quarta-feira, 15 de junho de 2016

A Oferta

Tentei elaborar um resumo do capítulo  "A Oferta", do livro "Um Destino Seguindo Cristo", de autoria de Pietro Ubaldi, mas, infelizmente, não foi fácil sem deturpar o sentido da mensagem e assim, aqui vai todo ele:




XIII

A OFERTA


Podemos agora deter-nos em outro momento, numa curva da história que estamos narrando  A primeira fase, a do afasta­mento do mundo, exposta no início do presente volume, já se en­contra distante, são decorridos 35 anos (1931-1966), e o trabalho de nosso personagem no cumprimento do seu destino se encaminha para a sua conclusão. O que era um programa agora é fato con­sumado. Chegou, portanto, o instante de observar, de ver, depois do caminho percorrido, o fruto, produto daquele primeiro impulso inicial.
Com este objetivo, vamos transcrever a conferencia pro­ferida pelo autor da Obra em Brasília, centro do continente sul-ame­ricano, lida depois por um parlamentar na Câmara dos Deputados e publicada no Diário do Congresso Nacional Brasileiro, em março de 1966, com o título:

"A NOSSA OFERTA SIMBÓLICA AO BRASIL E AOS POVOS DA AMERICA LATINA"

Nessa reunião, na Capital do Brasil, participaram amigos provenientes de vários pontos do continente sul-americano, como dos Estados Unidos, juntos, em  estreita colaboração.  Chegaram mensagens de adesão do Japão e de outras partes do mundo. Eis o texto da conferência

Queridos amigos,

Contar-lhes-ei uma estranha história.  Há trinta e cinco anos, um homem, chegado à metade de sua vida, sem preparação alguma e sem plano de trabalho, começou a escrever obedecendo a um impulso interior. Desde o Natal de 1931, ele nunca mais parou. Sem conhecer quais seriam os futuros desenvolvimentos do seu labor, ele o foi executando dia após dia.

Hoje, aquele trabalho encontra-se quase terminado e está visível na sua estrutura orgânica, no seu desenvolvimento lógico, na sua harmônica arquitetura. Trata-se de uma Obra de 24 volumes e com cerca de 10.000 páginas. Ela explica a origem, a estrutura e o funcionamento orgânico de nosso universo físico-dinâmico-psíquico, a nossa posição dentro dele e o significado e finalidade de nossa vida, para chegar, no fim, a conclusões práticas, mostrando qual deve ser a nossa conduta, se não quisermos pagar, com sofri­mento, os nossos erros.

A finalidade desta Obra é oferecer um conhecimento que o mundo ainda não possui, necessário para se conduzir com sabedo­ria e, portanto, viver de forma menos bárbara do que aquela em que vive o assim chamado homem civilizado moderno. Nesse senti­do esta Obra contém as bases sobre as quais se poderia apoiar uma nova civilização, aquela que, por lei de evolução, o homem deverá seguramente realizar no 3º milênio. Trata-se de viver melhor, o que só é possível usando maior inteligência e bondade. A finalida­de maior da Obra é fazer o bem, mostrando como se pode viver uma forma de existência menos feroz, mais civilizada e, portanto, mais feliz

A Obra é um projeto para ação, destinado a quem quiser executá-lo, porém não é a ação em si mesma. É uma luz que ilu­mina e orienta, mas não é o movimento que realiza. Esta é outra parte, que pertence aos executores, que poderão chegar num segun­do momento. Os que ficarem inertes, esperando que tudo caia do céu, não gozarão das vantagens que a ascensão evolutiva contém. De resto, a divisão do trabalho, conforme a especialização de cada um e particulares capacidades, é uma necessidade prática. O enge­nheiro, que faz o projeto de um edifício, não pode fazer o trabalho de pedreiro para construí-lo, e o pedreiro tem necessidade de en­contrar o projeto feito para saber como construir.

A posição na qual nos encontramos hoje é a seguinte: o projeto está quase terminado, chegando à sua última fase, com a qual fica concluído. O autor cumpriu a sua missão. Muitos falam de missões e se dizem missionários, mas poucos conseguem chegar ao fim. Podemos aqui falar de missão, porque ela foi cumpri­da. O autor terreno fez a sua parte. Ele está ao mesmo tempo no fim de sua vida, e com ela atingiu o seu objetivo. O primeiro ato do drama se encerra. Desce a cortina, e o autor, satisfeito, desapa­rece na sombra. Ele só deseja ser esquecido ao término deste labor. O que tem valor e utilidade é a Obra e não o operário. Neste momento, ele pede uma graça: que lhe sejam poupadas exaltações pessoais, honras inúteis, porque elas pertencem somente à Obra; pede que o deixem retirar-se em silêncio da cena do mundo, para se pre­parar a viver o novo tipo de existência que, em breve, o espera no além-túmulo.
A Obra permanece, é o que mais interessa. Ela não é um produto morto, de literatura, mas uma semente viva que agora cai no terreno do mundo para germinar. A vida a gerou para que ela viva. As idéias da Obra foram formuladas para serem transfor­madas em fatos. Eis que neste momento entra em cena outro tipo de trabalho: o dos homens de ação, dos realizadores, aos quais per­tence cumprir o segundo ato.

Hoje se realiza a passagem do projeto das mãos do proje­tista para as dos construtores. O primeiro terminou sua parte e vai-se embora. Este momento é o da entrega do projeto. É  isto que estamos fazendo, juntos, aqui em Brasília. Hoje é o dia desta entre­ga. Desde este momento, a Obra entra em sua nova fase, que se desenvolverá paulatinamente, como ocorreu no início, para con­tinuar em seu novo ciclo. Temos, assim, dois movimentos opostos: o autor se retrai, afasta-se e desaparece, seguindo noutro lugar o seu destino; a Obra, como um feto acabado de nascer, toma vida. pró­pria e começa, por sua conta, a caminhar pelo mundo.

Os senhores, a quem hoje falo, são os operários aos quais a Obra está confiada. E por isso que estamos aqui reunidos. Este encontro tem um importante significado, exatamente pelo fato de que nele se realiza esta nossa oferta, neste lugar e momento. Trata-se de passar das mãos do compilador às dos seus herdeiros espiri­tuais. Oferta gratuita, para o bem de quem a recebe. Isto acontece em Brasília, Capital do Brasil, no coração do continente sul-ameri­cano. Como diz o título da conferência, esta é a nossa oferta sim­bólica ao Brasil e aos povos da América Latina. Aqueles que, de outros países da América do Norte, Centro e Sul, não puderam che­gar até aqui, pessoalmente, estão espiritualmente presentes nesta ho­ra, como testemunham cartas e mensagens por eles enviadas. Estas nossas palavras serão levadas ao seu conhecimento no seu próprio idioma, e a distância física não impedirá a união espiritual.

É  lógico que as forças que quiseram a realização da pri­meira fase do trabalho, desejem agora que se cumpra também a sua segunda parte, sem a qual aquela não teria sentido. No período ini­cial, muitas provas concretas nos demonstraram que este movimen­to é vontade do Alto e que não tenciona parar, já que nenhuma força até agora teve o poder de detê-lo. Ele não confia nos falsos métodos do mundo. Aqui não se trata de barulhentos e rápidos sucessos, de tangíveis realizações imediatas, mas de fenômenos de grande amplitude e por isso de lenta maturação, de realizações que não têm pressa como ocorre como ocorre com o homem, fechado numa só vida; trata-se de desenvolvimentos que se projetam no tempo e no espaço, não precisando, portanto, atingir rápidas conclusões para quem enxerga somente de perto, deles se apercebendo. É  um movimente de grandes proporções que ultrapassa o interesse do indivíduo e do momento e que se entrosa, juntamente com outros movimentos paralelos, no desenvolvimento da História. Então, que cada um cum­pra espontaneamente a sua parte para a qual se sinta chamado. De­pois chegarão outros. O artífice de tudo isso está no Alto e possui inesgotável reserva de instrumentos humanos. Assim aconteceu ago­ra e terá de ocorrer no futuro.

Eis o que significa esta oferta: a Obra terminada e, hoje, entregue aos seus continuadores. Duas vezes essa oferta foi feita e, em ambas, providencialmente rejeitada.  Dizemos "providencialmente", porque cada recusa lhe abriu as portas para maior expansão. A primeira, a recusa de Roma, abriu-lhe as portas do Brasil a segunda, de alguns no Brasil, as da América Latina. Logo, a fi­nalidade a alcançar foi atingida. Para quê? Qual seria essa finalidade?
Se o Comunismo representa a idéia asiática e a democracia capitalista o sistema anglo-saxônico, eis que a América  Latina pode ter uma terceira ideologia de cunho cristão — como cristãos são os latinos filhos de Roma — baseada não sobre problemas de expan­são territorial e predomínio econômico, o que conduz às guerras, mas sobre princípios espirituais que afirmem e difundam a paz. Eis por que a Obra automaticamente se dirigiu para o Brasil, dele se espalhando pela América do Sul.

De fato, o plano da Obra é essencialmente pacífico. As suas bases são evangélicas e as suas conclusões levam a u'a moral de recíproca compreensão e colaboração. Tudo isso se coloca decididamente nos antípodas do estado de guerra, no qual, em outro hemisfério, vivem as mais poderosas nações do mundo. Na reali­dade, o hemisfério norte é um campo minado e sobre ele está sus­pensa, como uma espada de Dâmocles, presa por um fio, a arma atômica. Grande importância pode ter no mundo o poder bélico e econômico, mas ele tem necessidade também de paz, sem a qual — apesar de que com grandes trabalhadores muito se produz — tudo acabará sendo destruído. Precisa-se de paz, sobretudo neste momento em que se vive sob contínua ameaça de guerra nuclear.
A nossa Obra ensina a viver outro tipo de vida, baseando­-se sobre princípios de um nível biológico mais evoluído para levar o homem ao maior grau de adiantamento, que será a nova civilização do terceiro milênio. Pela lógica do processo evolutivo, é fatal que se deve chegar até lá. O problema é prático, utilitário. Trata-se de ter suficiente inteligência, para compreender a vantagem de viver, organicamente, em ordem, em vez de luta e caos; viver com compreensão e coordenação de esforços, em lugar de rivalidade e separatismo egoísta. Estas são as conclusões da Obra, nela estão demonstradas as suas razões profundas, oferecendo soluções até à origem de nosso universo. Evidencia-se claramente, sem se exigi­rem atos de fé, o porquê de nossa existência, quais as leis que a regem e como a dor surge pelo fato de não se obedecer a elas. Explica-se como funciona o imenso organismo do todo dentro do qual estamos situados e com o qual nos devemos coordenar, se não quisermos sofrer. Cada erro é como uma doença nesse organismo, uma enfermidade que causa sofrimento e que percebemos, porque a dor atinge cada célula doente daquele organismo. A enfermidade aparece quando se sai da ordem, e com ela manifesta-se a dor. Pode-se estabelecer a seguinte equivalência: ordem na Lei = felici­dade; desordem fora da Lei = sofrimento. Então, sabemos por que existe a dor e como evitá-la. Sua função é a de nos fazer voltar á ordem para nosso bem, porque na ordem não existe dor.
Alcançamos, assim, u'a moral racional, positiva, demons­trada e por isso mesmo não suscetível de hipocrisia; moral que não é produto fideístico de um ou outro grupo político ou religioso em seu interesse; pelo contrário, trata-se de uma ética universal, não ligada a interesses, verdadeira em todo tempo e lugar, sem escapa­tórias, como são as verdades científicas. Ninguém pensa que a lei de gravitação possa mudar pelo fato de se pertencer a este ou àque­le partido político, a esta ou àquela religião. Assim, a Obra nos ofe­rece u'a moral biológica que funciona para todos, nela se acredite ou não, uma regra de vida armada de sanções, pronta a reagir quan­do a violamos, à qual ninguém pode fugir, como não se pode impedir o desencadear de uma reação química, ou de uma doença, só pelo fato de que se professa uma fé em lugar de outra. O homem hoje, como indivíduo ou como sociedade, sofre imensas dores em conseqüência da ignorância dessas leis, não podendo impedir que elas existam e golpeiam quem, por não as conhecer, comete o erro de as violar. Hoje tais conceitos podem parecer utopia, mas, muitas vezes, o ideal de hoje torna-se realidade amanhã. O ideal é uma antecipação da evolução, e, no mundo atual, dores imensas estão prestes a se desencadear para apressar o desenvolvimento da mente e o amadurecimento da consciência, que são necessários para chegar à compreensão.

Eis o conteúdo e a finalidade da Obra que hoje, neste lo­cal, oferecemos. Uma vez que nos explica como funciona a vida, ela não pode deixar de ser, como a ciência, imparcial e universal. O seu objetivo não é constituir um grupo e com ele lutar contra ou­tros para vencê-los, como é hábito em nosso mundo. O seu método não é impor para dominar, produzindo rivalidade e cisão, mas de­monstrar para convencer, gerando concórdia e unificação. E por isso que a Obra, hoje, não está sendo oferecida a um grupo particular. Ela não pode ficar fechada em nenhuma  divisão humana, em nenhum setor particular ou partido, seja político, seja religioso, co­mo não o podem as leis da vida e as verdades universais da ciência. Isto não significa querer colocarmo-nos acima dos grupos humanos, em nome de Deus, como fizeram algumas religiões. Apenas estamos fora deles. Explica-se, assim, como faliram as tentativas dos grupos que procuraram absorvê-la para suas finalidades particulares. Ela não constitui uma opinião particular, não é um ato de fé cega, nem teoria para esconder e defender interesses, é simplesmente a expli­cação de como funciona a Lei de Deus nos seus diferentes níveis; é tão somente um pensamento que, expressando verdade, quer ofere­cer conhecimento e estado de consciência necessários para uma vida mais elevada e, portanto, com menor sofrimento. Por essa razão, não servem os poderes do mundo, seja político, seja econômico, seja bé­lico, porque eles não são mais do que engrenagens da máquina de Deus, da qual fazem parte como elementos subordinados, máquina que já encontra funcionando e que não precisa do consentimento humano para atingir os seus objetivos. Quem entendeu este meca­nismo sabe aonde a vida quer chegar e, fatalmente, acabará chegan­do, dirigindo, com a sua inteligência, o homem ignorante daquelas metas.

É  assim que a Obra oferecida se funde, totalmente, no fe­nômeno evolutivo e no momento histórico em que se realiza, com pleno conhecimento dos seus objetivos: ele quer e deverá alcançá­-lo. Em suma, reunindo todas as distinções humanas que produzem separações, lhes dizemos: não entramos nesse separatismo. O nos­so princípio é a unificação. Mas não a de grupo, baseada em sec­tarismo e proselitismo para lutar, isto é, para dividir e vencer al­guém, e sim uma unificação com a Lei de Deus, com a sua harmo­nia universal e ordem suprema. O homem só entende a unificação como um agrupamento contra alguém. A isto, muitas vezes, se re­duzem as religiões. Por unificação, porém, entendemos uma ade­são à Lei de Deus, saindo de todos os agrupamentos humanos que acabam por dividirem-se. O homem que usa as coisas espirituais com método sectarista, separatista e agressivo contra o próximo re­vela a sua involução. O evoluído, para não entrar em luta, afasta­-se dele em silêncio, respeitando-lhe a ignorância.

Uma vez, procurando explicar esse tipo de universalismo, responderam-me: "Entendi, trata-se de um novo partido, o dos uni­versalistas". Isto nos mostra como o homem não sabe conceber coisa alguma a não ser em forma de separatismo egocêntrico. E co­mo é difícil para ele superá-lo em sentido universalista unitário! Mas é exatamente nesta fundamental renovação de mente que con­siste a nova civilização do terceiro milênio, porque é dela que de­pende a nossa conduta e, portanto, toda a orientação da vida na so­ciedade humana. O que mais interessa ao involuído atual é a riva­lidade e a luta. O que mais interessará ao involuído de amanhã, será, ao contrário, a unificação e a colaboração. E esta vai ser a maior revolução do novo milênio. É para ela que a Obra nos vai preparando. Assim, desde agora, quem a compreendeu, começa a praticar este novo método de viver, que não é uma egocêntrica von­tade de sobrepor-se aos outros, mas, sim, de entendê-los para coope­rar. Trata-se de tornar, finalmente, realidade o lema evangélico, até hoje reduzido apenas à pregação e teoria: “ama a teu próximo como a ti mesmo”.

Com esta Obra nos projetamos no futuro. Ela foi escrita para as gerações que chegarão e às quais os senhores a confiarão a fim de que possam vivê-la. Os senhores têm — e elas também te­rão — u'a missão: a da realização. Lembrem-se, porém, que u'a missão não existe somente para ser proclamada, como se costuma fazer, mas para ser cumprida. O nosso trabalho não é de palavras, mas de obras. Agora a oferta está feita. Como foi com trabalho que se realizou a primeira fase, agora terminada, assim será com ele que se poderá realizar a segunda, ainda a fazer. Trata-se de cons­truirmos a nós próprios. O edifício a levantar é interior. Mas nada cai do céu gratuitamente. Tanto o indivíduo, como a humanidade, todos têm de subir a montanha da evolução com as suas próprias pernas. Mudam-se os operários, e a obra continua. Eu lhes mostrei a meta a atingir. O homem é livre e pode também recusar. Neste caso nada colherá e, em vez de ganhar, elevando-se, ficará em bai­xo, nas velhas posições atrasadas.

Para isso, hoje se trata de uma oferta e não de uma or­dem, isto é, uma dádiva que a vida oferece para o bem da huma­nidade, não uma imposição a constrangê-la. É uma ajuda, uma ori­entação, um convite para evoluir. A vida, nesta hora, deseja con­vencer quem tem capacidade de compreender, mostrando o cami­nho aos homens de boa vontade  Para quem não quiser entender há outros meios mais persuasivos: a imensa destruição pela guerra. Isto não é novidade na história da evolução. A dor foi sempre o meio clássico com o qual a vida se faz presente àqueles que não querem compreender outra linguagem. Só assim, para o seu bem, ela consegue fazê-los evoluir.

*  *  *

Estabelecemos nitidamente a posição da Obra perante o seu futuro desenvolvimento e explicamos qual a função que ainda tem de cumprir; mostramos qual o seu conteúdo e o significado desta nossa simbólica oferta feita hoje, aqui, em Brasília, e dirigida ao Brasil e aos povos da América Latina. Vamos esclarecer agora, porque todas essas coisas aconteceram, acontecem e se concluem, hoje, neste momento e lugar.

Tudo isso corresponde às atuais condições do mundo e aparece justamente para satisfazer uma urgente necessidade. O de­senvolvimento da técnica está pronto para fornecer o bem-estar ma­terial. Falta, para o completar e equilibrar, um paralelo desenvol­vimento moral e espiritual que o dirija para o bem e não para o mal, que pode ser uma ruína para todos. Se o homem não chegar a possuir estas outras qualidades, o programa material por si só po­derá levar a um desastre. Estes podem ser os resultados de uma ciência que não seja guiada por princípios superiores. Vimos isso com a descoberta atômica. Eis a função salvadora da terceira idéia.
Ora, esta idéia não é somente, como acima explicamos, uma verdade válida para todos, porque racionalmente positiva, biologicamente evolucionista, cientificamente universal. Ela é também cristã. E o é no mais profundo sentido unitário e substancial, por­quanto nela podem, juntos, encontrar-se Catolicismo, Protestantis­mo, Espiritismo e espiritualismos afins de fundo cristão, uma idéia para a qual já se encaminham as filosofias e religiões de tipo cris­tão no seu presente trabalho de atualização. Trata-se de um produto típico da raça latina para a raça latina, irradiando de Roma, novo modelo da mesma civilização cristã que a Cidade Eterna espalhou pelo mundo por dois milênios e que agora se desloca para outro centro, no país que foi chamado Nova Pátria do Evangelho. Os sintomas e os efeitos desta nova amplitude de visão encaminhada para a unificação dos irmãos separados já apareceram em atitudes ecumênicas no seio da mais dogmática das religiões. É evidente que esta é a tendência de nosso tempo. Outros, menos ágeis, chegarão mais tarde, mas tendo de progredir no mesmo sentido de unificação. Vemo-lo na política, no fato de que o mundo está reduzido a duas ou três grandes potências ao redor das quais se agrupam todas as demais.

Esta nova terceira idéia aparece em um momento históri­co gravíssimo. Há um século ela teria sido considerada absurda e inaplicável. Hoje tudo se move para novas posições. Vive-se uma febre de renovação. Em sua grande parte, só se assiste ao primeiro momento, que é negativo, de destruição, como vemos no existen­cialismo e similares. Mas isto implica a fase inversa e complemen­tar, isto é, positiva e reconstrutiva. Eis a função da terceira idéia. Tudo o que for deste tipo se torna hoje de primeira necessidade, indispensável para a continuação da vida, porque a sua velha casa, na qual os homens se abrigaram por dois mil anos, agora está cain­do de velhice, com terremotos de revoluções mundiais, sacudindo-a até aos alicerces. Eis que a Obra oferecida está proporcionada ao nosso tempo e este a ela. Tudo está conexo e chega na devida épo­ca, feita de partes correspondentes que se entrosam umas nas outras.

Tudo isso deixa supor a existência de um plano preesta­belecido, tanto mais que não se podia prevê-lo quando a Obra foi iniciada. E aparece visível só agora, depois do trabalho terminado. Outra mente que sabia deve, portanto, ter preparado e organizado este labor. E, se essa mente tanta coisa soube fazer até hoje, isto nos autoriza a crer que ela continuará a sabê-lo executar também no futuro, porque é inadmissível que quem deu prova, num determinado período, de ser inteligente se torne de repente o oposto e se desinteresse de um trabalho tão cuidadosamente elaborado. Com estas afirmações, ficamos aderentes aos fatos, porque queremos ser entendidos pelas mentes racionais, permanecendo positivos, como é necessário para quem deve realizá-los  Exatamente porque a com­posição da Obra foi em grande parte trabalho de parapsicologia, tive de me impor uma disciplina mental que cumprisse um contínuo e rígido controle; e aconselho aos que trabalhem neste terreno, fácil de se perder em fantasias e aceitar por verdades aquilo que é pro­duto do subconsciente. É certo, no entanto, que, se tivesse de fazei: uma confissão, deveria dizer que fiquei maravilhado em constatar não somente na composição da Obra, como também nos fatos que determinaram sua difusão até aqui, a presença de uma inteligência diretriz e de uma vontade realizadora; sem ela tudo o que foi alcan­çado até hoje, até este ponto culminante em Brasília, não poderia ter sido realizado. Também para os céticos a lógica é lógica e os fatos são fatos. E o conhecimento pormenorizado do caminho até aqui percorrido pela Obra que me diz e me obriga a concluir:  seria absurdo ter seguido esta trajetória, inutilmente, sem que ela continuasse a desenvolver-se até atingir seus objetivos.
Agora que o trabalho foi realizado, pergunto-me como foi possível executá-lo, seguindo um plano lógico de desenvolvimento sem o conhecer com antecedência, como foi possível chegar ao pon­to conclusivo desta oferta em Brasília, no qual tudo fica confirma­do, quando não se dispunha de meios adequados para tanto. Pelo contrário, tudo parecia em poder de discordantes vontades alheias, muitas dirigidas para objetivos bem diferentes. Foi um caminho tortuoso, através dos mais diversos ambientes. Porém o ponto de chegada foi atingido, sem contradições nem desvios, sem concessões nem adaptações, caminho em substância retilíneo, apesar de ter per corrido uma floresta cheia de obstáculos e enganos. O milagre está no fato de os ter vencido com a sincera simplicidade de uma criança. Que longa história vejo para trás! É  a história de minha vida

Agora observo que as afirmações sustentadas no Cap. XIII: "A Minha Posição", num dos primeiros livros da Obra: Ascese Mística, nunca foram desmentidas. Foram confirmadas no livro: A Grande Batalha. Aquele método, que parece loucura para o mundo, de se confiar sobretudo nas forças espirituais demonstrou-se experimentalmente válido e nos levou até as conclusões de hoje. Se não se admite uma intervenção que esteja acima dos comuns re­cursos humanos, tudo isso não pode ser explicado.

Cumpre-se por fim o que foi dito no Cap. V do volume Profecias, a respeito da "Função Histórica do Brasil no Mundo". Quando escrevi aquelas páginas, ainda não existia Brasília, e elas nos explicam por que hoje estamos aqui realizando esta oferta da Obra. E com o livro Profecias que a Obra inicia a sua segunda parte escrita no Brasil, por isso, chamada brasileira, em homenagem a este pais. Há uma convergência de tantos fatos para este momen­to que agora vivemos! Ele encerra um caminho e inicia outro. Um pobre homem chegou de longe, do centro da civilização cristã, ve­lho e esgotado, e entrega hoje o fruto de sua vida a um mundo jo­vem, imenso, ao qual pertence o futuro. Esta semente levada pelo vento de mil aventuras chegou até aqui e parou neste lugar, nesta terra virgem, no centro de um novo continente. Mil acontecimen­tos milagrosamente concordaram para chegar a este resultado. O acaso não poderia tê-lo produzido. Não se pode deixar de ver em tudo isso a mão de Deus. nos explicam por que hoje estamos aqui realizando esta oferta da Obra. É evidente Sua vontade que esta semen­te cresça e se desenvolva para a afirmação espiritual desta nova grande Terra, para que ela no terceiro milênio cumpra a sua mis­são no mundo, conforme o seu destino, que não é de guerra, mas, um destino evangélico de bondade, de amor e de paz.


sábado, 4 de junho de 2016

A Justiça da Lei

Ler Pietro Ubaldi exige que se mantenha  sintonia com toda a mensagem e assim aqui vai todo o capítulo 20 do livro  " A Lei de Deus" que servirá de ensinamento para aqueles que têm dificuldade em aceitar as injustiças sofridas aqui neste ambiente de lutas.



XX

A JUSTIÇA DA LEI


Contra o método de ataque e defesa, do mundo, só o da não-resistência, o do Evan­gelho, resolve. Nosso ofensor, instrumento da Justiça da Lei.


No capítulo precedente constatamos que a sa­bedoria do mundo consiste em grande parte na ar­te que praticam os astuciosos, seguidores do ca­minho mais curto, com a intenção de escapar a Lei.


Vimos que a luta nasce dessa forma de encarar a vida, e a finalidade que explica e justifica essa luta é a de desenvolver a inteligência nos seus níveis mais baixos.


Continuemos observando outros aspectos do pro­blema de nosso comportamento com respeito a Lei, para ver quais são as conseqüências de nossos dife­rentes atos e a maneira como nos conduziremos me­lhor para evitar erros e sofrimentos. Verificamos que nossa vida atual esta regida pela lei da luta, em que o mais forte vence e domina. Isto significa que a to­do momento estamos sujeitos a receber ataques. Daí a necessidade duma defesa. Que nos diz a Lei a esse respeito? Como resolve ela o problema? Quais são nossos direitos e deveres? Qual a conduta que nos conduz a resultados melhores? Qual deve ser nossa reação ao ataque? Qual o método mais sábio e van­tajoso para resolver o caso?


Este é um dos pontos onde mais ressalta a opo­sição entre o sistema do Evangelho e o do mundo. O primeiro sustenta a regra da não-resistência, o segun­do o uso da reação violenta. Já vimos, trata-se de leis pertencentes a dois níveis evolutivos diferentes, leis verdadeiras, cada uma no seu respectivo plano de vida, ao qual estão adaptadas. Trata-se de duas maneiras de conceber, em função de pontos de refe­rência diferentes.



Quando recebemos um golpe, sabemos de onde vem? Sua origem pode, em princípio, encontrar-se em uma destas três causas: 1º) O acaso; 2º) a vonta­de do agressor; 3º) a vontade de Deus. Observemo­-las:

1º) A teoria do acaso é inaceitável para quem sabe que o universo é um organismo cujo funciona­mento é regulado pela Lei. Num sistema desta natu­reza não pode haver lugar para o acaso, sobretudo no que respeita à dor, coisa tão importante, pelas suas causas e pelos seus efeitos, no destino de um homem.

2º) Temos visto que a vontade do homem está fe­chada entre limites, como a liberdade do peixe no rio ou de um carro na estrada, de onde não podem sair.


3º) Quem estabelece esses limites intransponíveis e a regra certa de todo movimento dentro deles, é a vontade de Deus, por Ele mesmo escrita na Sua Lei. Transpor esses limites dá origem à dor.


É possível, desse modo, estabelecer a causa do que nos acontece e também dos ataques recebidos.


1) Ela não está no acaso.


2) Dentro dos limites marcados pela Lei ou vonta­de de Deus, a causa está na vontade do homem. Isto porque lhe é permitido escolher entre o certo, permanecendo na ordem da Lei, e o errado, saindo dessa ordem com a desobediência. Tudo o que é de­vido a vontade do homem, poder-se-ia chamar de causa próxima. Neste ponto sua vista míope detém-se e, nada vendo mais além, acredita ter atingido o ponto final do problema.


3) Mas, além das causas encarregadas de dirigir o caso particular, deixando o homem em liberdade de maneira a que aprenda, para além dessas causas secundárias e periféricas, existe uma causa maior, principal e central, uma causa de todas as outras causas menores, que as dirige e domina. Então, aquela que se julga ser a única e primeira fonte dos acontecimentos da vida, não é senão uma causa re­lativa, momentânea e aparente, um meio em que se realiza uma causa muito mais longínqua - verdadei­ra, fundamental, absoluta e definitiva. É lógico que esta outra causa tão diferente só se possa encontrar no seio do último termo, isto é, em Deus e na sua von­tade, acima de todas as coisas.


Acontece que essa causa maior abrange e co­ordena todas as causas menores movidas pelo ho­mem, inclusive sua liberdade de oscilação entre ver­dade e erro, bem e mal etc., que têm de obedecer e estão sujeitas àquela causa maior, que é a justiça de Deus. Desse modo, o homem está livre para agir certa ou erradamente, porém, além disso sua liberdade não alcança, pois atua a outra causa que é a Lei, isto é, a justiça de Deus com as suas fatais reações contra a desobediência.


Não há dúvida, o ataque que nos golpeia é mo­vimentado por um ser, chamado, por isso, nosso inimi­go. Mas, ele é só a causa próxima e é contra esta que, em nossa miopia, começamos a lutar. Mas, co­mo se pode corrigir o fato até atingirmos suas causas profundas, nelas praticando nossa atividade corretora? Explica-se, assim, o motivo pelo qual o mundo, operando na superfície, não recolhe senão resultados superficiais. Na verdade, apesar das armas para a defesa estarem sempre em ação, os ataques voltam a surgir continuamente de todos os lados, ficando o pro­blema sem solução. E o que sempre continua perma­necendo de pé é a luta continua de todos contra todos. Mas, é lógico: não se pode curar uma doença só com o tratamento dos seus sintomas exteriores.


Assim, o mundo fica na superfície do problema. Cada um procura destruir seus inimigos, mas não a causa que gera inimigos: procura afastar os golpes mas não a causa que os produz. Para que o pro­blema seja resolvido, eliminando em definitivo os efei­tos, logicamente é necessário que seja removida não somente a causa próxima deles, mas também sua causa primeira, de que tudo deriva. Porém, o mundo dos ho­mens práticos, que ficam apegados à realidade, pre­fere cuidar das causas próximas, porque estas são consideradas positivas, tocam-se com as mãos, en­quanto se desconhecem as causas primeiras, julga­das teóricas, fora da realidade, não percebidas pelos sentidos. Mas, o fato de o problema, que nasceu com o homem e foi sempre encarado com este critério, ainda não estar resolvido, depois de tantos milênios, e ainda subsista, nos prova que neste caso esses ho­mens práticos estão errados.


Num sistema centro-periférico qual o do nosso universo, não pode haver caminho que não leve para Deus. Só n'Ele se pode encontrar a causa primeira de tudo. Mas, como pode Deus ser a causa dos golpes que recebemos? Não há dúvida, eles saem das mãos dos nossos inimigos. Mas, se existe uma Lei geral de ordem, como nos parece cabalmente demonstrado, quem foi que os deixou movimentar-se contra nós e porque de uma determinada forma e não de outra? Como pode Deus deixar que uma função tão impor­tante como a da Sua justiça fique abandonada nas mãos dos nossos agressores, a eles deixando o poder de julgar e punir, que só a Ele pode pertencer, por­que é o único que sabe o que faz? A reação da Lei tem de ser conforme a justiça, proporcionada a qua­lidade e extensão do nosso erro. Num trabalho tão importante, que exige tanto conhecimento, pode Deus, que tudo dirige, ser dirigido pelos nossos ofensores e ter de obedecer à vontade e ignorância deles? Que podem eles saber do nosso merecimento? Desabaria então todo o edifício da Lei, baseado na ordem e justiça. Seria o caos no seio de Deus. De tudo isso se segue que não pode surgir um ataque contra nós se não o tivermos merecido. O ho­mem que o executa, seja quem for, é só uma causa secundária. Qualquer indivíduo, funcionando como instrumento, pode isso realizar quando, pelas quali­dades que possui, se encontra nas condições apro­priadas. Então, aparecerá em nossa vida um ofen­sor. Se isto não for possível de um modo, acontecerá de outro. Quaisquer que sejam nossos poderes hu­manos, ninguém poderá paralisar o funcionamento da Lei no seu ponto fundamental - a justiça de Deus. Conforme esta justiça, ninguém poderá chegar até nós, se não tivermos, com nossos erros, deixado as portas abertas. Ficaremos, assim, a mercê de to­dos os atacantes, quaisquer que eles sejam, se tiver­mos merecido a reação da Lei, que os fez seus ins­trumentos.



Quando o problema está enquadrado nesses ter­mos, parece claro que a defesa que o mundo pratica, limitada só contra o ofensor, não somente é inútil, mas representa um novo erro que se junta ao velho, aumentando-o. O remédio, então, é só um: não merecer, isto é, tomar cuidado em preparar o nosso futu­ro, não errando em ir contra a Lei e não merecendo, assim, sua reação. E se a tivermos merecido, não há que fugir: é necessário pagar. Poderemos destruir com a força todos os nossos inimigos. Outros surgirão para nos perseguir, enquanto não tivermos pago tu­do. Se construirmos a casa do nosso destino sobre as areias movediças da prepotência e da injustiça, é ló­gico que ela caia sobre nós. Mas nada se desmoro­nará se colocarmos os alicerces sobre as rígidas pedras da justiça. Destarte, tudo depende de nós mesmos e na­da dos outros. O inimigo que nos agride somos nós mesmos, que com erro provocamos a reação da Lei que, por sua vez, movimenta os elementos apropria­dos para executar essa reação. Agora se pode com­preender melhor o que tantas vezes dissemos: quem faz o bem, como quem faz o mal, o faz a si mesmo. Pela justiça de Deus não pode haver um mal que não tenha sido merecido. Isto não quer dizer que a justi­ça de Deus, sozinha, por si própria, quer movimentar o ataque contra nós. A divina justiça representa ape­nas a norma que regulamenta e o poder que impõe o desencadeamento do ataque conforme a Lei, quan­do o tivermos merecido.


Por isso, nosso inimigo, contra o qual apontamos nossas armas, não tem poder algum contra nós, além daquele que nós mesmos lhe conferimos com nossas obras contra a Lei de Deus. Se nós destruirmos com a força esse inimigo, crescerá a nossa dívida peran­te a justiça da Lei e com isso concederemos, a um número maior de inimigos, poderes maiores contra nós. Que se ganha então usando o método do mun­do? Aparece aqui a necessidade lógica de praticar o método da não-resistência, porque ele é o único que representa um verdadeiro sistema de defesa; Parali­sar o inimigo não paralisa o ataque, mas piora nossa posição, porque o: verdadeiro inimigo não é aquele que vemos. Trata-se de uma ilusão dos nossos senti­dos, ilusão que cabe à inteligência desfazer.


Quem compreendeu como funciona o jogo da vi­da que estamos explicando, quando receber uma ofensa, não reage contra seu ofensor, porque sabe isto: ele não tem valor algum, a não ser o de repre­sentar um instrumento cego nas mãos de Deus. Por isso, não merece nem ódio, nem vingança. Quem isto compreendeu, ao receber o ataque, aceita-o como li­ção das mãos de Deus, Que com isso não quer vin­gar-se, nem punir, mas endireitar-nos, para que saia­mos, assim, do erro e do sofrimento. Voltamos, desse modo, a ordem da Lei; enquanto que, usando o mé­todo do mundo, saímos mais ainda para fora daque­la ordem, aumentando dívidas e sofrimentos. E, se alguém nos ofender sem o termos merecido, o ataque não nos alcança, não nos penetra, e quem nos quis fazer o mal, não o faz a nós, mas a si mesmo. Tudo volta à sua fonte. Quem é verdadeiramente inocen­te é invulnerável a todos os assaltos. Mas, encontra­-se porventura, em nosso mundo, quem seja comple­tamente inocente?



Então, quando alguém nos ataca, isso acontece conforme a justiça de Deus. Nossas contas são com Deus e não com nosso inimigo. Se ele nos faz mal, ele terá também suas contas com Deus e terá de pagá-las; mas, isso não nos pertence. Surgirão para ele outros inimigos e ataques, para que sempre se cum­pra, em relação a todos, a justiça de Deus. Quem pratica o mal, só por isso, qualquer que ele seja - apesar de funcionar como instrumento de Deus para corrigir seu irmão e se ter aproveitado da fraqueza deste, que deixou as suas portas abertas, fazendo-lhe o mal - abre por sua vez suas próprias portas, pelas quais outros inimigos estão sempre prontos a entrar, empregados por Deus como instrumentos da Sua jus­tiça. Assim, também os maus são utilizados por Deus como instrumentos da Sua justiça. Assim, também os maus são utilizados por Deus para gerar o sofri­mento, cuja tarefa é a de purificar os bons A con­clusão é que ninguém pode receber ofensa que não tenha sido merecida. Neste caso, não nos resta senão bater nos peitos, procurando, antes de tudo, pagar nossa dívida, deixando aos nossos inimigos, quando chegar sua vez, pagar igualmente suas contas pelo mal que tiverem feito, porque a Lei é igual para to­dos. Há uma Divina Providência para cada um. Mas, para ser justa, ela providencia o bem para os bons e o mal para os maus.






segunda-feira, 25 de abril de 2016

Mensagem da Ressureição










Mensagem da Ressurreição

Pietro Ubaldi
(Páscoa de 1932)


De além do tempo e do espaço chega minha voz. É uma voz universal que fala ao mundo inteiro e verdadeira permanece através dos tempos. A verdade não pode sofrer mudanças se olhada por esta ou aquela nação, se observada por uma raça ou outra, porque a alma humana é sempre a mesma em toda parte, se examinada em sua profundeza.

Venho a vós, na Páscoa, acima de tudo para iluminar e confortar, pois vos achais imersos numa vaga de dores. Crise a denominais e a imaginais crise econômica. Eu, porém, vos digo que se trata de uma crise universal, crise de todos os vossos valores morais, de todas as vossas grandezas. É o desmoronar-se de todo um mundo milenário. Digo-vos que a crise se encontra sobretudo em vossas almas: crise de fé, de orientação, de esperanças. É o vertiginoso momento de grandes mutações.

Trago-vos esperança, orientação, paz. A cada um falo hoje a palavra da verdade e do amor, palavra que não mais conheceis. Quero reconduzir-vos às origens milenárias da fé com o intelecto novo, nascido de vossa ciência. No dia da Ressurreição, repito-vos a palavra da ressurreição, a fim de que possais compreender a dor e ultrapasseis as estreitas fronteiras de vossa vida. Comovido, falo a cada um no sagrado silêncio de sua consciência.

Ó tu que lês, afasta-te, por um momento, dos inúteis ruídos do mundo e escuta! Minha voz não te atingirá através dos sentidos, mas, através desta leitura, senti-la-ás aflorar dentro de ti na linguagem de tua personalidade. Minha voz não chega, como todas as coisas, do exterior, contudo, surgirá em ti, por caminhos desconhecidos, como coisa tua, da divina profundeza que em ti existe e na qual também estou.

O universo é infinito e de longe venho, atraído pela tua dor. Nada me atrai tanto como a dor, porque somente nela o homem é grande, e se purifica e redime, dirigindo-se para destinos mais elevados. É triste serdes assim golpeados, mas, somente sofrendo, podeis compreender a realidade da vida. Exulta, porque este é o esforço da tua ressurreição!

A quem sofre eu digo: “Coragem! És um decaído que na sombra reconquista a grandeza perdida”.

É a justa reação da Lei que livremente transgredistes e que exige o retorno ao equilíbrio; instrumento de ascensão, a dor vos aponta o caminho de que fugistes; impõe-vos reabrirdes vossa alma, fechada pelas alegrias fáceis que infelizmente vos cegam, para que alcanceis júbilos mais altos e verdadeiros. A dor é uma força que vos constrange a refletir e a buscar em vós mesmos a verdade esquecida. É imposição de um novo progresso.

Abraça com alegria esse grande trabalho que te chama a realizações mais amplas. Se não fosse a dor, quem te forçaria a evolver para formas de vida e de felicidade mais completas?

Não te rebeles; pelo contrário, ama a dor. Ela não é uma vingança de Deus e sim o esforço que vos é imposto para mais uma conquista vossa.

Não a amaldiçoes, mas apressa-te a pagar o débito contraído pelo abuso da liberdade que Deus te deu para que fosses consciente. Abençoa essa força salutar que, superando as barreiras humanas, sem distinção transpõe todas as portas, penetra o que é secreto, e fere, e comanda, e dispõe, e por todos se faz compreender. Abraça a dor, ama-a, e ela perderá sua força. Aceita a indispensável escola das ascensões. Se te revoltares, tua força nada conseguirá contra um inimigo invisível e a violência, em retorno, mais impetuosamente cairá sobre ti.

Coragem! Ama, perdoa e ressuscita! Não procures nos outros a origem de tua dor, mas, sim, em ti mesmo, e arrepende-te. Lembra-te de que a dor não é eterna, porém uma prova que dura até que se esgote a causa que a gerou. Tua dor é avaliada e não irá jamais além de tuas forças. O mundo foi criado para a alegria e a alegria lhe voltará. Da outra margem da vida, outras forças velam por ti e te estendem os braços, mais do que tu ansiosas pela tua felicidade.

Falei com o coração ao homem de coração. Falarei agora à inteligência.

Tendes, ó homens, a liberdade de vossas ações, nunca a de suas conseqüências. Sois senhores de semear alegria ou dor em vosso caminho, e não o sois de alterar a ordem da vida. Podeis abusar, porém, se abusardes, a dor reprimirá o abuso. De cada um de vossos males, fostes vós mesmos que semeastes as causas.

O maior erro de vossos tempos é a ignorância da realidade moral, íntima orientação da personalidade, que é o fundamento da vida social.

O homem moderno se aproxima de seu semelhante para tomar-lhe alguma coisa, nunca para beneficiá-lo. A vossa civilização, que é econômica, está baseado no princípio " do ut des " , que é a psicologia do egoísmo. É a força econômica sempre a reger o mundo. A psicologia coletiva não é senão a soma orgânica dessas psicologias individuais. A riqueza se acumula onde a força a atrai, e não onde a necessidade ou superiores exigências a reclamam; não constitui instrumento de uma vida de justiça e de bem, mas, sim, máquina de poder, representando, em si mesma, um objetivo. A lei de equilíbrio é constantemente violada e impões reações. Não dominais a riqueza, conduzindo-a a fins mais elevados: é a riqueza que vos domina.

Trabalhai, mas que o escopo do vosso trabalho não se reduza apenas a proveitos isolados e egoístas, e sim a frutificar no organismo social; somente então se formará aquela psicologia coletiva, que é a única base estável da sociedade humana.

Fazei o bem, todavia, lembrai-vos de que o pobre não deseja propriamente o supérfluo de vossas riquezas, mas que desçais até ele, que partilheis de sua dor e, até, que a tomeis para vós, em seu lugar.

Venerai o pobre: ele será o rico de amanhã. Apiedai-vos do rico que amanhã será o pobre. Todas as posições tendem a inverter-se a fim de que o equilíbrio permaneça constante. A riqueza tende para a pobreza e a pobreza para a riqueza. Ai daqueles que gozam! Bem-aventurados os que sofrem! Esta é a Lei.

Não confieis no mundo, que rirá convosco enquanto tiverdes força e bem-estar; confiai, antes, em mim, que venho quando sofreis e vos trago auxílio e conforto. Já vedes, hoje, que a dor realmente existe e que nem o ceticismo nem qualquer poder humano conseguem afastá-la.

Uma radical mudança verificar-se-á na sociedade humana, a fim de que a vida não seja um ato de conquista, onde triunfe o mais forte ou o mais astuto, mas, sim, um ato de bondade e de sabedoria em que seja vitorioso o mais justo. Investigando-as com vossa ciência, achareis no íntimo das coisas essa suprema Lei de equilíbrio que vos governa; aprendereis que a bravura da vida não está em violar essa Lei, semeando para vós mesmos reações de dor, porém, em segui-la, semeando efeitos de bem. Deveis também aprender que o vencedor não é o mais forte — esse é um violador — e sim quem segue conscientemente o curso das leis e sem violência se equilibra no seio das forças da vida. As religiões já o revelaram, entretanto, não acreditastes; a ciência o demonstrará, todavia não desejareis ver. O momento é decisivo. Ai de vós se, nesta vitória de civilização material em que viveis, desejardes ainda perseverar no nível do bruto.

Está maduro o mundo, mas, ao mesmo tempo, cansado de tentativas e experiências, do irresolúvel emaranhado de vossos expedientes; cansado de viver no momento, em face de um amanhã repleto de incógnitas; e quer seriamente prever e resolver os grandes problemas da vida, quer francamente olhar o futuro, ainda que isso reclame uma grande coragem.

O mundo tem necessidade da palavra simples e forte da verdade e não de novas astúcias a rolarem por velhos caminhos. O mundo espera essa palavra com ansiedade, como também a aguarda o momento histórico.

A psicologia coletiva tem o pressentimento, embora confuso, de uma grande mudança de direção; sente que o pensamento humano, não mais infantil, apresta-se para tomar as rédeas da vida planetária e que o homem vai substituir o equilíbrio instintivo e cego das leis biológicas por outro equilíbrio, consciente e desejado. Por isso está buscando a luz, para que seu poder não naufrague no caos.

Não está longe de desaparecer vossa psicologia experimental, que será substituída pela psicologia intuitiva; esta a muito longe conduzirá vossa ciência. Novos homens divulgarão a verdade; não mais serão mártires cobertos de sangue, nem se assemelharão aos anacoretas de outrora, porém homens de inteligência e de fé, que difundirão seus pensamentos utilizando-se de moderníssimos recursos, homens que servirão de exemplo no meio do turbilhão de vossa vida.

Despedaçai a férrea jaula que o passado para vós construiu, e onde já não vos resta espaço. Ousai abandonar os velhos caminhos mas não ouseis loucamente, onde não há razão para ousadias; ousai na direção do alto e nunca ousareis demasiadamente. Do grande mar de forças latentes, que não percebeis, imensa vaga levantará o mundo.

Até lá, guardai a fé! A vossa crise, se é profunda e dolorosa, fará, no entanto, nascer o homem novo do terceiro milênio.



1 - Para resolvê-la, recordai que ela é mal de substância, que não se debela corrigindo a forma, como procurais fazer. Para solucioná-la é necessário considereis o problema em sua substância; e sua substância é o homem, sua psicologia, sua alma, onde se encontra a motivação de suas ações, a fonte original dos acontecimentos humanos. Eis aí a chave do futuro.

Vosso multimilenário ciclo de civilização está a esgotar-se; deveis retomá-lo em nível mais elevado, vivê-lo mais profundamente, não somente crendo, mas, também, " vendo ".

Ai de vós se, depois de haverdes atingido o domínio do planeta, não dominardes a máquina, a riqueza e as vossas paixões, com um espírito puro.

Sois livres e podeis também retroceder.

2 - No período que resta deste século se decidirá do terceiro milênio. Ou vencer, ou morrer: e a morte, desta vez, é a morte pior, porque é morte de espírito.

3 - A todos eu digo : " Ressuscitai com a minha ressurreição ".
Pietro Ubaldi
Livro: Grandes Mensagens

sexta-feira, 15 de abril de 2016

MENSAGEM DO PERDÃO


A mensagem abaixo foi materializada por Pietro Ubaldi, em 1932.

Após a Mensagem do Perdão postei  uma mensagem de Emmanuel, sobre o Livro A Grande Síntese,
de Pietro Ubaldi.

III
MENSAGEM DO PERDÃO
Pietro Ubaldi
(2 de agosto de 1932, dia do “Perdão da Porciúncula” de São Francisco)

Filho meu, minha voz não despreza tuas pequeninas coisas de cada dia, mas delas se eleva para as grandes coisas de todos os tempos.

Ama o trabalho, inclusive o trabalho material. Coisa elevada e santa, o trabalho, presentemente, foi transformado em febre. De que não se tem abusado entre vós? Que coisa ainda não foi desvirtuada pelo homem? Em tudo vos excedeis e, por isso, ignorais o labor equilibrado, que tão elevado conteúdo moral encerra: se busca o necessário ao corpo, ao mesmo tempo contenta o espírito. E, no entanto, transformastes esse dom divino, com o qual poderíeis plasmar o mundo à vossa imagem, em tormento insaciável de posse. Substituístes a beleza do ato criador, completo em si mesmo, pela cobiça que nunca descansa. Quantos esforços empregados para envenenar-vos a vida!

Ama o trabalho, mas com espírito novo; ama-o, não pelo que ele é propriamente, porém, como um ato de adoração a Deus, como manifestação de tua alma, nunca como febre de riqueza ou domínio. Não prendas tua alma aos seus resultados, que pertencem à matéria e, portanto, sujeitos à caducidade; ama, porém, o ato, somente o ato de trabalhar. Não seja a posse, o triunfo, a tua recompensa, mas sim, a satisfação íntima de haveres cumprido, cada dia, o teu dever, colaborando assim no funcionamento do grande organismo coletivo.

Esta é a única recompensa verdadeira, indestrutível, solidamente tua; as demais depressa se dissipam e se perdem. Ainda que nenhum resultado positivo obtivesses, uma recompensa ficaria contigo para sempre: a paz do coração, paz que o mundo perdeu por prender-se às coisas concretas, julgando-as seguras.
Desapega-te de tudo, inclusive do fruto de teu trabalho, se queres entrar na posse da paz. Ocupa-te das coisas da Terra, mas apenas o suficiente para aprenderes a desapegar-te delas.

Toda construção deve localizar-se no teu espírito, deve ser construção de qualidades e disposições da personalidade, e não edificação na matéria, que é um remoinho de areia que nenhum sinal pode conservar.

Tudo o que quiserdes vos seja unido eternamente deve ser unido por qualidades e merecimento, deve ser enlaçado pela força sutil da Lei, por vós movimentada, nunca por vossa força exterior, ou por vínculos das convenções sociais ou ainda por liames da matéria. Só nesse sentido se pode realmente possuir: de outro modo, não obtereis senão a tristeza depois da ilusão e a consciência posterior da inutilidade de vossos esforços.

Outro grande problema, que voz diz respeito, é o amor. Elevai-vos em amor, como deveis elevar-vos em todas as coisas, se quereis encontrar profundas alegrias. Martelai vossa alma, num íntimo trabalho de cada dia, que vos leva à conquista de amores sempre mais extensos, únicos que têm a resistência das coisas terrenas.

Sabes que o amor se eleva do humano ao divino e que nessa ascensão ele não se destrói, mas se fortalece, aperfeiçoando e multiplicando-se. Segue-me e, então, poderás entoar o cântico do amor:

“Meu corpo tem fome e eu canto; meu corpo sofre e eu canto; minha vida é deserta e eu canto; não há carícias para mim, porém todas as criaturas vêm à mim. Meu irmão de mim se aproxima como inimigo, para prejudicar-me, e eu lhe abro os braços em sinal de amor. Eu vos bendigo a todos vós que me trazei dor, porque com ela me trazeis a purificação, que me abre as portas do Céu. Minha dor é um cântico que me faz subir. louvado sejas, ó Senhor, pelo que é a maior maravilha da vida; que as pobres intenções malignas de meu próximo sejam para mim a Tua Bênção”.

Estes meus ensinamentos são dirigidos mais à vossa intuição que ao vosso intelecto. Tem um sentido mais amplo o que vos tenho dito: a felicidade dos outros é vossa única felicidade, verdadeira e firme. Significa extinção dos egoísmos num amplexo universal de altruísmo. Tudo isso pode ser de fácil compreensão, mas é difícil senti-lo. Não procuro vossa razão que discute, antes busco essa visão interior que em vós opera, que sente por imediata concepção, que enxerga com absoluta clareza e lealmente se entrega à ação.

Peço-vos o ímpeto que somente nasce do calor da fé e que nunca vem pelos tortuosos caminhos do raciocínio. Não desejo erudição, pesquisas e vitórias do intelecto; quero, antes, que vejais, num ato sintético de fé e que imediatamente vivais vossa visão, e personifiqueis a idéia avistada, e resplendais vós mesmos, em seu esplendor. Somente então a idéia viverá na Terra e personificado em vós existirá um momento da concepção divina.

Não estou apelando para vossos conhecimentos nem para vosso intelecto, que não são patrimônios de todos, mas venho até junto de vós por caminhos inabituais e em vós penetro como um raio que desce às profundezas e dissipa as trevas, que cintila e vos arrasta através de novas vias, com forças novas, que levantarão o mundo como num turbilhão.

Também falarei, para ser entendido, a linguagem fria e cortante da razão e da ciência, porém usarei, acima de tudo, da linguagem ardente e direta da fé. Minha palavra será ora o brado de comando, ora a ternura de um beijo de mãe.
Para ser por todos compreendida, minha palavra percorrerá os extremos de sabedoria e de singeleza, de força e de bondade. Será pranto de amargura e remoinho de paixão; será nostálgico lamento, suspirando por uma grande pátria distante, como será também ímpeto de ação para até ela conduzir-vos. Minha palavra rolará, por vezes, como regato susurrante em verde campina, a trazer-vos o frescor das coisas puras; outras vezes trovejará com os elementos enfurecidos na fúria da tempestade.
Ao seio de cada alma quero descer e adaptar-me a fim de ser compreendido; para cada uma devo encontrar uma palavra que a penetre no mais íntimo, que a abale, que a inflame e a arroje para o alto, onde eu estou, que até junto de mim a conduza, onde eu a espero.

Almas, almas eu peço. para conquistá-las vim das profundezas do infinito, onde não existe espaço nem tempo, vim oferecer-vos meu abraço, vim de novo dizer-vos a palavra da ressurreição, para elevar-vos até mim, para indicar-vos um caminho mais elevado onde encontrareis as alegrias puras.

Vós vos identificastes de tal modo com a vida física que já não podeis sentir senão uma vida limitada como a do vosso corpo. Pobre vida, rápida e cheia de incertezas, enclausurada nas limitações de vossos pobres sentidos. Pobre vida, encerrada num ataúde, na sepultura que é o corpo a que tanto vos agarrais. Minha voz encerrará todos os extremos de vossas diferentes psicologias. Escutai-me!

Não vos ensino a gozar das coisas terrenas, porque são ilusórias; indico-vos as alegrias do céu, porque somente estas são verdadeiras. Minha verdade não é a fácil verdade do mundo; não vos prometo alegrias sem esforços, mas minha promessa não vos ilude. Meu caminho é caminho de dor, porém, eu vos digo que somente ele vos conduzirá à liberação e à redenção. Minha estrada é de luta e de espinhos, mas vos fará ressurgir em mim, que vos saciarei para sempre. Não vos digo: “Gozai , gozai”, como o mundo vos fala. O mundo, porém, vos engana, eu não vos enganaria nunca.

Minha verdade é áspera e nua, contudo é a verdade. Peço o vosso esforço, mas dou a felicidade. Digo-vos: “Sofrei”, mas junto de vós estarei no momento da dor; com piedade maternal, velarei por vós; medindo todo o vosso esforço, proporcionarei as provas segundo vossa capacidade; finalmente, farei o que o mundo não faz: enxugarei vossas lágrimas.

O mundo parece espargir rosas, mas na verdade distribui espinhos; eu vos ofereço espinhos, porém vos ajudarei a colher rosas.

Segui-me, que o exemplo já vos dei. Levantai-vos, ó homens: é chegado o momento. Não venho para trazer guerra, mas, sim, paz. Não venho trazer dissensão às vossas idéias nem às vossas crenças: venho fecundá-las com meu espírito, unificá-las na minha luz.
Não venho para destruir e sim para edificar. O que é inútil morrerá por si mesmo, sem que eu vos dê exemplo de agressividade.

Desejaríeis sempre agredir, até mesmo em nome de Deus. Com que grande avidez ansiais por discussões e lutas contra vossos próprios irmãos, prontos a profanar, assim, minha pura palavra de bondade. Repito-vos: “Amai-vos uns aos outros”. Não discutais, mas dai o exemplo de virtude na dor, amai vosso próximo; aprendei a estar sempre prontos para prestar um auxílio, em qualquer parte onde haja um padecimento a aliviar, uma carícia a oferecer. Vossas eruditas investigações tornaram tão ásperas vossas almas que não vos permitiram avançar um só passo para o Céu.

Não venho para agredir, mas para ajudar; não para dividir, mas unir; não demolir, mas edificar. Minha palavra busca a bondade, antes que a sabedoria. Minha voz a todos se dirige. Ela é ampla como o universo, solene como o infinito. Descerá aos vossos corações, às vezes com a doçura de um carinho, outras vezes arrastadora como o tufão.
*   *   *
Do alto e de muito longe venho até vós. Não podeis perceber quão longo é o caminho que nós, puro pensamento, devemos percorrer a fim de superar a imensa distância espiritual que nos separa de vós, imersos na terra lodosa. Vossas distâncias psicológicas são maiores e mais difíceis de serem vencidas que as distâncias de espaço e tempo. Por isso, às vezes, chego fatigado. Minha fadiga, porém, não é cansaço físico: provém apenas do desalento que me nasce de vossa incompreensão. E, no entanto, minha palavra tem a doçura da eternidade e do infinito. Tem a tonalidade tão ampla como jamais possuiu a voz humana: deveríeis, por isso, reconhecer-me.

Venho a vós cheio de amor e de bondade, e me repelis. Eu, que vejo os limites da história de vosso planeta; eu, que num rápido olhar, vejo sem esforço toda a laboriosa ascensão desta humanidade cujo pai sou; eu me faço pequenino hoje, limito-me e me encerro num átimo de vosso momento histórico para que possais compreender-me.
Se vos falasse com minha voz potente, não me entenderíeis. Meu olhar contempla a Terra, quando o homem ainda não a habitava e também a vê no futuro distante, morta, a navegar no espaço como um ataúde de todas as vossas grandezas. Vejo vosso sol moribundo, depois morto e em seguida chamado a uma nova vida. Vejo, além desse átomo que é o vosso planeta, uma poeira de astros a revolutearem sem cessar pelos espaços infinitos, e todos eles transportando consigo humanidades que lutam, sofrem, vencem e se elevam. tudo vejo, tudo leio nos vossos corações como nos corações de todos os seres.

Além do vosso universo físico, vejo um maior universo moral, onde as almas, na sua laboriosa ascensão, cumprindo seu diuturno esforço de purificação para o Alto, cantam o mais glorioso hino à Divindade. Esplendorosa luz existe no centro moral do universo, luz que atrai todos os seres por uma força de gravitação moral mais poderosa do que aquela que mantém associadas no espaço as grandes massas planetárias e estelares. tudo vejo, mas nada falo para não vos perturbar. tudo vejo e minha mão possante firma o destino dos mundos. Poderia mudar o curso dos astros, mas nós somos lei, ordem e equilíbrio e não aprovamos violações. Empunho o destino dos povos e, no entanto, venho humildemente até vós, para entre vós colher o perfume que se desprenda de uma alma simples. Esse é meu único conforto, quando desço ao vosso mundo, às camadas profundas e obscuras de matéria densa, formadas de coisas baixas e repugnantes. Aquele perfume parece perder-se na vossa atmosfera carregada de emanações perniciosas, como que vencido pelas forças envolventes do mal. Eu o percebo, no entanto, elegendo-o, e recolho como se guarda uma jóia humilde e gentil, desabrochada na lama, e a guardo em meu coração, onde ela repousará. É o único carinho que encontro em vosso mundo, o único hino, puro e singelo, que me faz descansar. Como a criancinha repousa aos cânticos de sua mãe, que lhe parecem os mais belos, assim me acalento, invadido por infinita doçura, no seio dessas vozes humildes dispersas em vosso mundo.

Essa é a única trégua em meio ao trabalho de iluminar e guiar-vos, ó homens rebeldes, que acreditais dominar e sois dominados, que pensais subir, mas, na verdade, desceis. Eu poderia, contudo, atemorizar-vos por de prodígios, aterrorizar-vos com cataclismos. Convencer-vos-ia, no entanto? Minha mão se levanta sobre vós, que sois maus, como uma bênção, nunca para vinganças.

Escutai com atenção esta grande palavra: desejo que o equilíbrio, violado pela vossa maldade, se restabeleça pelos caminhos do amor e não pelo castigo. Compreendeis a grande diferença?

Eis as razões da minha intervenção, da minha presença entre vós.

A Lei quer o equilíbrio. É a Lei. Vós a desrespeitastes com vossas culpas, ultrajando assim a Divindade. O equilíbrio "deve" restabelecer-se, a reação "deve" verificar-se, o efeito "deve" acompanhar a causa, por vós livremente buscada.
Deus vos quer livres, já o sabeis. Pois bem, eu venho para que o equilíbrio se restabeleça pelos caminhos do amor e da compreensão; venho para incitar-vos, com palavras de fogo, ao entendimento, estimular-vos a retomar livremente a via da redenção; finalmente, venho ensinar-vos a fazer de vossa liberdade um uso que vos eleve e salve, e não que vos rebaixe e condene. Venho tornar-vos conscientes dessa Lei que vos guia e da maneira de restaurardes a ordem violada, a fim de que essa violação não venha a recair sobre vós, como tremendo choque de retorno que destruirá vossa civilização.

Venho para salvar-vos, para salvar o que de melhor possuís, o que fatigosamente os séculos têm acumulado, ao preço de muitas dores e de muito sangue.

Entre a necessidade férrea da Lei que, inexoravelmente, volve ao equilíbrio, interponho hoje o meu amor e a minha luz, como já interpus a minha dor e o meu martírio!

Homens, tremei! É supremo o momento. É por motivos supremos que do Alto desço até vós. Escutai-me: o mundo será dividido entre aqueles que me compreendem e me seguem e aqueles que não me compreendem e não me seguem. Ai destes últimos! Os primeiros encontrarão asilo seguro em meu coração e serão salvos; sobre os outros a Lei, não mais compensada pelo meu amor, descerá inelutavelmente e eles serão arrastados por um vendaval sem nome para trevas indescritíveis.

Não vos iludais: reconhecei a minha voz. Reconhecei-a pela sua imensa tonalidade, pela sua bondade sem fronteiras. Algum homem, porventura, já falou assim? falo-vos de coisas singelas e elevadas, de coisas boas e terríveis. Sou a síntese de todas as Verdades.

Não me oponhais barreiras de vossas almas, mas escutai, ponderai, deixai que este raio de luz que vem de Deus desça à vossa consciência e a ilumine. Eu vô-lo rogo, humilhando-me em vossa presença; humildemente, para vossa salvação, eu vos suplico: escutai a minha voz!

Que sobre vós desça a paz. A paz! A paz que não mais conheceis venha sobre vossas almas! Entre vós e a divina justiça está minha oração: “Deus, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”.

Pobres seres perdidos na escuridão das paixões; pobres seres que tomais por luz verdadeira o ouropel fascinador das coisas falsas da Terra! Pobres seres, maus e perversos! E, no entanto, sois meus filhos e por amor de vós de novo subiria à cruz para vos salvar. Pobres seres que, numa vitória efêmera de matéria, que chamais civilização, haveis perdido completamente o único repouso do coração – a minha paz.

Escutai-me. Falo-vos com amor, imenso amor. Fui por vós insultado e crucificado, e vos perdoei; perdôo-vos ainda e ainda vos amo. Trago-vos a paz. Até junto de vós retorno para falar-vos de uma ciência que a vossa não conhece, para pronunciar-vos a palavra que nenhum homem sabe falar, palavra que vos saciará para sempre. Escutai-me.
Minha voz conduzirá vosso coração a um êxtase que nenhuma vitória material, que nenhuma grandeza do mundo jamais vos poderá dar.

Como um clarão intuitivo, minha luz espargirá sobre vós uma compreensão a que os laboriosos processos de vossa razão não chegarão jamais. A razão, filha do raciocínio, discute e calcula, mas eu sou o clarão que em vós se acende e pode, num átimo, transformar-vos em heróis. Aceitai, suplico-vos, este supremo dom que vos ofereço e pelo qual vim de tão longe até junto de vós: aceitai esta dádiva esplêndida, que é a minha paz. É a bem-aventurança do céu, que vos trago de mãos cheias; é a felicidade que coisa alguma terrena jamais vos poderá dar. Reconhecei a minha paz! Para recebê-la, abri todas as portas de vossa alma! Dela saciai-vos, com ela inebriai-vos! É um dom imenso que vos trago do seio de Deus, é uma graça com que o meu imenso Amor recompensa a vossa ingratidão.

Até vós eu venho, trazendo os mais lindos dons, para derramar sobre vossas almas a verdadeira felicidade. Venho para suavizar a Justiça Divina. Fiz longa e fatigante viagem, do meu Céu radioso às vossas trevas. Vim espontaneamente, pelo amor que vos consagro. Não renoveis as torturas do Getsêmani, as angústias da incompreensão humana, os tormentos de um imenso amor repelido.

Quem sou eu? - perguntais-me.

Sou o calor do sol matinal que vela o desabotoar da florzinha que ninguém vê; sou o equilíbrio que, na variação alternadora dos elementos, a todos garante a vida. Sou o pranto da alma quebrantada, em que desabrocha a primeira visão do divino. Sou o equilíbrio que, nas mudanças dos acontecimentos morais, a todos promete salvação. Sou o rei do mundo físico de vossa ciência; sou o rei do mundo moral que não vedes.

Sempre me procurais, em toda a parte. Sempre mais profundamente vos escapo, de fibra em fibra, nas vossas mesas de anatomia, de molécula em molécula nos vossos laboratórios. Vós me procurais, dilacerando e dissecando a pobre matéria: mas eu sou espírito e animo todas as coisas. Não com os olhos e os instrumentos materiais, mas somente com os olhos e os instrumentos do espírito podereis encontrar-me.

Sou o sorriso da criança e a carícia materna; sou o gemido daquele que corre implorando salvação; sou o calor do primeiro raio de sol da primavera, que traz a vida e sou o vendaval que traz a morte; sou a beleza evanescente do momento que foge; sou a eterna harmonia do universo.

Sou Amor, sou Força, sou Idéia, sou Espírito que tudo vivifica e está sempre presente. Sou a lei que governa o organismo do universo com maravilhoso equilíbrio. Sou a Força irresistível que impulsiona todos os seres para a ascensão. Sou o cântico imenso que a criação entoa ao Criador.

Tudo sou e tudo compreendo, até o mal, porquanto o envolvo e o limito aos fins do bem. Meu dedo escreve, na eternidade e no infinito, a história de miríades de mundos e vidas, traçando o caminho ascensional dos seres que para mim se voltam, seres que atraio com meu Amor e que recolherei na minha luz.

Muitos mundos já vi antes do vosso, muitos verei depois dele. Vossas grandes visões apocalípticas para mim são pequeninas encrespaduras nas dimensões do tempo. Virei, entre raios de tempestade, para dobrar os orgulhosos e elevar os humildes. Virei vitorioso na minha glória e no meu poder, triunfante do mal, que será rechaçado para as trevas.

Tremei, porque quando eu já não for o Amor que perdoa e vos protege, serei o turbilhão que tempestua, serei o desencadear dos elementos sem peias, serei a Lei que, não mais dominada pela minha vontade, trazendo consigo a ruína, inexoravelmente explodirá sobre vós.

Tudo é conexo no universo; causas físicas e efeitos morais, causas morais e efeitos físicos. Um organismo compressor vos envolve e nele estais presos em cada ato vosso.

Minha poderosa mão firma o destino dos mundos e, no entanto, sabe descer até a mais humilde criancinha para lhe suster, carinhosamente, o pranto. Essa é minha verdadeira grandeza.

Ó vós que me admirais, tímidos, no ímpeto da tempestade, admirai-me, antes, no poder que tenho de fazer-me humilde para vós, no saber descer do meu elevado reino à vossa treva; admirai-me nessa força imensa que possuo de constranger meu poder a uma fraqueza que me torna semelhante a vós.

Não vos peço que compreendais meu poder, que me situa longe de vós; rogo-vos que compreendais o meu amor que me assemelha a vós e me coloca ao vosso lado. Meu poder poderá desalentar-vos e atemorizar-vos, dando-vos de mim uma idéia não justa, a de um senhor vingativo e despótico. Não quero vossa obediência por temor. Agora deve despontar uma nova aurora de consciência e de amor. Deveis elevar-vos a uma lei mais alta e eu retorno hoje para anunciar-vos a boa nova. Não sou um senhor vingativo e tirânico, como outrora, por necessidade, me supuseram os povos antigos; sou o vosso amigo e é com palavras de bondade que me dirijo ao vosso coração e à vossa razão.
Não mais deveis temer, mas, sim, compreender. Vossa razão infantil já acordou e nela venho lançar minha luz. Sou síntese de verdade e em toda a parte ela surgirá, atingindo a luz da vossa inteligência.

Não trago combates, mas paz. Não trago divisões de consciência e, sim, união de pensamentos e de espíritos.

A humanidade terrestre aproxima-se de sua unificação, numa nova consciência espiritual. Não vos insulteis, pois; antes, compreendei-vos uns aos outros. Que cada um concorra com o seu grãozinho para a grande fé e que esta vos torne todos irmãos.
Que a religião, que é revelação minha, e a ciência, que é o vosso esforço e todas as vossas intuições pessoais se unam estreitamente numa grande Síntese, e seja esta uma síntese de verdade.


Porque eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. 

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A GRANDE SÍNTESE - MENSAGEM DE EMMANUEL

Quando todos os valores da civilização do Ocidente
desfalecem numa decadência dolorosa, é justo que
saudemos uma luz como esta, que se desprende da
grande voz silenciosa de A Grande Síntese.

Na mesma Itália, que vulgarizou o sacerdócio romano,
eliminando as mais belas florações do sentimento
cristão no mundo, em virtude do mecanismo convencional
da igreja católica, aparelhos existem da grande verdade,
restaurando o messianismo, no caminho sublime das
revelações grandiosas da fé.

A palavra do Cristo projeta nesta hora as suas
irradiações enérgicas e suaves, movimentando todo
um exército poderoso de mensageiros seus, dentro
da oficina da evolução universal. O momento é 
psicológico. As nossas afirmativas abstraem do 
tempo e do espaço, em contraposição às vossas 
inquietudes; mas, o século que passa deve assinalar-se
por maravilhosas renovações da vida terrestre.

As contribuições exigidas serão bem pesadas. 
Todavia, uma alvorada radiosa sucederá às
angústias deste crepúsculo. 

Aqui fala á Sua Voz divina e doce, austera e compassiva.
No aparelhamento destas teses, que muitas vezes
transcendem o idealismo contemporâneo, há o reflexo 
soberano da sua magnanimidade, da sua misericórdia
e da sua sabedoria. Todos os departamentos da atividade
humana são lembrados na sua exposição de inconcebível maravilha!

É que, sendo de origem humana a razão, a intuição é 
de origem divina, preludiando todas as realizações da 
Humanidade. A grande lição desta obra é que o Senhor
não despreza o vosso racionalismo científico, não 
obstante a roupagem enganadora do seu negativismo 
impenitente.

Na sua misericordiosa sabedoria, Ele aproveita todos
os vossos esforços, ainda os mais inferiores e misérrimos. 
Toma-vos de encontro ao seu coração augusto e compassivo,
unge-vos com o Seu amor sem limites, renovando os Seus
ensinamentos do Mar da Galiléia.

Vede, pois, que todos os vossos progressos e todos os
vossos surtos evolutivos estão previstos no Evangelho.
Todas as vossas ciências e valores, no quadro das
civilizações passadas e no mecanismo das que hão de 
vir, estão consubstanciados na sua palavra divina e redentora.

A Grande Síntese é o Evangelho da Ciência, renovando 
todas as capacidades da religião e da filosofia,
reunindo-as à revelação espiritual e restaurando o
messianismo do Cristo, em todos os institutos da 
evolução terrestre.

Curvemo-nos diante da misericórdia do Mestre e agradeçamos 
de coração genuflexo a sua bondade. Acerquemo-nos deste
altar da esperança e da sabedoria, onde a ciência e a 
fé se irmanam para Deus.

E, enquanto o mundo velho se prepara para as grandes
provações coletivas, meditemos no campo infinito das
revelações da Providência Divina, colocando acima de
todas as preocupações transitórias, as glórias sublimes
e imperecíveis do Espírito imortal.

Pedro Leopoldo, Outubro de 1938

(Mensagem recebida por Francisco Cândido Xavier).