caricioso. Havíamos percorrido mais de um
quilômetro, quando atingimos a grande cancela a que se referira o
trabalhador.
Deparou-se-nos, então, a miserável figura da mulher que implorava
socorro do outro lado. Nada vi, senão o vulto da infeliz, coberta de andrajos,
rosto horrendo e pernas em chaga viva; mas Narcisa parecia divisar outros
detalhes, imperceptíveis ao meu olhar, dado o assombro que estampou na
fisionomia, ordinariamente calma.
- Filhos de Deus - bradou a mendiga ao avistar-nos -, dai-me abrigo à
alma cansada! Onde está o paraíso dos eleitos, para que eu possa fruir a paz desejada.
Aquela voz lamuriosa sensibilizava-me o coração. Narcisa, por sua
vez, mostrava-se comovida, mas falou em tom confidencial:
- Não está vendo os pontos negros?
- Não - respondi.
- Sua visão espiritual ainda não está suficientemente educada.
E, depois de ligeira pausa, continuou:
- Se estivesse em minhas mãos, abriria imediatamente a nossa porta;
mas, quando se trata de criaturas nestas condições, nada posso resolver
por mim mesma. Preciso recorrer ao Vigilante-Chefe, em serviço.
Assim dizendo, aproximou-se da infeliz e informou, em tom fraterno:
- Faça o obséquio de esperar alguns minutos.
Voltamos apressadamente ao interior. Pela primeira vez, entrei em
contacto com o diretor das sentinelas das Câmaras de Retificação. Narcisa
apresentou-me e notificou-lhe a ocorrência. Ele esboçou um gesto
significativo e ajuntou:
- Fez muito bem, comunicando-me o fato. Vamos até lá.
Dirigimo-nos os três para o local indicado.
Chegados à cancela, o Irmão Paulo, orientador dos vigilantes,
examinou atentamente a recém-chegada do Umbral, e disse:
- Está mulher, por enquanto, não pode receber nosso socorro. Tratase
de um dos mais fortes vampiros que tenho visto até hoje. É preciso
entregá-la à própria sorte

Senti-me escandalizado. Não seria faltar aos deveres cristãos
abandonar aquela sofredora ao azar do caminho? Narcisa, que me pareceu
compartilhar da mesma impressão, adiantou-se suplicante:
- Mas, Irmão Paulo, não há um meio de acolhermos essa miserável
criatura nas Câmaras?
- Permitir essa providência - esclareceu ele -, seria trair minha função
de vigilante.
E indicando a mendiga que esperava a decisão, a gritar impaciente,
exclamou para a enfermeira:
- Já notou, Narcisa, alguma coisa além dos pontos negros?
Agora, era minha instrutora de serviço que respondia negativamente.
- Pois vejo mais - respondeu o Vigilante-Chefe.
Baixando o tom de voz, recomendou:
- Conte as manchas pretas.
Narcisa fixou o olhar na infeliz e respondeu, após alguns instantes:
- Cinqüenta e oito.
O Irmão Paulo, com a paciência dos que sabem esclarecer com amor,
explicou:
- Esses pontos escuros representam cinqüenta e oito crianças
assassinadas ao nascerem. Em cada mancha vejo a imagem mental de uma
criancinha aniquilada, umas por golpes esmagadores, outras por asfixia.
Essa desventurada criatura foi profissional de ginecologia. A pretexto de
aliviar consciências alheias, entregava-se a crimes nefandos, explorando a
infelicidade de jovens inexperientes. A situação dela é pior que a dos
suicidas e homicidas, que, por vezes, apresentam atenuantes de vulto.

Recordei, assombrado, os processos da medicina, em que muitas
vezes enxergara, de perto, a necessidade da eliminação de nascituros para
salvar o organismo materno, nas ocasiões perigosas; mas, lendo-me o
pensamento, o Irmão Paulo acrescentou:
- Não falo aqui de providências legítimas, que constituem aspectos
das provações redentoras, refiro-me ao crime de assassinar os que
começam a trajetória na experiência terrestre, com o direito sublime da vida.
Demonstrando a sensibilidade das almas nobres, Narcisa rogou:
- Irmão Paulo, também eu já errei muito no passado. Atendamos a esta
desventurada. Se me permite, eu lhe dispensarei cuidados especiais.
- Reconheço, minha amiga - respondeu o diretor da vigilância,
impressionando pela sinceridade -, que todos somos espíritos endividados;
entretanto, temos a nosso favor o reconhecimento das próprias fraquezas e
a boa-vontade de resgatar nossos débitos; mas esta criatura, por agora,
nada deseja senão perturbar quem trabalha. Os que trazem os sentimentos
calejados na hipocrisia emitem forças destrutivas. Para que nos serve aqui
um serviço de vigilância?
E, sorrindo expressivamente, exclamou:
- Busquemos a prova.
O Vigilante-Chefe aproximou-se, então, da pedinte e perguntou:
- Que deseja a irmã, do nosso concurso fraterno?
- Socorro! socorro! socorro!... - respondeu lacrimosa.
- Mas, minha amiga - ponderou acertadamente -, é preciso sabermos
aceitar o sofrimento retificador. Por que razão tantas vezes cortou
a vida a entezinhos frágeis, que iam à luta com a permissão de Deus?
Ouvindo-o, inquieta, ela exibiu terrível carantonha de ódio e bradou:
- Quem me atribui essa infâmia? Minha consciência está tranqüila,
canalha!... Empreguei a existência auxiliando a maternidade na Terra. Fui
caridosa e crente, boa e pura...
- Não é isso que se observa na fotografia viva dos seus pensamentos
e atos. Creio que a irmã ainda não recebeu, nem mesmo o benefício do
remorso. Quando abrir sua alma às bênçãos de Deus, reconhecendo as
necessidades próprias, então, volte até aqui.
Irada, respondeu a interlocutora:
- Demônio! Feiticeiro! Sequaz de Satã!... Não voltarei jamais!... Estou
esperando o céu que me prometeram e que espero encontrar.
Assumindo atitude ainda mais firme, falou o Vigilante-Chefe com
autoridade:
- Faça, então, o favor de retirar-se. Não temos aqui o céu que deseja.
Estamos numa casa de trabalho, onde os doentes reconhecem o seu mal e
tentam curar-se, junto de servidores de boa-vontade.
A mendiga objetou atrevidamente:
- Não lhe pedi remédio, nem serviço. Estou procurando o paraíso que
fiz por merecer, praticando boas obras.
E, endereçando-nos dardejante olhar de extrema cólera, perdeu o
aspecto de enferma ambulante, retirando-se a passo firme, como quem
permanece absolutamente senhor de si
Acompanhou-a o Irmão Paulo com o olhar, durante longos minutos, e,
voltando-se para nós, acrescentou:

- Observaram o Vampiro? Exibe a condição de criminosa e declara-se
inocente; é profundamente má e afirma-se boa e pura; sofre
desesperadamente e alega tranqüilidade; criou um inferno para si própria e
assevera que está procurando o céu.
Ante o silêncio com que lhe ouvíamos a lição, o Vigilante-Chefe
rematou:
- É imprescindível tomar cuidado com as boas ou más aparências.
Naturalmente, a infeliz será atendida alhures pela Bondade Divina, mas, por
princípio de caridade legítima, na posição em que me encontro, não lhe
poderia abrir nossas portas.


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                                         O PERDÃO
                      Irmão X - Humberto de Campos

As primeiras peregrinações do Cristo e de seus discípulos, em torno do lago, haviam
alcançado inolvidáveis triunfos. Eram doentes atribulados que agradeciam o alívio buscado
ansiosamente; trabalhadores humildes que se enchiam de santas consolações ante as
promessas divinas da Boa Nova.

Aquelas atividades, entretanto, começaram a despertar a reação dos judeus
rigoristas, que viam em Jesus um perigoso revolucionário. O amor que o profeta nazareno
pregava vinha quebrar antigos princípios da lei judaica. Os senhores da terra observavam
cuidadosamente as palestras dos escravos, que permutavam imenso júbilo, proveniente das esperanças num novo reino que não chegavam a compreender. Os mais egoístas pretendiam ver no profeta generoso um conspirador vulgar, que desejava levantar as iras populares contra a dominação de Herodes; outros presumiam na sua figura um feiticeiro incomum, que era preciso evitar.

Foi assim que a viagem do Mestre a Nazaré redundou numa excursão de grandes
dificuldades, provocando de sua parte as observações quase amargas que se encontram no
Evangelho, com respeito ao berço daqueles que o deveriam guardar no santuário do coração.
Não foram poucos os adversários de suas idéias renovadoras que o precederam na cidade
minúscula, buscando neutralizar-lhe a ação por meio de falsas notícias e desmoralizá-lo,
argumentando com informações mal alinhavadas de alguns nazarenos.
Jesus sentiu de perto a delicadeza a situação que se lhe criara com a primeira
investida dos inimigos gratuitos de sua doutrina; mas, aproveitou todas as oportunidades para as melhores ilações na esfera do ensinamento.
 

No entanto, o mesmo não aconteceu a seus discípulos. Filipe e Simão Pedro
chegaram a questionar seriamente com alguns senhores da região, trocando palavras ásperas, em torno das edificações do Messias. As gargalhadas irônicas, as apreciações menos dignas lhes acendiam no ânimo propósitos impulsivos de defesas apaixonadas. Não faltavam os que viam no Senhor um servo ativo do espírito do mal, um inimigo de Moisés, um assecla de príncipes desconhecidos, ou de traidores ao poder político de Antipas. Tamanhas foram as discussões em Nazaré, que os seus reflexos nocivos se faziam sentir fortemente sobre toda a comunidade dos discípulos. Pedro e André advogavam a causa o Mestre com expressões incisivas e sinceras. Tiago aborrecia-se com a análise dos companheiros. Levi protestava, expressando o desejo de instituir debates públicos, de maneira a evidenciar-se a superioridade dos ensinos do Messias, em confronto com os velhos textos.
Jesus compreendeu os acontecimentos e, calmamente, ordenou a retirada, afastando-se
da cidade com tranqüilo sorriso.
Não obstante a determinação e apesar do regresso a Cafarnaum, a maioria dos
apóstolos prosseguiu em discussão, estranhando que o Mestre nada fizesse, reagindo contra as envenenadas insinuações a seu respeito.
***
Daí a alguns dias, obedecendo às circunstâncias ocorrentes naquela situação, Pedro e
Filipe procuraram avistar-se com o Senhor, ansiosos pela claridade dos seus ensinos.
– Mestre, chamaram-vos servo de Satanás e reagimos prontamente! dizia Pedro,
com sinceridade ingênua.
– Observávamos que por vós mesmo nunca oporíeis a contradita – ajuntava Filipe,
convicto de haver prestado excelente serviço ao Mestre bem-amado – e por isso revidamos
aos ataques com a maior força de nossas expressões.

Não obstante o calor daquelas afirmativas, Jesus meditava com uma doce placidez
no olhar profundo, enquanto os interlocutores o contemplavam, ansiando pela sua palavra de franqueza e de amor.
Afinal, saindo de suas reflexões silenciosas, o Mestre interrogou:

– Acaso poderemos colher uvas nos espinheiros? De modo algum me empenharia
em Nazaré numa contradita estéril aos meus opositores. Contudo, procurei ensinar que a
melhor réplica é sempre a do nosso próprio trabalho, do esforço útil que nos seja possível.
Nesse particular, não deixei de operar na minha esfera de ação, de modo a produzir resultados a nossa excursão à cidade vizinha, tornando-a proveitosa, sem desdenhar as palavras construtivas no instante oportuno. De que serviriam as longas discussões públicas, inçadas de doestos e zombarias? Ao termo de todas elas, teríamos apenas menores probabilidades para o triunfo glorioso do amor e maiores motivos para a separatividade e odiosas dissensões. Só devemos dizer aquilo que o coração pode testificar mediante atos sinceros, porque, de outra forma, as afirmações são simples ruído sonoro de uma caixa vazia.

– Mestre – atalhou Filipe, quase com mágoa –, a verdade é que a maioria de quantos
compareceram às pregações de Nazaré falava mal de vós!

– Mas, não será vaidade exigirmos que toda gente faça de nossa personalidade
elevado conceito? – interrogou Jesus com energia e serenidade.

– Nas ilusões que as criaturas da Terra inventaram para a sua própria vida, nem
sempre constitui bom atestado da nossa conduta o falarem todos bem de nós, indistintamente.
Agradar a todos é marchar pelo caminho largo, onde estão as mentiras da convenção. Servir a Deus é tarefa que deve estar acima de tudo e, por vezes, nesse serviço divino, é natural que desagrademos aos mesquinhos interesses humanos. Filipe, sabes de algum emissário de Deus que fosse bem apreciado no seu tempo? Todos os portadores da verdade do céu são incompreendidos de seus contemporâneos. Portanto, é indispensável consideremos que o conceito justo é respeitável, mas, antes dele, necessitamos obter a aprovação legítima da consciência, dentro de nossa lealdade para com Deus.

– Mestre – obtemperou Simão Pedro, a quem as explicações da hora calavam
profundamente –, nos acontecimentos mais fortes da vida, não deveremos, então, utilizar as palavras enérgicas e justas?
 

– Em toda circunstância, convém naturalmente que se diga o necessário, porém, é
também imprescindível que não se perca tempo.
Deixando transparecer que as elucidações não lhe satisfaziam plenamente, perguntou
Filipe:

– Senhor, vossos esclarecimentos são indiscutíveis; entretanto, preciso acrescentar
que alguns dos companheiros se revelaram insuportáveis nessa viagem a Nazaré: uns me
acusaram de brigão e desordeiro; outros, de mau entendedor de vossos ensinamentos. Se os próprios irmãos da comunidade apresentam essas falhas, como há de ser o futuro do
Evangelho?

O Mestre refletiu um momento e retrucou:

– Estas são perguntas que cada discípulo deve fazer a si mesmo. Mas, com respeito à
comunidade, Filipe, pelo que me compete esclarecer, cumpre-me perguntar-te se já edificaste o reino de Deus no íntimo do teu espírito.

– É verdade que ainda não – respondeu, hesitante, o apóstolo.

– De dentro dessa realidade, podes observar que, se o nosso colégio fosse
constituído de irmãos perfeitos, teria deixado de ser irrepreensível pela adesão de um amigo que ainda não houvesse conquistado a divina edificação.

Ambos os discípulos compreenderam e se puseram a meditar, enquanto o Cristo
continuava:

– O que é indispensável é nunca perdermos de vista o nosso próprio trabalho,
sabendo perdoar com verdadeira espontaneidade de coração. Se nos labores da vida um
companheiro nos parece insuportável, é possível que também algumas vezes sejamos
considerados assim. Temos que perdoar aos adversários, trabalhar pelo bem dos nossos
inimigos, auxiliar os que zombam da nossa fé.
 

Nesse ponto de suas afirmativas, Pedro atalhou-o, dizendo:

Mas, para perdoar não deveremos aguardar que o inimigo se arrependa? E que
fazer, na hipótese de o malfeitor assumir a atitude dos lobos sob a pele da ovelha?

– Pedro, o perdão não exclui a necessidade da vigilância, como o amor não
prescinde da verdade. A paz é um patrimônio que cada coração está obrigado a defender, para bem trabalhar no serviço divino que lhe foi confiado. Se o nosso irmão se arrepende e procura o nosso auxílio fraterno, amparemo-lo com as energias que possamos despender; mas, em nenhuma circunstância cogites de saber se o teu irmão está arrependido. Esquece o mal e trabalha pelo bem. Quando ensinei que cada homem deve conciliar-se depressa com o adversário, busquei salientar que ninguém pode ir a Deus com um sentimento de odiosidade no coração. Não poderemos saber se o nosso adversário está disposto à conciliação; todavia, podemos garantir que nada se fará sem a nossa boa vontade e pleno esquecimento dos males recebidos. Se o irmão infeliz se arrepender, estejamos sempre dispostos a ampará-lo e, a todo momento, precisamos e devemos olvidar o mal.
Foi quando, então, fez Simão Pedro a sua célebre pergunta:

– “Senhor, quantas vezes pecará meu irmão contra mim, que lhe hei de perdoar?
Será até sete vezes?”
Jesus respondeu-lhe, calmamente:

– Não te digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete.
***

Daí por diante, o Mestre sempre aproveitou as menores oportunidades para ensinar a
necessidade do perdão recíproco, entre os homens, na obra sublime da redenção.
Acusado de feiticeiro, de servo de Satanás, de conspirador, Jesus demonstrou, em
todas as ocasiões, o máximo de boa vontade para com os espíritos mais rasteiros de seu
tempo. Sem desprezar a boa palavra, no instante oportuno, trabalhou a todas as horas pela
vitória do amor, com o mais alto idealismo construtivo. E no dia inesquecível do Calvário, em frente dos seus perseguidores e verdugos, revelando aos homens ser indispensável a imediata conciliação entre o espírito e a harmonia da vida, foram estas as suas últimas palavras:
– “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem!...”

Do livro “Boa Nova”. Psicografia de Francisco Cândido Xavier.

COMUNHÃO COM DEUS - PRECE

Caros irmãos, trago este valioso e oportuno ensinamento.

 

COMUNHÃO COM DEUS
Irmão X - Humberto de Campos
As elucidações do Mestre, relativamente à oração, sempre encontravam nos
discípulos certa perplexidade, quase que invariavelmente em virtude das idéias novas que
continham, acerca da concepção de Deus como Pai carinhoso e amigo. Aquela necessidade de comunhão com o seu amor, que Jesus não se cansava de salientar, lhes aparecia como
problema obscuro, que o homem do mundo não conseguiria realizar.
A esse tempo, os essênios constituíam um agrupamento de estudiosos das ciências
da alma, caracterizando as suas atividades de modo diferente, porque sem públicas
manifestações de seus princípios. Desejoso de satisfazer à curiosidade própria, João procurou conhecer-lhes, de perto, os pontos de vista, em matéria das relações da comunidade com Deus e, certo dia, procurou o Senhor, de modo a ouvi-lo mais amplamente sobre as dúvidas que lhe atormentavam o coração:
 

- Mestre - disse ele, solícito -, tenho desejado sinceramente compreender os meus
deveres atinentes à oração, mas sinto que minh’alma está tomada de certas hesitações. Anseio por esta comunhão perene com o Pai; todavia, as idéias mais antagônicas se opõem aos meus desejos. Ainda agora, manifestando meu pensamento, acerca de minhas necessidades espirituais, a um amigo que se instrui com os essênios, asseverou-me ele que necessito compreender que toda edificação espiritual se deve processar num plano oculto. Mas, suas observações me confundiram ainda mais. Como poderei entender isso? Devo, então, ocultar o que haja de mais santo em meu coração?
 

O Messias, arrancado de suas meditações, respondeu com brandura:
 

- João, todas as dúvidas que te assaltam se verificam pelo motivo de não haveres
compreendido, até agora, que cada criatura tem um santuário no próprio espírito, onde a
sabedoria e o amor de Deus se manifestam, através das vozes da consciência. Os essênios
levam muito longe a teoria do labor oculto, pois, antes de tudo, precisamos considerar que a verdade e o bem devem ser patrimônio de toda a Humanidade em comum. No entanto, o que é indispensável é saber dar a cada criatura, de acordo com as suas necessidades próprias. Nesse ponto, estão muito certos quanto ao zelo que os caracteriza, porque os ungüentos reservados a um ferido não se ofertam ao faminto que precisa de pão. Também eu tenho afirmado que não poderei ensinar tudo o que desejara aos meus discípulos, sendo compelido a reservar outras lições do Evangelho do Reino para o futuro, quando a magnanimidade divina permitir que a voz do Consolador se faça ouvir entre os homens sequiosos de conhecimento. Não tens observado o número de vezes em que necessito recorrer a parábolas para que a revelação não ofusque o entendimento geral? No que se refere à comunhão de nossas almas com Deus, não me esqueci de recomendar que cada espírito ore no segredo do seu íntimo, no silêncio de suas esperanças e aspirações mais sagradas. É que cada criatura deve estabelecer o seu próprio caminho para mais alto, erguendo em si mesma o santuário divino da fé e da confiança, onde interprete sempre a vontade de Deus, com respeito ao seu destino. A comunhão da criatura com o Criador é, portanto, um imperativo da existência e a prece é o luminoso caminho entre
o coração humano e o Pai de infinita bondade.

O apóstolo escutou as observações do Mestre, parecendo meditar austeramente.
Entretanto, obtemperou:
 

- Mas, a oração deve ser louvor ou súplica?

Ao que Jesus respondeu com bondade:
 

- Por prece devemos interpretar todo ato de relação entre o homem e Deus. Devido a
isso mesmo, como expressão de agradecimento ou de rogativa, a oração é sempre um esforço da criatura em face da Providência Divina. Os que apenas suplicam podem ser ignorantes, os que louvam podem ser somente preguiçosos. Todo aquele, porém, que trabalha pelo bem, com as suas mãos e com o seu pensamento, esse é o filho que aprendeu a orar, na exaltação ou na rogativa, porque em todas as circunstâncias será fiel a Deus, consciente de que a vontade do Pai é mais justa e sábia do que a sua própria.

 

- E como ser leal a Deus, na oração? - interrogou o apóstolo, evidenciando as suas
dificuldades intelectuais. - A prece já não representa em si mesma um sinal de confiança?
Jesus contemplou-o com a sua serenidade imperturbável e retrucou:
 

- Será que também tu não entendes? Não obstante a confiança expressa na oração e a
fé tributada à providência superior, é preciso colocar acima delas a certeza de que os desígnios celestiais são mais sábios e misericordiosos do que o capricho próprio; é necessário que cada um se una ao Pai, comungando com a sua vontade generosa e justa, ainda que seja contrariado em determinadas ocasiões. Em suma, é imprescindível que sejamos de Deus. Quanto às lições dessa fidelidade, observemos a própria natureza, em suas manifestações mais simples. Dentro dela, agem as leis de Deus e devemos reconhecer que todas essas leis correspondem à sua amorosa sabedoria, constituindo-se suas servas fiéis, no trabalho universal. Já ouviste falar, alguma vez, que o Sol se afastou do céu, cansado da paisagem escura da Terra, alegando a necessidade de repousar? A pretexto de indispensável repouso, teriam as águas privado o globo de seus benefícios, em certos anos? Por desagradável que seja em suas características, a tempestade jamais deixou de limpar as atmosferas. Apesar das lamentações dos que não suportam a umidade, a chuva não deixa de fecundar a terra! João, é preciso aprender com as leis da natureza a fidelidade a Deus! Quem as acompanha, no mundo, planta e colhe com abundância. Observar a lealdade para com o Pai é semear e atingir as mais formosas searas da alma no infinito. Vê, pois, que todo o problema da oração está em edificarmos o reino do céu entre os sentimentos de nosso íntimo, compreendendo que os atributos divinos se encontram
também em nós.
O apóstolo guardou aqueles esclarecimentos, cheio de boa vontade no sentido de
alcançar a sua perfeita compreensão.
 

- Mestre - confessou, respeitoso -, vossas elucidações abrem uma estrada nova para
minh’alma; contudo, eu vos peço, com a sinceridade da minha afeição, me ensineis, na
primeira oportunidade, como deverei entender que Deus está igualmente em nós.
 

O Messias fixou nele o olhar translúcido e, deixando perceber que não poderia ser
mais explícito com o recurso das palavras, disse apenas:
 

- Eu to prometo.
 

A conversação que vimos de narrar verificara-se nas cercanias de Jerusalém, numa
das ausências eventuais do Mestre do círculo bem-amado de sua família espiritual em
Cafarnaum.
 

No dia seguinte, Jesus e João demandaram Jericó, a fim de atender ao programa de
viagem organizado pelo primeiro.
 

Na excursão a pé, ambos se entretinham em admirar as poucas belezas do caminho,
escassamente favorecido pela Natureza. A paisagem era árida e as árvores existentes
apresentavam as frondes recurvadas, entremostrando a pobreza da região, que não lhes
incentivava o desenvolvimento.

Não longe de uma pequena herdade, o Mestre e o apóstolo encontraram um rude
lavrador, cavando grande poço à beira do caminho. Bagas de suor lhe desciam da fronte; mas, seus braços fortes iam e vinham à terra, na ânsia de procurar o líquido precioso.
 

Ante aquele quadro, Jesus estacionou com o discípulo, a pretexto de breve descanso,
e, revelando o interesse que aquele esforço lhe despertava, perguntou ao trabalhador:
 

- Amigo, que fazes?
 

- Busco a água que nos falta - redargüiu com um sorriso o interpelado.
- A chuva é assim tão escassa nestas paragens? - tornou Jesus, evidenciando afetuoso
cuidado.
- Sim, nas proximidades de Jericó, ultimamente, a chuva se vem tornando uma
verdadeira graça de Deus.
 

O homem do campo prosseguiu no seu trabalho exaustivo; mas, apontando para ele,
o Messias disse a João, em tom amigo:
Este quadro da Natureza é bastante singelo; porém, é na simplicidade que
encontramos os símbolos mais puros. Observa, João, que este homem compreende que sem a chuva não haveria mananciais na Terra; mas, não pára em seu esforço, procurando o
reservatório que a Providência Divina armazenou no subsolo. A imagem é pálida; todavia,
chega para compreenderes como Deus reside também em nós. Dentro do símbolo, temos de entender a chuva como o favor de sua misericórdia, sem o qual nada possuiríamos. Esta
paisagem deserta de Jericó pode representar a alma humana, vazia de sentimentos
santificadores. Este trabalhador simboliza o cristão ativo, cavando junto dos caminhos áridos, muitas vezes com sacrifício, suor e lágrimas, para encontrar a luz divina em seu coração. E a água é o símbolo mais perfeito da essência de Deus, que tanto está nos céus como na Terra.
 

O discípulo guardou aquelas palavras, sabendo que realizara uma aquisição de
claridades imorredouras. Contemplou o grande poço, onde a água clara começava a surgir,
depois de imenso esforço do humilde trabalhador que a procurava desde muitos dias, e teve nítida compreensão do que constituía a necessária comunhão com Deus. 

Experimentando indefinível júbilo no coração, tomou das mãos do Messias e as osculou, com a alegria do seu espírito alvoroçado. Confortado, como alguém que vencera grande combate íntimo, João sentiu que finalmente compreendera."
 

CAPÍTULO 19  Do livro Boa Nova. Psicografia de Francisco Cândido Xavier.

domingo, 10 de janeiro de 2021

A inevitável separação pode vir cedo

 

Desde a infância, vim a conhecer os rigores da separação de amigos, de parentes... fiquei muito tempo sem entender nada. Hoje tenho algum entendimento. Talvez o suficiente.


Guardo viva lembrança de um amigo que foi "prematuramente". Sempre é assim, achamos prematura a partida daqueles a quem amamos e tardia a de nossos desafetos.


Mas o que eu quero escrever é sobre nossas saudades. É necessário que aprendamos a lidar com ela, quando são de pessoas que estão longe ou que já passaram para a espiritualidade.


Acontece que é muito difícil lidar com isso e até a sua "ficha cair" muito tempo se passou. Aonde aprender sobre o assunto? Aqui entra aquela história das companhias... Se você tem um parente, amigo ou namorada que conversa sôbre o assunto, que lhe desperta o interêsse, pode se considerar uma pessoa privilegiada. Não atire fora a sua chance. Aproveite. Aprenda e julgue, porém não esqueça que para julgar é preciso ter dominio do assunto.


Eu estava querendo dizer é que num país como o Brasil, com a mistura étnica, são várias as portas para DEUS. Mas a ramificação dos caminhos se confunde, à medida que mais próximo chega do Criador.


Geralmente, primeiro partem os avós, os tios-avós, pais, vizinhos, nosso artista ou cantor preferido... E a nossa saudade vai aumentando sem que nada possamos fazer...
Agora entendo que feliz é aquêle que tem saudades. Mas é preciso saber conviver com ela, controlá-la. Sua saudade traz um lembrança feliz? ótimo, dê-lhe bastante espaço. De uma outra forma, se uma lembrança não é muito agradável, então não vamos chamá-la de saudades, mas, sim, de experiência positiva. É necessário lembrar que não existe experiência negativa. Existe desafio vencido. Tarefa cumprida. De tudo temos que tirar a parte boa. E ficar com ela.


Eu guardo lembranças boas e saudades dos meus avós, quase todos os tios - e foram muitos -, meu pai... minha mãe… alguns amigos (nas minhas orações as vezes esqueço de alguns), vizinhos e bem mais recentemente, de meu filho Henrique, um presente de DEUS!


SAUDADES DE CASA 25/09/2005 16:28

No prazer de sentir saudade,
Muito devemos meditar,
Se houve felicidade,
Pode a lágrima rolar.

O amor é sofrimento,
É Fruto do aprendizado
Quem tem sabe profundo,
Sem saber traz do passado.

O filho escolhe os pais,
Que sem saber têm uma missão,
Acaso, aqui jamais,
Prepara o teu coração!

Quando ocorre a separação,
Acredite, é para o bem,
Aquêle que foi é teu irmão,
e saudades tem também.

Minha mãe não chores mais,
Estou vivo, estou te vendo!
Não me vês, não és capaz,
deixa a tristeza que é veneno!

Aqui tudo é alegria,
É amor e é paixão,
Tem avô, tem até tia,
tem amigos e correção!

Novos caminhos vou trilhando,
Alguns até já percorrera,
Na estrada vou colhendo,
O que tem na sementeira.

Aos poucos, minha mãe, vou lembrando,
D´aquilo que aqui deixei,
Ao escolher-te meu recanto,
Para amar-te eu me aprontei.

Nada acontece por acaso,
Nosso destino escrito estava,
Meu tempo não era longo,
Minha missão se encurtava.

Estou perto, mas não me vês,
Na verdade, a um pensamento,
Uma oração, um abraço, me sentes
Ao teu lado a todo momento.

É preciso aceitar,
que o tempo é diferente,
dias aqui, minutos lá,
mas no final é tudo a gente!

Aqui deixo minha saudade,
Aqui fica a minha oração,
Por favor não fique triste,
pois é meu teu coração!

sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

U-Boat 176 - 71 anos depois

 

A PRECE PARA OS DESENCARNADOS DO SUBMARINO U-176

2ª Grande guerra.

abatido em 15 de maio de 1943 no mar do Caribe, nas coordenadas Latitude 23º 21´ W e longitude 80º18´N


Um dia de festa e congraçamento.


A reunião mediúnica aconteceu as 12h do dia 16 de maio de 2015, exatamente no mesmo instante em que acontecia em Miami, um cerimonial comemorativo do afundamento do submarino alemão U-176, pelas forças Cubanas, feito pelo barco CS-13. (Vide convite abaixo)


O dirigente da câmara fez a prece ao Pai Celestial, pedindo por todos os irmãos cujos nomes estavam na mesa – ali estavam todos os nomes da tripulação do navio afundado – e pediu a vidente que verificasse o ambiente para início dos trabalhos, o que foi feito e dada a autorização para início dos trabalhos da prece.


O vidente iniciou o relato dos quadros que se apresentavam... Viu e relatou um cenário de um porto, o submarino e o processo de abastecimento para o início da viagem. Em seguida relatou o quadro em que a nau deixava o porto em direção a mar aberto .

Todos muito alegres .


Após, os quadros de vidência passaram a ser dentro do submarino, já atingido e abatido. Relatou que o desencarnado Karl Hessler era bastante preocupado com os demais, que em sua maioria eram novos e inexperientes e que ele transitava pelo submarino procurando levar apoio moral para os que necessitavam.


Relatou que os tripulantes desencarnaram em virtude de se extinguir o abastecimento de ar do submarino.


Em seguida, relatou que o irmão Karl Hessler agradeceu ao irmão Marcos pelo auxílio, dizendo que por muitos anos ele buscava ajuda, no entanto sem conseguir obter sucesso. Foi uma tarefa difícil, mas sem desistir conseguiu que o auxílio chegasse, após o irmão vir à Congregação e fazer uma prece, onde aceitou auxílio e foi encaminhado.

 Ofertou ao irmão Marcos um Evangelho, pedindo que este sempre o tenha consigo e a ele recorra em todos os momentos. 

 Em seguida, ofereceu a cada um dos irmãos presentes na prece um Evangelho e depositou flores .


A seguir, o vidente relatou que todos os tripulantes do submarino compareceram à prece, vindos de diversas colônias . Todos muito alegres e contentes com este reencontro e agradecendo pela prece a qual davam mais importância que à comemoração que acontecia em Miami (promovida para comemorar o afundamento do submarino), juntaram-se, num quadro que lembra quando nos esprememos para caber na foto e enviaram esta imagem para que fosse relatada pelo irmão vidente.


Em seguida, o dirigente da câmara perguntou à outra irmã vidente se via outros quadros da prece, e a mesma relatou que o irmão Karl Hessler é um espirito de grau de adiantamento suficiente para que se destacasse dos demais e que ele tinha muita preocupação com todos os demais do submarino, esclarecimento este que coaduna com os relatos da primeira prece, no relato do irmão André Dória, feita em 2014, a pedido do irmão Marcos , quando o mesmo (karl Hessler) foi envolvido por estar no submarino desde a data do seu afundamento, em 1943, portanto há 71 anos, por imaginar que havia um outro irmão em sofrimento lá no interior do submarino e ele se recusava deixá-lo só. Na ocasião do socorro, foi necessário que os trabalhadores do plano espiritual também socorressem o irmão que a mente do irmão Karls Hessler plasmava para que este aceitasse ajuda e fosse envolvido e levado para uma das moradas do Pai para amparo e recuperação, o que foi feito com a permissão do Pai Celestial. A irmã vidente relatou que dentre estes que se apresentaram há muitos irmãos que já estão prontos para serem trabalhadores da Casa de Francisco de Paula.


Em seguida, relatando que o irmão Karls Hessler abraçou o irmão Marcos  e agradeceu a todos, deu por encerrado o relato dos quadros de vidência.


                          =§=§=§=§=§=§=§=§=§=§=§=§


Anexo:


Fundación Marítima Internacional Sección de Historia Naval

22 de julio de 2014.

Río de Janeiro, Brasil


Profesor M###############

Estimado Sr:




Hace años sostuvimos un pequeño contacto con relación al U-boat alemán U-176, en el cual ud. me ponía al corriente de un incidente, aunque “raro” aunque muy interesante y apasionante, era una especie de premonición. Hoy, nuestra organización está trabajando con la ayuda de historiadores, investigadores e ingenieros, en la búsqueda y localización de dicho submarino, con la idea de en un futuro no muy lejano proceder a firmarlo y si entonces logramos disponer de patrocinadores y financiación suficiente, proceder a reflotar dicha embarcación. Nunca he podido olvidar las cosas que me comentó en su interesante relato. Hoy le manifiesto nuestro interés en que se sume Ud. a nuestro Proyecto, pues no descartamos jamás ninguna posibilidad de recibir ayuda por todos los que de alguna forma u otra han estado involucrados en esta historia; en su caso particular, a través de de elementos que nos han llamado siempre poderosamente la atención, eso que llamamos el sexto sentido. Si estuviera interesado en colaborar, no dude en contactar con nuestra Organización.


Reciba saludos afectuosos y el testimonio de mi más alta consideración,





Historiador y Asesor Principal

Secció de Historia Naval

Fundación Marítima Internacional

nota. Foram excluidos os nomes no e-mail acima..



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151 N. Nob Hill -Suite 212- Plantation, Fl. 33324-1708- Tel: 954-465-0228

quinta-feira, 19 de novembro de 2020

UTILIZANDO FILTROS



SABER PENEIRAR O QUE VEM ATÉ VOCE.


A vida enquanto encarnado é um aprendizado constante, além de trazer obstáculos, é um desafio constante, ainda que estejamos inconscientes deles.

Hoje, na internet, me deparei com um anúncio, que trazia a figura abaixo sugerindo que a personalidade das criaturas está vinculada ao formato dos dedos da mão.




Obviamente, trata-se de texto que induz o leigo, ávido por
conhecimento, a trilhar pelo caminho da sábia ignorância, levando-o a se julgar um conhecedor de personalidades alheias.

O que a doutrina espírita nos ensina sobre isto ?
O formato e o tamanho dos dedos da mão podem revelar sobre a personalidade das pessoas ?

Não vamos nos aprofundar demasiadamente agora. Vamos nos ater ao capítulo IV do Livro dos Espíritos, que trata da PLURALIDADE DAS EXISTÊNCIAS.

Sabemos que o ESPÍRITA tem como base de sua doutrina, a pluralidade das existências, ou seja, o Espírito (alma enquanto encarnado na matéria) experimenta múltiplas encarnações, (que vamos chamar de existências corporais ) já que existência mesmo é apenas uma, a do espírito.

Na questão 132 do Livro dos Espíritos, foi perguntado aos Espíritos: Qual é o objetivo da encarnação dos Espíritos?

E a resposta:
Deus impõe-lhes a encarnação com o objetivo de fazê-los chegar à perfeição: para uns, é uma expiação; para outros, é uma missão. Porém, para chegar a essa perfeição, devem suportar todas as vicissitudes da existência corporal: nisto é que está a expiação. A encarnação tem também um outro objetivo, que é o de colocar o espírito em condições de suportar a sua parte na obra da criação; é para executá-la que, em cada mundo, ele toma um instrumento em harmonia com a matéria essencial desse mundo para aí executar, daquele ponto de vista, as ordens de Deus; de tal forma que, concorrendo para a obra geral, ele próprio se adianta.”

Adiantando-nos ao mencionado Capítulo IV do Livro dos Espíritos, vamos fazer a leitura da questão 166:

Como a alma, que não atingiu a perfeição durante a vida corporal, pode terminar de depurar-se ?

A resposta: “ Experimentando a prova de uma nova existência.”

A CRIAÇÃO DOS ESPÍRITOS exige estudo em separado, apesar de ter vinculação com a presente reflexão, então vamos até a questão 134:

O que é a ALMA?
Resposta: “Um Espírito encarnado.”

134-a: O que era a ALMA antes de unir-se ao corpo ?
Resposta: “Espírito

134-b: As almas e os espíritos são, portanto, identicamente, a mesma coisa?
Resposta: “Sim, as Almas são apenas os Espíritos. Antes de se unir ao corpo, a alma é um dos seres inteligentes que povoam o mundo invisível e que revestem, temporáriamente, um envoltório carnal, para se purificarem e se esclarecerem.”

Então na questão 135, os Espíritos da codificação nos esclarecem que no homem encarnado há outra coisa além da alma e do corpo; Existe um ELO SEMIMATERIAL QUE UNE A ALMA AO CORPO FÍSICO.

Em relação ao corpo perispiritual, sem nos aprofundarmos muito nessa questão de material ou semimaterial, vamos nos ater apenas a aceitar a designação “semimaterial”, conforme ensina Kardec, na Revista Espírita de Março de 1866 em Introdução ao Estudo dos Fluidos Espirituais, disponível no link no final deste artigo, de onde extraímos este trecho:

Algumas pessoas criticaram a qualificação de semimaterial dada ao perispírito, dizendo que uma coisa é matéria ou não o é. Admitindo que a expressão seja imprópria, seria preciso adotá-la, em falta de um termo especial para exprimir esse estado particular da matéria. Se existisse um mais apropriado à coisa, os críticos deveriam tê-lo indicado. O perispírito é matéria, como acabamos de ver, filosoficamente falando, e por sua essência íntima; ninguém poderia contestá-lo; mas ele não tem as propriedades da matéria tangível, tal como se concebe vulgarmente; ele não pode ser submetido à análise química, porque, embora tenha o mesmo princípio que a carne e o mármore e possa lhes tomar as aparências, na realidade não é nem carne nem mármore. Por sua natureza etérea ele tem, ao mesmo tempo, a aparência da materialidade por sua substância, e a da espiritualidade por sua impalpabilidade, e a palavra semimaterial não é mais ridícula do que  semiduplo e tantas outras, porque também pode-se dizer que uma coisa é dupla ou não é.”


Então  pelo aprendizado da questão 135, aprendemos que o HOMEM É FORMADO  de tres partes essenciais, são elas:

1º O corpo, ou ser material, análogo ao dos animais e animado élo mesmo princípio vital; 

2º A ALMA, Espírito encarnado cujo corpo é a habitação ;

3º O princípio intermediário, ou PERISPÍRITO, substância semimaterial que serve de primeiro envoltório ao Espírito e une a alma ao corpo.

O corpo físico é apenas o envoltório da alma, que pode existir sem a alma, a vida orgânica pode animar um corpo sem alma, mas a alma não pode habitar um corpo privado da vida orgânica.  Sem alma, este corpo seria uma massa de carne sem inteligência, exceto um homem. 

A alma não se acha encerrada no corpo, tal como  o pássaro numa gaiola, ela se irradia e se manifesta  exteriormente, como a luz através de um globo de vidro e é assim que se pode dizer que ela é exterior, porém nem por isto constitui o envoltório do corpo. Assim, a alma tem dois envoltórios, sendo um sutil e leve e é o primeiro, a quem chamamos de perispírito ; o outro é grosseiro, pesado: é o corpo. Os Espíritos da Codificação Espírita nos ensinaram que a alma é o centro de todos estes envoltórios, como  o gérmen da planta em um caroço.

Há dentre os Espíritos aqueles que não são esclarecidos sobre estes assuntos e há , dentre eles, os pseudo-sábios, que igualmente como são encontrados entre os encarnados, fazem ostentação de palavras, para se imporem, além de também existirem aqueles que se exprimem em termos diferentes, mas que no fundo têm o mesmo valor.

Esclarecida esta questão relativa à ALMA, podemos passar a comentar sobre a REENCARNAÇÃO, que constitui um capítulo à parte, mas vamos falar dela apenas para chegar ao ponto que desejamos.

Aprendemos que a CRIAÇÃO ocorre no plano espiritual, totalmente independente do plano material. 

Vamos até a questão 166 do Livro dos  Espíritos, juntamente com outras questões que acreditamos serem muito mais úteis se trazidas juntas.


A reencarnação

166. Como pode a alma, que não alcançou a perfeição durante a vida
corpórea, acabar de depurar-se?

“Sofrendo a prova de uma nova existência.”

a) Como realiza essa nova existência? Será pela sua transformação
como Espírito?

“Depurando-se, a alma indubitavelmente experimenta uma transformação, mas para isso necessária lhe é a prova da vida corporal.”


b) A alma passa então por muitas existências corporais?

“Sim, todos contamos muitas existências. Os que dizem o contrário
pretendem manter-vos na ignorância em que eles próprios se
encontram. Esse o desejo deles.”


c) Parece resultar desse princípio que a alma, depois de haver deixado
um corpo, toma outro, ou, então, que reencarna em novo corpo.
É assim que se deve entender?

“Evidentemente.”


167. Qual o fim objetivado com a reencarnação?
“Expiação, melhoramento progressivo da humanidade. Sem
isto, onde a justiça?”


168. É limitado o número das existências corporais, ou o Espírito reencarna perpetuamente?

“A cada nova existência, o Espírito dá um passo para diante na
senda do progresso. Desde que se ache limpo de todas as impurezas,
não tem mais necessidade das provas da vida corporal.”


169. É invariável o número das encarnações para todos os Espíritos?

“Não; aquele que caminha depressa, a muitas provas se forra.
Todavia, as encarnações sucessivas são sempre muito numerosas,
porquanto o progresso é quase infinito.”


170. O que fica sendo o Espírito depois da sua última encarnação?


“Espírito bem-aventurado; puro Espírito.”


Então vimos que na questão 132, estudamos ENCARNAÇÃO, e na questão 166 e seguintes,  REENCARNAÇÃO. 

Para continuar a desenvolver nosso raciocínio, consideremos pacífico o entendimento de que o Espírita é Reencarnacionista.

76. Que definição se pode dar dos Espíritos?

“Pode dizer-se que os Espíritos são os seres inteligentes da criação.

Povoam o Universo, fora do mundo material.” 


A INTELIGÊNCIA NÃO CONSTITUI UM ATRIBUTO DO PRINCIPIO VITAL. vide questão 71. 

INTELIGÊNCIA E MATÉRIA SÃO INDEPENDENTES. Um corpo pode viver sem a inteligência, mas a inteligência só pode manifestar-se por meio de órgãos materiais. 

É necessária a união do espírito para intelectualizar a matéria animalizada.

84. Os Espíritos constituem um mundo à parte, fora daquele que vemos?

“Sim, o mundo dos Espíritos ou das inteligências incorpóreas.”


85. Qual dos dois, o mundo espírita ou o mundo corpóreo, é o principal, na ordem das coisas?

“O mundo espírita, que preexiste e sobrevive a tudo.”


86. O mundo corporal poderia deixar de existir, ou nunca ter existido, sem que isso alterasse a essência do mundo espírita?

“Decerto. Eles são independentes; contudo, é incessante a correlação
entre ambos, porquanto um sobre o outro incessantemente reagem.” 



Então, tendo as explicações acima, embora básicas são suficientes, e já podemos passar a pensar na questão das vida sucessivas. 

Resumidamente, o Espírito que já alcançou o pensamento contínuo e a razão já está de posse do LIVRE ARBÍTRIO, que é característico dos HUMANOS.  E é  exatamente o livre arbítrio que vai comandar as ações do Espírito, esteja encarnado ou não.  Não é novidade para nós que o Espírito é uma INDIVIDUALIDADE.  

A reencarnação é nada mais nada menos que a INDIVIDUALIDADE, assumindo uma nova personalidade, mas também não é assim tão fácil de se explicar porque sabemos que as existências anteriores são armazenadas pelo Espírito, algumas no Perispírito e outras na intimidade do próprio Espírito. 

Sabemos, também, que a mente fornece o molde do corpo físico, e para isto utiliza as informações armazenadas no subconsciente da individualidade. 

Estando assim esclarecidos é fácil entender que ao reencarnar a individualidade vai se apresentar com uma personalidade necessária às provas que ela será submetida, assim como possíveis expiações, tudo isto ligado à LEI DE CAUSA E EFEITO. É aí que encontramos explicações para os defeitos congênitos, para as mortes por resgates e também para as lembranças e dons com que se apresentam personalidades que se saem tão bem em uma  atividade específica, pois usa as informações de existências pretéritas.   

São tantos os lares são relatadas condutas beligerantes entre pais e filhos !








Transcrito da pagina 480 do Livro dos Espíritos (.pdf)


Em Nota ao capítulo XI, item 43, do livro A Gênese, o

Codificador explica essa metodologia:

Quando, na Revista Espírita de janeiro de 1862, publicamos um artigo sobre a “interpretação da doutrina dos anjos decaídos”, apresentamos essa teoria como simples hipótese, sem outra autoridade afora a de uma opinião pessoal controversa, porque nos faltavam então elementos bastantes para uma afirmação peremptória. Expusemo-la a título de ensaio, tendo em vista provocar o exame da questão, decidido, porém, a abandoná-la ou modificá-la, se fosse preciso. Presentemente, essa teoria
já passou pela prova do controle universal. Não só foi bem aceita pela maioria dos espíritas, como a mais racional e a mais concorde com a soberana justiça de Deus, mas também foi confirmada pela generalidade das instruções que os Espíritos deram sobre o assunto. O mesmo se verificou com a que concerne à origem da raça adâmica. (A Gênese, cap. XI, item 43, Nota, p. 292.)










domingo, 15 de novembro de 2020

FUGA PARA O EGITO - por Pastorino, Carlos Torres

 SABEDORIA DO EVANGELHO - VOLUME 1

FUGA PARA O EGITO

Mateus  2:13-15


13. Depois de haverem partido, eis que um anjo do Senhor apareceu em sonhos a José, dizendo: “levanta-te, toma contigo o menino e sua mãe, e foge para o Egito, e fica ai até que eu te chame; pois Herodes há de procurar o menino para matá-lo”.

14. José levantou-se, tomou de noite o menino e sua mãe e partiu para o Egito,

15. e ali ficou ate a morte de Herodes, para que se cumprisse o que dissera o Senhor pelo profeta: “Do Egito chamei a meu filho”.


Novamente José é advertido em sonhos por um espírito (anjo do Senhor), ordenando-lhe este a fuga para o Egito. Nesse país havia duas grandes e florescentes colônias israelitas, em Alexandria e em Heliópolis.

O Egito distava cerca de seis dias de viagem (perto de 250 milhas, a maioria das quais através de terras desertas).  Era, porém, local seguro e lá também se refugiaram Jeroboatão (pretendente ao trono de Salomão), o profeta Jeremias, Onias IV fundador do Templo Israelita de Leontópolis e outros.


Mateus não dá pormenores da viagem, que aparecem numerosos nos evangelhos apócrifos (Pseudo-Mateus, 18 a 24; Pseudo-Tomé, texto latino, cap. 1; evangelho árabe da infância, 10 a 25).

Não se sabe o local em que ficou a família de Jesus. Uma tradição antiga copta indica o Cairo. Nada de certo, porém.

Aí ficaram os três até a morte de Herodes. Sabemos que este faleceu sete dias antes da Páscoa, em março-abril do ano 4 A. C., ou seja, 750 de Roma.

Nascido em 747 (7 A.C.), Jesus teria então permanecido cerca de 3 anos no Egito, o que coincide com os dados de certos apócrifos (Pseudo-Mateus cap. 26; Pseudo-Tomé, texto latino, cap. 4; evangelho árabe da infância cap. 25 e 26).

A frase  Do Egito chamei meu filho. está no texto hebraico de Oséas (11:1).

Diversas anotações podem ser feitas em torno da viagem de Jesus ao Egito.


A fuga se dá à noite. O intelecto (José), iluminado pelo Alto (anjo) leva consigo a intuição (Maria) e o recém-nascido Homem-Novo (Jesus) e adentra-se pela noite do isolamento, a fim de favorecer o crescimento da criança. Esta, enquanto nova e indefesa, não deve, não pode, permanecer no bulício das cidades: tal como a semente, que para germinar mergulha na noite do solo, assim o recém manifestado Cristo necessita da solidão e do silêncio para desenvolver-se. Era mister fugir do .mundo. (Herodes) que desejava matá-lo, para que não fosse sufocada a plantinha ainda tenra e frágil.

Outra interpretação: todos os espíritos, na senda evolutiva, necessitam passar alguma (ou algumas ) fases na Terra, enclausurados, longe do bulício, treinando a meditação e o mergulho em si mesmos. Daí a existência de eremitérios e mosteiros, mantidos pelas religiões, para ajudar a esses que se encontram nessa fase. Sob esse aspecto, a viagem de Jesus pode ter significado a necessidade de isolamento entre irmãos que não fossem do próprio sangue (exatamente o que ocorre nos mosteiros e conventos). Essa reclusão temporária (relativamente à vida eterna do espírito) serve para educá-lo a sair do egoísmo familiar (consanguíneo) exercitando-se no amor aos não consanguíneos. (Não nos referimos, aqui, à pessoa de Jesus: estamos falando que o exemplo de Jesus ao fugir para o Egito,pode representar a fuga de nossos espíritos para longe da família carnal).

Há outro ensinamento.

Após a permanência na escola de profetismo de Belém (mediunismo), o espírito precisa ir além, para sintonizar não mais com outros espíritos (sobretudo do plano astral), mas para vibrar em uníssono com as noúres divinas.

Então, depois da estada em Belém, e de ter passado pelo exame dos .magos., e de ter sofrido perseguição da matéria e do mundanismo (Herodes), o espírito, vitorioso nessas provas, dá um passo além e segue, promovido, para outro santuário mais avançado.

Exatamente na cidade de Heliópolis havia outro templo iniciático, onde os candidatos de .envergadura se exercitavam no espiritualismo mais profundo.


O novo ser, nascido do Encontro Deslumbrante, é ainda dirigido pelo intelecto (José) que recebe as ordens do Alto.

A intuição (Maria), embora desenvolvida, ainda é fraca (mulher) e não chega ao ponto de poder agir sozinha.

E o Homem-Novo, recém-nascido, é muito criança para poder andar por si.

O intelecto (o órgão mais desenvolvido na anterior evolução, no estágio  homem) é que recebe o encargo de levá-los e dirigí-los até que, morto Herodes (isto é, liquidados os carmas materiais) possa ele caminhar pelos próprios pés e governar-se; e isso ele o fará já na qualidade de .Filho do Homem.. Verificamos que é assim, porque o primeiro a desaparecer da cena do Evangelho é José o intelecto - e também a intuição é deixada de lado e admoestada quando quer intervir. Então, o Filho do Homem, agindo por si, manifesta o Cristo em toda a Sua plenitude e assombra o mundo.

Esse trajeto tem que ser seguido por todas as criaturas, através de suas vidas sucessivas. Jesus foi o EXEMPLO e o MODÊLO, e Sua vida na Palestina é um resumo vivo do que são, e do que serão, nos futuros milênios , as nossas vidas.

Assim como o homem revive, em cada vida, todas as suas anteriores etapas evolutivas, para só então recomeçar um novo passo na jornada do aperfeiçoamento, assim a última vida de Jesus nos apresenta, em uma só encarnação, o modelo de todas as nossas presentes e futuras etapas evolutivas.


EVOLUÇÃO ANIMAL-HOMINAL

Com efeito, quando o homem desce ao plano da matéria para nova experiência reencarnatória, sua ligação primeira se faz no óvulo, ainda na trompa ou Canal de Falópio. Note-se, porém, que o espírito NÃO ENTRA no óvulo: apenas SE LIGA, permanecendo de fora, a ele preso apenas pelo .cordão de prata. (Ecle. 12:16).


Do óvulo, ele irradia suas vibrações que vão atrair o espermatozóide: e exatamente AQUELE espermatozóide que é portador dos genes que sintonizam vibratoriamente com o espírito, e que portanto lhe poderá fornecer um corpo especificamente apropriado a essa etapa evolutiva desse espírito: com as qualidades e deficiências requeridas pelo estado evolutivo do espírito.

Dizemos ATRAI, no mesmo sentido em que poderíamos afirmar que um aparelho de rádio, sintonizado nos 800 kilociclos, atrai as ondas hertzianas da Rádio Ministério da Educação e Cultura. Atrai, pois, tem o sentido preciso de .sintonizar e receber.

Mas o espermatozóide, .alimentado. por essas vibrações sintônicas, recebe as energias indispensáveis para progredir em sua viagem, até o óvulo, passando à frente de seus concorrentes.

Dizíamos que o espírito .se liga. ao óvulo e, desde esse momento, passa a relembrar, ou melhor, a .refazer. todas as fases evolutivas por que haja passado desde seu ingresso na fase animal.

Começa como célula simples (protozoário unicelular = óvulo) e se vai desenvolvendo na mesma ordem sucessiva que há seguido durante milhões e milhões de anos. Logicamente sua evolução foi aquática, e por isso ele a revive mergulhado no líquido amniótico.

Mas essa revivescência, embora nos pareça lenta, é relativamente relampejante: o espírito revive em cada segundo de vida intra-uterina, milênios de vidas remotas, enquanto atravessava as fases animais,sem fixar, no entanto, exatamente as diversas formas da espécie.

Na fase correspondente à sua entrada na família dos sáurios, surge no feto o .olho pineal., como fase inicial da futura glândula do mesmo nome, e que lhe assinala a caracterização como individualidade personificada.

Terminada a .revisão. de toda a sua evolução animal, a criança rompe as barreiras da animalidade pura e passa ao estado hominal: nesse ponto preciso ocorre o nascimento.

Surge o novo Adão (ADAM = homem) que é .expulso do paraíso. da irresponsabilidade animal (veja pág. 19, último parágrafo) e começa a ter que comer o pão com o suor de seu rosto: respiração e alimentação não são mais aproveitadas da mãe. A criança é que tem que esforçar-se por si mesma. Vimos que, quando no estágio animal, o espírito era ainda irresponsável, agindo em perfeita harmonia com a Mente Cósmica Universal, porque o intelecto não intervinha para atrapalhar. Na revisão dessa fase, o feto vive em perfeita simbiose com a mãe, da qual tira tudo.

Expulso desse paraíso. animal, o recém-nascido chega ao reino hominal. Mas ainda não ao estado atual de homo sapiens : vai antes reviver todo o desenvolvimento, desde o plano de homóide, ao homúnculo, ao pithecânthropus erectus. (quando passa do engatinhar ao caminhar erecto), até chegar ao homo sapiens  e às últimas vivências na Terra.

Quando atinge os sete anos, mais ou menos - a idade da razão - é que, então, recordada toda a escala evolutiva, o espírito penetra integralmente o novo corpo e inicia a nova jornada que se lhe abre ante o horizonte.   Até então, o espírito permanece fora do corpo, comandando através do cordão de prata todo o desenvolvimento de seu veículo físico. Por esse motivo é que a criança manifesta as características de primitivismo: egoísmo, destrutibilidade, etc.

Uma comprovação de tudo isso é o que se passa com espíritos mais evoluídos.

Realmente, quanto mais adiantado o espírito na escala, mais rapidamente percorre as etapas anteriores.

E se, em suas recentes vivências na Terra esses espíritos revelaram desenvolvimento de genialidade em qualquer ramo, aparecem as crianças-prodígio, revivescência clara da última ou das últimas encarnações.

Daí verificarmos que esses prodígios se revelam sempre antes do uso da razão.

Ao atingirem essa idade, em que se inicia a fase atual, pode o espírito fazer florescer e progredir suas qualidades, e até desenvolvê-las mais ainda. No entanto, pode dar-se que a atual existência não apresente possibilidades de evolução maior. E vemos que, com frequência, a criança prodígio não atinge, em sua vida posterior, o que dela se esperava: não conseguiu adiantar-se com o mesmo ritmo.

E na idade madura é pessoa comum.  Quebrou o ritmo ascensional, quer por cansaço, quer por falta de ambiente propício, quer por motivos cármicos. Não houve, porém, regresso, mas diminuição ou afrouxamento (rallentissement) na caminhada.

Compreendendo assim as coisas, descobrimos que a vida de Jesus em Sua última romagem terrena, foi o modelo que teremos que seguir, no estado posterior de Filhos do Homem, verdade que já foi revelada por Paulo ao Efésios (4:13) até que TODOS CHEGUEMOS à plenitude da estatura de Cristo.